A Seleção Nacional defronta amanhã a Nigéria no último ensaio antes de viajar para os Estados Unidos, onde vai disputar o Campeonato do Mundo.
O selecionador nacional, em antevisão ao encontro, adiantou que o foco da partida não será um “ensaio geral” para o jogo com a RD Congo, mas sim a gestão de minutos e a recuperação individual dos jogadores.
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“Não, não, porque é o primeiro jogo para cinco, seis dos nossos jogadores, mais o Diogo Costa, sete. Continuamos. É o último jogo de preparação antes do Mundial, mas, para nós, o foco é o foco individual: tentar recuperar e dar minutos aos jogadores que precisam”, explicou o técnico. O principal objetivo é que os jogadores cheguem a Miami preparados para o torneio, frisou.
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O selecionador nacional lembrou o jogo anterior, frente ao Chile, onde Portugal dominou a primeira parte, mas depois teve de gerir um cartão vermelho. Considera que, apesar do resultado positivo, houve aspetos a melhorar. A Nigéria, por sua vez, oferece uma oportunidade para trabalhar pontos semelhantes aos da RD Congo, o primeiro adversário no Mundial. “É uma equipa africana diferente, tem muita flexibilidade tática, mas é um adversário exigente e é um teste para preparar o nosso grupo”, sublinhou.
Para o técnico, a força de Portugal reside no compromisso de todos os jogadores. A sua responsabilidade e a da equipa técnica é prepará-los para que, em campo, usem o seu talento e atitude para vencer por Portugal. Amanhã, a ideia é fazer onze substituições, com Diogo Costa a jogar os 90 minutos, e todos os restantes jogadores a terem tempo de jogo. Rafael Leão será a única ausência, devido a castigo.
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Questionado sobre o estilo tático da equipa, o selecionador nacional foi direto: “É muito fácil. É um grupo de jogadores com muito talento e nós temos uma estrutura, um equilíbrio, uma disciplina dentro desse talento para ganhar jogos”. Os números, disse, refletem as vitórias, os golos e a chegada à área, fruto de um compromisso total em defender rápido e alto. Assumiu que, após 15 anos de trabalho na formação do futebol português, os jogadores atuais são o resultado.
Sobre a estrutura tática, o técnico repetiu o que já tinha dito à chegada à Cidade do Futebol: “a nossa ideia é ter flexibilidade tática para poder ajustar todo o talento individual dentro da estrutura de equipa”. Admitiu ser difícil para quem está de fora, sem conhecimento de futebol, falar de tática, mas insistiu que o estilo da equipa é “muito fácil e definido”.
Em relação a Cristiano Ronaldo, o capitão da Seleção, o selecionador nacional descreveu-o como “um exemplo para o dia a dia”, focado em dar tudo para melhorar e ajudar a equipa. “Eu acho que o capitão e todos os jogadores da seleção não pensam no futuro. Ninguém sabe o futuro”, atirou. Para o treinador, o foco está em treinar hoje, aprender os conceitos e, amanhã, mostrar o orgulho de vestir a camisola de Portugal.
A preparação para um torneio desta dimensão, após uma época desgastante, foi também abordada. O selecionador garantiu que os jogadores que terminaram a época a 30 de maio já estão recuperados e a reativar o aspeto físico para o Mundial. “No Mundial há dois mundiais, já falei disso. Agora são três jogos. Acho que estamos preparados para os três jogos depois do jogo de amanhã”, afirmou, acrescentando que a equipa terá de melhorar muito durante essa fase, mostrando resiliência e utilizando os valores do grupo.
Sobre a gestão dos guarda-redes, o selecionador explicou que a decisão de dar 90 minutos a Diogo Costa se prende com a necessidade de “muita clareza” na posição. “É o nosso guarda-redes número um”, lembrou. Para José Sá e Rui Silva, já houve minutos. O técnico sente que, para Diogo Costa, foi importante “desligar” e agora “começa a nova época”, sendo os 90 minutos de amanhã parte desse processo. Ricardo Velho, que tem trabalhado bem e é respeitado, não foi opção para jogar por esta razão.
A estratégia de defrontar equipas de diferentes continentes (América do Norte, do Sul, África e Ásia) visa uma “mistura importante” na preparação. O selecionador destacou que uma equipa asiática pode ter um treinador europeu com experiência em Mundiais e “clareza tática muito forte”. Já no caso de equipas que se estreiam no Mundial, há um aspeto desconhecido. “Ninguém consegue preparar o nível onde o adversário consegue chegar, porque é uma final dentro das carreiras dos jogadores”, disse, citando a experiência de jogar contra o Panamá em 2018.
O Chile, com o seu aspeto emocional e intensidade nos duelos, é semelhante à Colômbia. A Nigéria, embora diferente da RD Congo, partilha aspetos como a capacidade dos atacantes para explorar espaços e a presença de muitos jogadores na zona central. O selecionador considera que, com os quatro adversários defrontados (México, Estados Unidos, Chile e Nigéria), a equipa teve tudo o que precisava para a fase de grupos.
O facto de nenhum selecionador estrangeiro ter vencido um Mundial é um desafio que o agrada. “É um desafio que adoro. É fantástico porque a minha carreira está cheia de desafios assim”, atirou. O técnico vê este Mundial, o primeiro com oito jogos e 48 seleções, como um momento especial para “fazer uma conquista ou fazer qualquer coisa que nunca foi feita”.
Em relação à meta mínima dos quartos de final, apontada por Pedro Proença, presidente da FPF, o selecionador nacional respeita a opinião, mas para si, o Mundial são “três jogos. Não tem mais nada”. O foco é o jogo de amanhã e, depois, os três jogos seguintes. “Não há um objetivo. A ideia é ganhar tudo. A ideia é ganhar oito jogos. Seja durante 90 minutos, 120 ou grandes penalidades”, garantiu, frisando a importância da atitude, talento e personalidade demonstrada na Liga das Nações.
Sobre potenciais episódios extra-relvado que têm surgido com outras delegações, o selecionador não mostra preocupação. “Não, porque estamos a falar do Mundial. É o meu terceiro Mundial e podemos dizer que aconteceu o mesmo em todos os mundiais”, lembrou, explicando que estes aspetos fazem parte da maior competição do mundo. Garantiu ainda que a equipa se manteve “de portas fechadas”, focada no que pode controlar, sem se aperceber de tais situações.
O selecionador nacional elogiou as ideias do treinador da Nigéria, destacando a flexibilidade tática da equipa, que pode jogar num 4x4x2 em losango ou com alas e dois pontas de lança. Os atacantes nigerianos, rápidos e fortes fisicamente, são um desafio diferente do Chile. Vencer é sempre o objetivo, mas o técnico considera que “é melhor ganhar 2-1 do que ganhar 2-0, no aspeto de avaliar, de poder melhorar”. Amanhã, a equipa vai procurar a vitória, mostrar clareza tática e abrir a competitividade entre os jogadores, celebrando com os adeptos o último jogo de preparação.
O selecionador nacional admitiu não ter conhecimento do último resultado entre Portugal e Nigéria (vitória portuguesa por 4-0), mas reforçou que o jogo de amanhã tem “características muito específicas que podem ajudar Portugal imenso na preparação para o primeiro jogo da fase de grupos”. Mencionou os diferentes sistemas que a seleção nigeriana pode utilizar e a qualidade dos seus jogadores, vendo-o como uma “excelente oportunidade” para a preparação do Campeonato do Mundo de 2026.