
Pedro Crispim regressou à televisão no programa ‘Ponto Sem Nó’, da SIC Caras, onde analisa os visuais das figuras públicas ao lado de Carolina Ortigão e Catarina Miranda.
Na manhã de quarta-feira, 4 de novembro, o consultor de moda esteve na ‘Casa Feliz’, da SIC, à conversa com Diana Chaves e João Baião, a quem confessou que tomar o pequeno-almoço no matutino “fazia parte dos meus objetivos”.
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O regresso ao ativo no canal temático surge após um interregno no pequeno ecrã. Questionado por João sobre o tempo de paragem, Pedro explicou os motivos que o levaram a afastar-se: “Já não estou no ecrã para aí há um ano, porque entretanto foi uma escolha minha, mas também tive de me focar aqui em questões familiares, porque pelo caminho perdi o meu pai este ano e efetivamente os últimos meses foram muito desafiantes e tive de fazer aqui uma escolha na minha vida”. O convidado acrescentou que precisou de dar mais apoio à família e que o seu quotidiano está focado noutra área: “A minha vida é muito retalho têxtil, muito ligada à moda, à indústria, e a televisão em determinado momento estava-me a desconcentrar”.
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Sobre a chegada ao formato da SIC Caras, onde já gravou duas emissões fixas depois de ter passado pelo programa como convidado, Pedro elogiou as colegas de painel, embora se defina com uma característica particular. “Tenho duas parceiras maravilhosas de business, que são a Carolina Ortigão e a Catarina Miranda, que me receberam muito bem. Podiam estranhar, que eu sou uma pessoa estranha, como vocês sabem. Eu na realidade considero-me uma pessoa estranha, ainda bem que assim é, mas na realidade também não agrado a todos”, disse.
Diana notou que as pessoas que o conhecem falam bem dele, levando o comentador a distinguir o primeiro contacto da convivência. Quando a apresentadora perguntou se isso dependia da forma como se entrega aos outros, Pedro respondeu com uma comparação: “Eu não me entrego a toda a gente, senão a pessoa vai ficando mirrada, tipo uva-passa no final da noite de Ano Novo e ninguém pega”. O especialista aproveitou para separar a figura pública da vida privada: “Acho que as pessoas me ligam muito a uma persona televisiva, mais cáustica, mais de comentário, mais mordaz. Depois o Pedro real, que na realidade, peço desculpa, mas está-se nas tintas (…). Eu não me preocupo muito com a vida dos outros. Contrasta muito com a persona que normalmente me alocam”.
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Ainda assim, garantiu a João que não interpreta uma personagem: “Não sou ator, não tenho esse talento, não tenho essa vocação, mas no entanto dou o volume televisivo às coisas que têm a ver com entretenimento. Portanto, conforme o projeto, eu acabo por me moldar. A ‘Passadeira Vermelha’, para mim, eu fazia uma cena. Agora, no ‘Ponto Sem Nó’, é outro registo”. Longe das câmaras, recusa comentar a vida alheia em mesas de café e raramente frequenta eventos fora da rotina profissional. “É um bocadinho de fato de treino, de pijama de borboto quase, e muito com os meus animais, muito no meu Alentejo, muito no meu silêncio. Sou uma pessoa muito solitária no sentido de escolha”, descreveu, sublinhando que hoje tem “um grande compromisso com aquilo que me nutre acima de tudo”.
João recuou até 2005, ano em que Pedro se estreou na SIC com o formato ‘Esquadrão G’, adaptação de ‘Queer Eye for the Straight Guy’, para perceber o que mudou desde então. O convidado recordou que foi a um casting através da agência e que nunca planeou seguir carreira na área: “As coisas foram acontecendo aos soluços em alguns projetos da SIC e nos temáticos também da SIC”. Ao rever imagens dessa época, brincou com a própria aparência: “Olha eu ali ainda com cabelo. Já a mostrar uma pista de aterragem considerável, ali com as entradas. Mas eu era ali o cotonete do grupo”.
Confrontado pelo apresentador sobre se gostaria de ter um projeto com outra dimensão, Pedro reconheceu os rótulos do meio televisivo: “Acho que também nós todos somos arquivados numa gavetinha de ideias preconcebidas das nossas possibilidades, mas também se não tivermos outras oportunidades não podemos mostrar mais. Portanto, se me dão um charriot para eu fazer televisão, eu vou-me agarrar ao charriot e vou fazer o meu melhor naquele charriot”. No ‘Ponto Sem Nó’, considera que a diversidade do trio é o segredo: “Eu costumo dizer que a Carolina é a duquesa, a Catarina é a doutora e eu sou o chunga”.
Famoso pelo bordão “o mau gosto não se discute, lamenta-se”, o consultor revelou que a sua opinião gera reações intensas nos bastidores de eventos como os Globos de Ouro. “Há pessoas que ficam ofendidas. Eu às vezes faço tabelas dos mais bem vestidos neste ou naquele evento, nos Globos e tudo isso, e há pessoas que mandam mensagem e telefonam a dizer porque é que não estão na lista para determinado site que eu faço ou para determinada revista que eu escreva. E eu penso assim: as pessoas levam isto tudo muito a sério. É só roupa”, contou, resumindo o fenómeno a uma questão: “É muito ego”.
Já sobre o ambiente nas redes sociais, criticou o excesso de agressividade: “Acho que o digital também abre muito a caixa de Pandora para críticas mais vulgares. E quando eu digo vulgaridade, não tem a ver com o tamanho do decote. Eu acho que há coisas mais graves do que isso, que é o tom com que colocamos o caráter de alguém, a dignidade de alguém, a formação de alguém em causa por causa de uma roupa”.
Quando o alvo é ele próprio, Pedro diz relativizar os insultos habituais: “Quando as pessoas querem pegar comigo e atacar-me, normalmente atacam pela minha sexualidade ou pela minha careca. É um dos dois, é sempre a careca e a sexualidade. Como se eu não estivesse careca de saber a minha sexualidade. Portanto, são coisas muito óbvias e previsíveis, não são muito criativos quando me atacam”. O limite surge apenas quando visam os seus próximos: “Mete-me muito mais confusão quando falam daqueles que eu amo, daqueles que eu gosto, ou da minha família, ou atacam a minha mãe, que também já aconteceu pelo caminho (…). Em determinados formatos, as pessoas é um bocadinho tipo vale tudo menos tirar olhos. E portanto, aí sim, aí já mexe um bocadinho, sabes, miga, com o meu coração. Fora isso, já estou vacinado”.
A fechar a conversa, Pedro anunciou que o ‘Ponto Sem Nó’ vai selecionar alguém do público até ao final do ano para se estrear como comentadora convidada, oferecendo-lhe um visual completo escolhido por si: “Existe um prémio, que é um look integral construído por mim com o meu styling e a pessoa leva o look para casa, que é para não ir de mãos a abanar”.