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A quarta semana em que a casa do Big Brother All Stars perdeu o fio às regras. O grande resumo da semana

Entre a sanção a Luís Gonçalves, o erro assumido nas nomeações e a expulsão de Érica Silva, o Big Brother All Stars chegou ao domingo com quatro nomeados, uma gala por decidir e a sensação de que o jogo já não cabe nas normas que o deviam conter...

A quinta semana do Big Brother All Stars não começou com uma nomeação.

Começou com uma Curva da Vida e acabou, sete dias depois, à porta de uma gala que promete privilégios escondidos num baú, uma nomeação logo à abertura e a quinta expulsão da edição. Pelo meio ficou o retrato de uma casa em que a discussão sobre pobreza quase descambou em agressão, a produção teve de corrigir em público um poder usado fora de horas, uma concorrente foi posta fora por ter passado dos limites e o confronto entre Luís Gonçalves e Francisco Monteiro se tornou a medida de quase tudo o resto.

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Na gala de domingo, 27 de setembro, Vera Cláudia saiu com 20 por cento dos votos, no leque que partilhava com Joana Albuquerque e Diogo Cunha. Francisco Monteiro ganhou a prova do líder e usou a nomeação direta em Catarina Miranda, com o argumento de que ela já iria ficar nomeada pelos colegas. No volte-face, saiu-lhe a pulseira dos aliados e a ribatejana trocou o lugar com Érica Silva. No anúncio, deixou escapar que «uma boa cabra sabe o seu lugar», alusão às vezes em que a colega a tratara assim, e Maria Botelho Moniz travou-a em direto. Catarina pediu desculpa. O episódio seria pequeno se a noite não tivesse outro centro.

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Esse centro foi a Curva da Vida de Francisco Monteiro. O vencedor de 2023 falou da curva descendente que se seguiu ao prémio, por culpa própria, da relação com Bárbara Parada e das palavras do irmão sobre Andrea Pestana, a namorada com quem está desde o verão: ou mudava de vida, ou acabaria por perder «o maior diamante» que lhe tinha aparecido. Cá fora, a equipa respondeu com um texto sobre histórias que não se comparam e sobre a empatia que começa quando se respeita o momento de alguém. A namorada, até aí discreta, usou a conta dele para dizer que ninguém conhece a relação, que fora da casa ele sempre foi mais o apoio dela do que o contrário, e que ver agora vulnerabilidade não autoriza a transformá-la em dependência emocional.

Dentro da casa, Luís Gonçalves não aceitou o relato. Na cadeira quente contestou a ideia de que Francisco tivesse vivido no limiar da pobreza, a discussão subiu de tom, houve gritos, interrupções e um encontrão que os colegas travaram antes de ir mais longe. Sónia Jesus, Érica Silva, Diogo Cunha e Miguel Vicente meteram-se no meio. O Big Brother chamou Luís ao confessionário várias vezes. Helena Isabel, ainda na madrugada, foi a mais dura: tinha de ser expulso, uma nomeação direta só lhe daria força para voltar pior. Na segunda-feira, 28, o veredicto chegou no especial. A sanção, explicou a voz da casa, não nascia da opinião, mas da forma. gritos, postura agressiva, e de ter ignorado ordens repetidas para ir ao confessionário. Luís ficou nomeado. O aviso final foi de soberania: quando o Big fala, é ele quem manda na casa.

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A noite das nomeações não fechou com essa decisão. As votações em duplas deixaram Diogo Marcelino com cinco votos e David Diamond com quatro. Catarina, que tinha um poder de troca, retirou David e meteu Miguel Vicente. Diogo Marcelino respondeu com o poder da nomeação direta e recolocou David. O problema é que esse poder, segundo as regras ditas no confessionário no dia em que o conquistou, só podia ser usado numa gala e antes de começarem as nomeações. Durante horas o leque chegou a ser anunciado com cinco nomes: Catarina Miranda, David Diamond, Diogo Marcelino, Luís Gonçalves e Miguel Vicente. Na manhã de terça-feira a produção recuou. O Big repetiu à casa o que tinha dito a Diogo e admitiu o lapso, «também me deixei ir». David Diamond saiu dos nomeados. Ficaram quatro: Catarina, Diogo Marcelino, Luís e Miguel. A votação é para salvar. O menos votado sai na gala de domingo.

