Em declarações a Daniel Oliveira no «Alta Definição», a atriz admitiu que a morte repentina da sua cadela provocou um impacto mais devastador do que a despedida do pai na adolescência.
A passagem de Inês Frias pelo programa «Alta Definição», da SIC, conduziu a um dos relatos mais comoventes da emissão apresentada por Daniel Oliveira. Embora tenha enfrentado a dolorosa perda do pai aos 14 anos, vítima de doença oncológica prolongada, a artista revelou que a experiência mais devastadora da sua existência ocorreu no dia 16 de março do ano anterior, na sequência de um desfecho violento e totalmente imprevisível.
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A diferença entre os dois processos de luto residiu na capacidade de antecipação pois, enquanto a doença prolongada do pai permitiu um processo gradual de preparação psicológica e acompanhamento clínico, a partida repentina da sua cadela, Trufa, apanhou-a completamente desarmada.
O animal tinha apenas nove meses de vida quando acabou por ser colhido mortalmente por uma viatura, destruindo de um momento para o outro todo o futuro planeado pela atriz: “A vida da minha cadelinha, ela morreu com 9 meses porque foi um acidente e eu tinha 14 anos planeados na minha cabeça com ela. Ela ia ser a primeira cadela dos meus filhos. Ela ia ser a minha cadela quando eu estivesse grávida. E de repente nada disso aconteceu. Como foi um acidente, foi do nada, eu nunca na vida sonhei que aquilo fosse acontecer e foi à minha frente e tudo“.
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O embate rodoviário aconteceu a escassos metros da jovem, gerando um cenário de desespero imediato. Perante a magnitude do sofrimento, Inês Frias confessou que a violência visual e o choque emocional daquele instante superaram até as memórias mais difíceis da sua juventude hospitalar: “Foi muito gráfico, muito pesado, e foi o pior dia da minha vida. E eu vi o meu pai morto no hospital e eu estou aqui a dizer que este foi o pior dia da minha vida“.
A ligação entre ambas ultrapassava o afeto comum, representando um sentimento puro e desprovido de qualquer barreira emocional: “O amor que eu tinha pela Trufa era o maior amor que eu senti na minha vida inteira. E éramos as duas, éramos as duas contra o mundo. Ela ia comigo para todo lado, ela era perfeita e toda a gente que a conheceu a amava muito“.
A atriz descreveu com detalhe a corrida contra o tempo nos instantes que se seguiram ao atropelamento. Com a cadela gravemente ferida nos braços e a tentar contacto telefónico urgente com serviços veterinários num domingo, chegou a interpretar o enfraquecimento do choro do animal como um alívio do sofrimento, quando na verdade correspondia aos últimos segundos de vida.
“Ela passou a estrada, voltou para trás, precipitou-se comigo e veio um carro e o carro continuou. E ela começou a chorar muito, muito, muito alto. Começaram logo a vir os cães dos meus vizinhos e peguei logo nela assim, com a mão no peito dela. (…) Neste momento de estar ali à espera que alguém me atendesse, começo a reparar que ela começa a chorar menos. E eu penso, ufa, que bom, está-lhe a doer menos, está mais aliviada, já não está a chorar tanto, já está a passar. Isto foi tudo assim em segundos e depois ela para de chorar. É quando eu me começo a aperceber. Tenho a mão no peito dela e o coração… deixei de sentir o coração“.
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Perante a paragem cardíaca súbita da cadela, a atriz entrou num estado de choque profundo que a impediu de continuar a tocar no corpo, recorrendo ao apoio imediato do seu círculo de amigos mais próximos para tratar de todas as diligências fúnebres.
Esta quebra abrupta dos planos de vida teve um efeito transformador na sua forma de ser, quebrando a armadura de autossuficiência que sempre exibiu perante o mundo: “A verdade é que eu, que sempre fui muito armada em durona, e não preciso de ajuda de ninguém, não preciso que ninguém me safe em nada porque eu resolvo tudo na minha vida, quando foi a morte da Trufa foi quando eu comecei a dominar a arte de pedir ajuda. Estou muito mal, preciso de alguém, vem aqui comigo. (…) E é incrível como bons amigos salvam vidas“.