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“Valia mais ter estado calado”: Zulmira Garrido critica postura de Cristiano Ronaldo

O programa Passadeira Vermelha abordou a tensão entre o jogador e o selecionador nacional, com referências ao peso dos patrocínios na crise.

O Passadeira Vermelha abordou [ontem] a recente polémica a envolver Cristiano Ronaldo e o selecionador Jorge Jesus.

Zulmira Garrido, que acompanhou de perto os meandros do futebol durante as várias décadas de casamento com o treinador Jesualdo Ferreira, analisou o conflito e deixou duras críticas à postura do capitão da equipa das quinas, após a divulgação de um controverso comunicado.

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A comentadora começou por avaliar o texto publicado pelo jogador, considerando que o momento pedia contenção. “É mais triste do que nervosa, exatamente. O que vou dizer em relação a isto? Em relação ao comunicado, acho que o nosso querido Cristiano valia mais ter estado calado. Não sei quem escreveu isto. Claro que ele aprovou, mas quem escreveu, quer dizer, escreveu mal. E não abonou nada em defesa dele, em defesa do Cristiano, que era uma coisa que ele queria fazer. Ele quer redimir-se”, afirmou. Zulmira Garrido notou ainda a dualidade das palavras do atleta: “Embora exista quem consiga ver a humildade e os pedidos de desculpa. Sim, em relação aos portugueses, não em relação à federação e ao selecionador em si. Ele do selecionador exige. Acha que ele lhe peça desculpas porque lhe falhou, porque lhe mentiu, porque faltou à palavra, etc.”

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Com a bagagem de quem viveu o desporto de perto, a comentadora explicou as dinâmicas técnicas que justificam a imprevisibilidade de um treinador. “Naquilo que estou habituada e estive durante 33 anos ligada ao futebol por interposta pessoa… Quer dizer, um selecionador ou um treinador não tem palavra. O que isto quer dizer? Não quer dizer que ele não tenha palavra, não é, na verdade, a exceção da palavra, mas tudo tem a ver com o decorrer do desempenho do atleta, do jogo em si. Tudo pode mudar de um minuto para o outro. É muito difícil um treinador antecipar, seja o que for, em relação a um atleta”, argumentou.

Liliana Campos tentou perceber a atitude do técnico: “E o Jorge Jesus já é treinador há tantos anos. Por que foi combinar uma coisa destas? Não o devia ter feito porque todos sabemos que é impossível para um treinador que adora futebol como… Com o selecionador, com uma pessoa que adora futebol, como o Jorge… Que adora futebol, mas que tem as suas próprias regras”. Zulmira Garrido concordou e rematou: “Não aceita regras de ninguém.”

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A apresentadora do espaço de comentário prosseguiu com as dúvidas sobre a promessa feita ao avançado: “Por que combinou que ele ia entrar… Se fosse só uma coisa de apalavrado… Olha, agora, segundo as conversas do Ronaldo, parece que jurou a pés juntos”. Zulmira Garrido apontou baterias à estrutura federativa, sugerindo que o problema é mais abrangente: “Mas isto aqui eu penso que não terá sido só com o selecionador. Eu penso que isto tem a ver também com o staff da federação”. Liliana Campos criticou a exposição do caso, referindo que “só que o Ronaldo só nos mostra coisas que não podem acontecer. E também não deviam vir cá para fora. Muito menos deviam vir cá para fora. A pessoa vê este comunicado e fica com vergonha alheia”.

A crise interna na federação foi o ponto seguinte da análise de Zulmira Garrido, que traçou um cenário sombrio: “A situação está toda partida ali dentro. Na federação, neste momento, vai ser muito difícil este puzzle voltar a juntar-se bem. Porque isto está cada peça para seu lado. E vai ser muito difícil, infelizmente, para nós”. A comentadora apontou ainda os interesses financeiros como o grande motor do conflito: “Mas porquê? Só para mim há um motivo. E eu já ontem, acho que foi ontem que eu disse aqui isto. São os patrocínios. Porque a Puma e muitos outros já ameaçaram sair e já saíram alguns. Portanto, o dinheiro que a federação… Parte do dinheiro que a federação tem vem através…”.

Perante este cenário, Liliana Campos sugeriu uma mudança de rumo para o jogador: “Podemos gerir o Ronaldo como um embaixador e não como um jogador. Não pode ser”. Zulmira Garrido confessou a sua desilusão com os contornos desta fase da vida do craque, mas deixou uma previsão: “Mas isso era o que eu pensei que fosse acontecer em relação ao Ronaldo no final da sua carreira. E se o final da carreira fosse realmente como deveria ser e como ele merecia acabar, porque ele merecia acabar de outra forma, não assim. Não desta maneira. Eu penso que ele vai voltar à seleção”.

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