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Pizzi sem filtros: Jorge Jesus “inacreditável” taticamente e o alívio com Rui Vitória

O médio, agora a tirar o curso de treinador, abre o livro sobre a sua carreira e as diferenças entre os técnicos.

Luís Miguel Afonso Fernandes, mais conhecido como Pizzi, encerrou este ano uma carreira notável nos relvados, despedindo-se aos 36 anos devido a dores persistentes na anca.

Agora, o futuro chama-o para o banco, e Pizzi já se encontra a frequentar o curso de treinador UEFA B+A, lado a lado com figuras como Pepe e José Fonte. Numa conversa franca com Sérgio Filipe Oliveira, Paulo Sérgio e Marinho, no programa “DAZN Europa”, o antigo médio do Benfica e do SC Braga não se furtou a partilhar as suas perspetivas sobre o futebol, os técnicos que o marcaram e o caminho que agora abraça.

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Ao abordar a sua visão de jogo para o futuro, Pizzi revelou que não se revê num modelo rígido como o de Luis Enrique, preferindo uma abordagem mais adaptável. Com um olhar atento ao panorama europeu, o ex-futebolista elogiou a competência de Mikel Arteta no comando do Arsenal, mesmo admitindo que o estilo de futebol praticado pelos ‘gunners’ não é o seu favorito. “Não, vejo-me muito mais do que um Luis Enrique, obviamente que eu acho que tu tens que te moldar um bocado à situação onde estás, ao contexto onde estás. Mas se eu tivesse no Paris Saint-Germain, obviamente que seria a mesma forma de jogar ou muito parecida com aquela e estando se calhar no Arsenal também poderia ser, porque o Arsenal tem jogadores de muita qualidade e que podem fazer a diferença a qualquer momento. Mas lá está. Eu acho que podemos gostar mais ou menos do que é o futebol do Arsenal ou do Arteta, mas a verdade é que eles são muito, muito competentes naquilo que fazem e acho que têm vindo a demonstrar isso ao longo do tempo. Não é propriamente o futebol que eu gosto ou que adoro de ver, mas eles são muito competentes e fazem aquilo muito bem.”

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A sua reflexão sugere uma filosofia que valoriza a flexibilidade e a qualidade individual dos jogadores, características que certamente procurará implementar quando tiver a sua própria equipa.

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Um dos momentos mais reveladores da entrevista surgiu quando Pizzi comparou dois dos treinadores que mais o marcaram na sua passagem pelo Benfica: Jorge Jesus e Rui Vitória. O médio descreveu-os como “dois treinadores completamente distintos”, traçando um retrato vívido das suas metodologias. Segundo Pizzi, Jorge Jesus era “muito mais à base do grito e de uma paixão incrível”, elogiando, noutras ocasiões, a sua qualidade tática “inacreditavelmente boa”. Já Rui Vitória apresentava uma postura “à base da calma, da tranquilidade, do saber falar contigo, do saber levar-te para onde ele quer te levar ou para tirar, lá está, como dizia o Marinho, o melhor de ti, o melhor rendimento de ti.”

O impacto de Vitória foi tão significativo que o jogador confessou ter sentido um enorme alívio quando soube da sua chegada ao Benfica, após a saída de Jorge Jesus para o Sporting. “Eu acho que nesse aspeto do Vitória, quer no Paços e depois mais à frente no Benfica, foi sem dúvida muito importante para mim. Aliás, eu posso partilhar: quando o Mister Jorge Jesus sai para o Sporting e eu soube que era o Mister Rui Vitória que vinha para o Benfica, parece que foi um alívio enorme para mim, porque sabia que estava ali uma pessoa que iria, sem qualquer dúvida, apostar em mim e querer tirar o melhor de mim para eu crescer e evoluir enquanto jogador.”

Esta nova fase na vida de Pizzi, que inclui passagens por clubes como SC Braga, Atlético de Madrid, Estoril Praia, Espanyol, Deportivo e Paços de Ferreira ao longo da sua carreira profissional, promete ser tão desafiante quanto a anterior. A transição de jogador para treinador é um passo natural para muitos, mas poucos o fazem com a mesma clareza e honestidade sobre as suas experiências passadas e as ambições futuras.

Com a sua vasta bagagem e uma visão já bem definida, Pizzi prepara-se para escrever um novo capítulo no mundo do futebol, agora à margem das quatro linhas.

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