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Tribunal da Relação absolve definitivamente Fernando Valente de todos os crimes no caso Mónica Silva

Fernando Valente foi ilibado pelo Tribunal da Relação do Porto de todos os crimes relacionados com o desaparecimento e morte da grávida da Murtosa.

O Tribunal da Relação do Porto confirmou esta quinta-feira a absolvição de Fernando Valente, o principal suspeito do desaparecimento e alegada morte de Mónica Silva, conhecida como a grávida da Murtosa.

Esta decisão corrobora a sentença anterior proferida pelo Tribunal de Aveiro, encerrando assim a via de recurso ordinário para o Supremo Tribunal de Justiça. Do ponto de vista legal, o desfecho consolida-se através da figura da “dupla conforme” , que ocorre quando existem duas sentenças idênticas em instâncias consecutivas.

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Neste cenário, apenas questões estritas de ordem constitucional poderiam justificar um eventual apelo para o Tribunal Constitucional.

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Com esta deliberação judicial, o arguido vê-se definitivamente livre das pesadas acusações que pendiam sobre si, nomeadamente a prática dos crimes de homicídio qualificado, aborto, profanação de cadáver, acesso ilegítimo e moeda falsa. O acórdão marca um ponto de viragem definitivo num dos casos mais complexos da justiça portuguesa recente, que chocou a região de Aveiro e manteve o país em alerta.

O caso remonta à noite de 3 de outubro de 2023, data em que Mónica Silva, de 33 anos e grávida de sete meses, foi vista pela última vez. A mulher saiu da sua residência na Murtosa, dizendo aos dois filhos menores que ia tomar um café e que regressaria rapidamente. Esse regresso nunca chegou a acontecer e o seu paradeiro permanece, até aos dias de hoje, uma total incógnita.

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Durante os longos meses que se seguiram, a Polícia Judiciária montou uma extensa operação para tentar descobrir o paradeiro da vítima. O cenário traçado pelas autoridades apontava para que Fernando Valente, com quem a mulher manteria um relacionamento e que seria o alegado pai do bebé, a tivesse ido buscar a casa, conduzindo-a depois para um apartamento da sua família situado na Torreira. Segundo a tese da investigação, teria sido nesse local que o crime ocorreu.

A acusação sustentava ainda que o suspeito e o seu pai teriam procedido a uma limpeza exaustiva da habitação para apagar todos os vestígios. As buscas estenderam-se a várias propriedades da família e às águas da Ria de Aveiro, mas o corpo de Mónica Silva nunca foi localizado.

Apesar da ausência de cadáver e da falta de confissão, o Ministério Público havia recorrido da primeira absolvição, insistindo na aplicação da pena máxima para o arguido.

Os procuradores basearam-se em provas indiretas, como as localizações dos telemóveis e os movimentos registados na noite do desaparecimento. No entanto, os juízes consideraram que os indícios recolhidos não foram suficientemente fortes para ultrapassar a dúvida razoável e sustentar uma condenação de tamanha gravidade.

Fernando Valente manteve sempre a sua inocência ao longo de todo o processo, nunca assumindo a autoria dos factos.

Após a sua detenção pela Polícia Judiciária, o homem chegou a cumprir prisão preventiva e, posteriormente, esteve sujeito à medida de coação de permanência na habitação, antes de o tribunal de primeira instância ditar a sua libertação. O desfecho proferido agora pela Relação do Porto encerra o processo criminal para o principal suspeito, mantendo por desvendar o que realmente aconteceu à grávida da Murtosa.

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