Rúben Neves sentou-se este sábado no sofá do *Alta Definição*, na SIC, para uma conversa com Daniel Oliveira.
O médio português abriu o coração sobre a perda do amigo Diogo Jota, um dos seus companheiros mais próximos no futebol, e como tem lidado com a ausência.
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Ainda a competir nos Estados Unidos, o internacional português recebeu a notícia trágica de madrugada. Foi a mulher de Diogo, Rute, quem o contactou, já passava da uma da manhã. A coincidência quis que a sua própria mulher, Débora, estivesse no mesmo hotel. A Daniel Oliveira, Rúben Neves explicou o momento: “Foi a Rute que me ligou. Uma, talvez uma da manhã, recebi chamada da Rute. (…) Não era normal, porque quando era para falar com eles era o Diogo que ligava, não era a Rute”.
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O choque inicial, contou, foi indescritível, mas o verdadeiro peso da notícia abateu-se sobre ele no dia seguinte. Ainda sob o efeito da adrenalina, o futebolista só sentiu o verdadeiro impacto da perda no dia seguinte, como admitiu: “Acho que só no dia seguinte. Ou seja, a adrenalina de receber uma notícia dessas é inexplicável. Acho que só no dia seguinte, eu passei muito pior no dia seguinte do que no dia que recebi a notícia.”
Mesmo com o mundo a ruir, Rúben Neves tomou a difícil decisão de jogar a partida seguinte antes de voar para Portugal. A jogar pelo amigo e com a certeza de que Débora, a sua mulher, estava presente, encontrou forças. “O aspecto mais importante para eu conseguir jogar foi eu querer jogar pelo Diogo primeiro e depois saber que a Débora estava lá”, garantiu. A despedida e a presença no funeral foram, para si, momentos de uma intensidade esmagadora. “O ambiente é tão pesado que eu acho que a única coisa que pensei foi estar ali para eles, estar ali com eles e tentar dar-lhes o máximo de força possível, sabendo que por muito que eu tentasse, era quase impossível.”
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As recordações de Diogo Jota são uma presença constante na vida de Rúben Neves. Para o manter por perto, criou mecanismos como uma tatuagem e uma pulseira que o acompanham em todos os jogos. “A tatuagem, por exemplo, foi uma coisa muito importante para mim. Sempre que entro em campo lembro-me do Diogo. Tenho uma pulseira que meti depois da morte do Diogo e que entra sempre em campo comigo também”, revelou.
Apesar da ausência física, a ligação entre os amigos permanece. “Eu falo com ele ainda. Isso poucas pessoas sabem. Nós temos um grupo no WhatsApp com a Rute e com o Diogo, continua lá e continuamos a falar por lá”, confessou.
Com Daniel Oliveira, o médio lamentou não ter conseguido comparecer ao casamento do amigo, devido a compromissos profissionais. Ficou a sensação de que havia palavras por trocar. “Talvez ele nunca me tenha dito o quanto gostava de mim e eu nunca lhe tenha dito o quanto gosto dele. No presente, claro. E talvez me arrependa um bocadinho disso, mas tenho a certeza que ele sabe”, desabafou. Rúben Neves deixou ainda a garantia de que estará sempre presente para apoiar a viúva e os filhos de Diogo Jota, assumindo um papel de figura paternal incondicional na vida deles.