
O presidente dos Estados Unidos não escondeu a frustração durante um comício em Nova Iorque e desvalorizou o percurso da ex-juíza sul-africana.
Donald Trump não poupou nas críticas à atribuição do Prémio Nobel da Paz a Navi Pillay, ex-juíza sul-africana e defensora dos direitos humanos. Durante um comício realizado esta sexta-feira, 9 de outubro, em Siracusa, no estado de Nova Iorque, o líder norte-americano afirmou que a distinção perdeu toda a validade e apontou o dedo às escolhas do comité organizador.
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“O Prémio Nobel da Paz ficou desacreditado para sempre por causa de um punhado de ideólogos radicais que são antidemocráticos e verdadeiros inimigos da civilização”, disparou o presidente dos Estados Unidos. Sem rodeios, confessou o seu desconhecimento sobre a carreira da laureada. “Nunca tinha ouvido falar dessa pessoa em particular, mas, de qualquer forma, parabéns“, atirou, sublinhando ainda que a decisão de premiar Pillay deixa “uma mancha indelével na Noruega“.
A cobiça de Trump pelo galardão é um dado adquirido desde o seu regresso à Casa Branca no início de 2025. Contudo, analistas sediados em Oslo indicaram que a postura bélica e a política externa da atual administração inviabilizaram a sua candidatura. Fatores como o conflito armado com o Irão, as inusitadas pretensões territoriais sobre a Gronelândia, a política rigorosa contra imigrantes e os ataques constantes ao multilateralismo pesaram contra o republicano.
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O reconhecimento internacional, que entrega aos laureados uma medalha de ouro, um diploma e cerca de 1,2 milhões de dólares, foi acolhido por Navi Pillay com um forte sentido de humor.
Confrontada com as declarações do presidente norte-americano durante a receção da honraria, a ex-juíza aproveitou para ironizar com a situação: “Se aplaudirem um pouco mais alto, talvez eu divida o prémio com Trump“.
O descontentamento do líder dos Estados Unidos contrasta com a edição do ano transato. Em 2025, o prémio foi entregue a María Corina Machado, líder da oposição venezuelana, que acabou por oferecer a sua medalha a Donald Trump num gesto de forte simbolismo político.