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Rita Blanco surpreendida com Globo de Ouro na 30.ª edição: “Fui enganada” pela produção

A produção fê-la crer que iria apenas discursar sobre cinema, levando-a a "engendrar um textozinho" antes de perceber a surpresa...

Rita Blanco recebeu o Globo de Ouro na 30.ª edição dos ‘Globos de Ouro’, uma distinção que celebrou a sua carreira no cinema português.

A atriz, visivelmente surpreendida, admitiu ter sido apanhada desprevenida com a homenagem, que reconheceu décadas de trabalho e uma ligação profunda a filmes marcantes.

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“Parem, que senão eu começo a chorar, porque estou com falta de cortisol e dá-me para chorar”, atirou Rita Blanco ao subir ao palco. A intérprete confessou que a produção a tinha enganado, levando-a a crer que iria apenas discursar sobre cinema. “Eu a esta hora já não tenho sossego. Fui enganada. Disseram-me: ‘Olha, tu vais falar um bocadinho sobre cinema’. Eu disse: ‘Que eu?’ ‘Ah, porque sim, falas um bocadinho sobre cinema’. Eu assim: ‘Mas falo um bocadinho sobre cinema como?'”, contou.

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A atriz revelou que chegou a “engendrar um textozinho na cabeça”, preocupada em não soar “muito bruta, muito panfletária”. Quando percebeu a verdadeira razão da sua presença, não escondeu a surpresa. “Fui enganada, mas isto tem um reverso. Daniel, querido Daniel, eu depois já vou ser muito séria e isto também é sério. Daniel, sabes quando uma pessoa recebe Globos de Ouro, depois vale mais? Isto é o chamado pau de dois bicos”, disse, dirigindo-se a Daniel Oliveira, diretor de programas da SIC.

Nos agradecimentos, Rita Blanco fez questão de destacar a SIC, a quem se referiu como uma “casa que esteve sempre aberta” para si, lembrando Emílio Rangel e Francisco Pinto Balsemão, que “sempre me disse que a porta estaria sempre aberta”. Agradeceu ainda a Daniel Oliveira por “ainda não me pôr fora”, num tom bem-humorado.

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A emoção tomou conta da atriz quando falou de João Canijo, figura central na sua trajetória profissional. “Não posso falar da minha vida no cinema sem falar do João Canijo, como é evidente. O João Canijo foi o meu percurso, eu fui o percurso dele. Obrigada mil vezes ao João, meu companheiro de sempre”, afirmou, perante uma plateia atenta.

Rita Blanco fez questão de mencionar as “Canijonas”, como carinhosamente lhes chamam: Anabela Moreira, Vera Barreto, Cléa Almeida e Madalena Almeida. “Foram a nossa família, eu agradeço-lhes muito tudo o que me aturaram e tudo o que fizemos juntas, que foi muito importante”, sublinhou. A atriz elogiou o realizador pela sua capacidade de “falar sobre as pessoas, que é uma coisa extraordinária”.

Agradeceu também a todos os realizadores que a aceitaram “como eu era, e não é fácil”, e que lhe deram papéis para interpretar. Com a “boca seca”, a atriz lembrou ainda a importância das equipas de cinema, para quem sempre trabalhou, e a quem agradeceu pelo apoio.

Por fim, Rita Blanco dedicou o prémio aos amigos, aos seus cães e, de forma muito especial, à filha. “Sobretudo há uma pessoa que eu tenho mesmo que agradecer, que é a minha filha Alice, que me aturou tudo, foi e é excecional e mantém-me viva”, concluiu, visivelmente comovida.

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