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Leonor Seixas fala sobre a maternidade aos 42 anos e critica machismo nas perguntas sobre o pai da filha

A atriz recordou no The Leite Show a decisão de engravidar depois dos 40 anos e criticou a ideia de que os homens apenas "ajudam" em casa.

A maternidade e os desafios das mulheres na sociedade atual foram outros dos temas em destaque na conversa entre Leonor Seixas e Flávio Furtado, no The Leite Show.

Mãe da pequena Júlia, nascida em 2023, a atriz explicou que a chegada da menina não anulou a sua individualidade, muito graças à fase madura em que decidiu engravidar: “Acho que não mudei nada, acho que só a minha vida melhorou. Tenho conseguido equilibrar tudo muito bem. Também tenho uma miúda espetacular que me permite ser quem sou. Continuo a trabalhar, continuo a fazer as minhas coisas. De facto, tenho muito tempo dedicado a ela, mas é porque eu quero, porque eu fui mãe tarde. Engravidei aos 41, tive a minha bebé aos 42, portanto tive muitos anos para ser tudo e fazer tudo.”

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Questionada sobre o impacto da filha nas suas escolhas profissionais e pessoais, a intérprete salientou o peso de saber que os seus passos estão a ser observados: “Uma coisa que eu sinto que mudou um pouco é que eu não posso só falar do que gostaria de fazer, ou de ser, ou de ir. Eu sou, neste momento, um exemplo 100% do meu tempo. Portanto, eu tento muito cuidar do que sou e do que faço. Eu sei que ela vai copiar e sei que ela está a assistir e a ver, portanto, tenho essa responsabilidade. Eu gostava muito que ela gostasse de mim, que tivesse orgulho, mas o que eu quero é que ela seja muito feliz.”

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Caso surgisse agora um convite para voltar a trabalhar em Los Angeles, a artista garantiu que partiria de imediato com a menina nos braços, destacando a facilidade logística da sua rede de apoio: “Pegava nela e ia logo, quem me dera. Obviamente tínhamos que falar todos, tinha que haver um apoio familiar, mas eu tenho sorte porque somos todos malta que viaja e que trabalha fora, portanto há uma gerência que poderia ser simpática.”

A propósito da conciliação entre a carreira e a família em pleno ano de 2026, Flávio Furtado questionou se as mulheres continuam a ter de justificar mais as suas decisões profissionais do que os homens. Leonor Seixas confirmou que a desigualdade persiste e deu como exemplo os comentários que ouve frequentemente sobre a divisão de tarefas com o pai da filha, Miguel Oliveira: “Muitas vezes ainda hoje me perguntam: ‘Ah, e o pai da tua filha ajuda-te?’ Eu não sei se perguntam ao pai da minha filha se eu o ajudo. É uma coisa que está tão intrínseca ainda hoje em dia.”

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Em sintonia com o apresentador, que lembrou que um pai tem exatamente as mesmas obrigações que uma mãe, a atriz lamentou a persistência desse vocabulário no quotidiano português: “Exatamente, é a mesma coisa. Esta palavra ‘ajudar’ está ainda tão normalizada. E é nestas coisas que realmente estamos um bocadinho atrasados.” Apesar dos desafios, Leonor Seixas confessou ter ficado encantada com a experiência da maternidade e deixou no ar a vontade de repetir a dose: “Adorava ter imensos filhos. Adorei estar grávida, adorei o parto.”

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