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“O inferno é um excelente álibi para a maldade”: Pedro Chagas Freitas reage à polémica do «BB All Stars»

"Ter passado por muita porcaria não justifica a porcaria que fazes": Escritor quebra silêncio sobre a polémica da CPCJ

Sem mencionar nomes, o autor refletiu sobre a crueldade, a empatia e as desculpas frequentemente usadas para justificar atitudes deploráveis perante os outros.

A onda de indignação gerada pela polémica em torno da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) no «Big Brother All Stars» continua a ultrapassar as fronteiras da televisão. Desta vez, foi o escritor português Pedro Chagas Freitas a pronunciar-se sobre o conflito, partilhando uma reflexão mordaz nas suas redes sociais perante o comportamento exibido no «BB All Stars».

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Atento aos mais recentes desenvolvimentos da casa da Malveira, o autor fez questão de deixar uma nota de repúdio direcionada a quem utiliza o seu passado para desculpar atitudes reprováveis no presente. “Sobre o que aconteceu ontem no Big Brother (e para quem pensa que ter passado por muita porcaria justifica toda a porcaria que faz aos outros)“, começou por escrever nas suas plataformas digitais, enquadrando sem rodeios o tema que tem dominado a atualidade televisiva.

No seguimento da sua publicação, Pedro Chagas Freitas aprofundou o pensamento sobre a verdadeira origem da bondade e da maldade humana, desconstruindo a tese de que o sofrimento legitima a crueldade sobre terceiros. “Há quem tenha passado pelo inferno e continue a ser boa pessoa. Há quem tenha conhecido a dor, o abandono, a injustiça, e consiga tratar os outros com delicadeza, com empatia. Depois, há quem tenha tido tudo: segurança, amor, estabilidade. E ainda assim seja um miserável”, apontou o escritor.

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A reflexão incidiu sobre a urgência de responsabilizar as atitudes tóxicas sem vitimização. O autor lamentou as narrativas do género “‘ele é assim porque sofreu'” ou “‘ela magoa os outros porque a magoaram'”, sublinhando que “há quem tenha sido esmagado pela vida e nunca tenha sentido necessidade de esmagar ninguém“.

Para o escritor, as atitudes definem o carácter, independentemente das vivências do passado. “Ser boa pessoa não vem do que viveste; vem do que és. A dor pode tornar-te sensível; também pode tornar-te cruel. O inferno é um excelente álibi para a maldade. Mas não justifica nada“, rematou de forma implacável, concluindo com um pensamento que não deixou os seguidores indiferentes: “Os que saíram do inferno e escolheram a bondade não o fizeram porque era mais fácil. Fizeram-no porque não sabem ser de outra forma. Se o inferno cria monstros, o céu também os pode criar. A pior maldade pode não vir da dor, mas do luxo de nunca a ter sentido“.

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