Lá fora, a correção não apagou a leitura de dois pesos. A equipa de Luís pediu equidade, respeito e os mesmos critérios para todos, sem pedir proteção nem silêncio sobre os erros dele. Pedro Jorge acusou Francisco de ir «levado ao colo» e elencou adjectivos que atribuiu ao nortenho.

Bruno Savate chamou ao erro de produção uma falha gravíssima, capaz de mudar o jogo, e sobre a sanção disse que tinha sido o mínimo, duvidando que viesse pedido de desculpas. Noutros estúdios a leitura inverteu-se. Inês Morais separou limiar da pobreza, linha estatística, de pobreza extrema, e considerou terrível a forma de Luís. Flávio Furtado falou em populismo e em tentativa de denegrir Francisco. Cláudio Ramos recusou criticá-lo no fundo: dizia, no seu entender, o que metade do país pensava, ainda que de maneira bruta. Márcia Soares deu-lhe razão no fundamento e pena na forma. O próprio Luís, já no domingo seguinte, prometeu ir ao confessionário da próxima vez que fosse chamado, mas avisou que não deixaria de ser ele quando tivesse de falar.

Terça-feira, 29, foi o dia em que a casa mostrou o avesso da bronca. Na dinâmica do telefone, Miguel Vicente emocionou-se ao falar do afastamento da irmã e assumiu não ter tido as melhores atitudes. Catarina Miranda ligou a ferida antiga com o pai à necessidade de aprovação. Luís fez uma chamada aos avós já falecidos. Ao mesmo tempo, Francisco chamou-lhe, sem filtros, capaz de ser o pior concorrente da história do formato, e Diogo Marcelino desabafou que já não se enquadrava, que não estava confortável.

A proximidade de Marcelino com Joana Albuquerque, ele com namorada fora da casa, continuou a ser lida como jogo e como outra coisa. Catarina acusou-o de ter tentado forçar um romance consigo e de, rejeitado, o ter desviado para Joana e para Jéssica. Francisco, no quarto do líder, falou de uma característica de Marcelino que o incomodava e que preferia não escrutinar em horário de emissão. Cá fora, pediu votos para o salvar, com o alvo explícito de fazer sair Luís.

Quarta-feira, 30, a produção voltou a ser juiz e, desta vez, não ficou pela nomeação. Érica Silva foi expulsa. O anúncio da tarde fazia esperar sanção; o especial trouxe a saída. O motivo não foi o momento mais falado do dia, em que se exaltou com Miguel Vicente e lhe «cuspiu» na direcção. Foi um acesso contra Diogo Marcelino, amigo próximo lá fora: entrou na sala, atirou cadeiras, deu pontapés na parede. O Big considerou o comportamento excessivo, para lá de todos os limites, e não viu alternativa à expulsão. Érica, já fora, disse não se rever naquelas imagens, falou de vergonha e apontou responsáveis: Diogo, Miguel, Luís, Joana Albuquerque e Jéssica. Maria Botelho Moniz deixou-lhe uma mensagem emocionada. Leandro Martins falou de filhos e enteados. Pedro Fonseca já tinha contestado a sanção a Luís e acusado a produção de proteger Francisco; Cristina Ferreira, confrontada com o mesmo rumor por ser cunhada do concorrente, ironizou que o problema era precisamente esse, o de falar quando ele está lá dentro.

O resto da quarta-feira alargou o mapa para fora da Malveira. Bárbara Parada disse não ter sido convidada e atribuiu a ausência a Cristina Ferreira. A avó de Catarina Miranda, Rosário, falou do fim da relação da neta com Afonso Leitão e de como a jovem cuida dela à distância; no domingo seguinte soube-se que essa logística inclui motorista contratado, cerca de sessenta euros à hora, para a levar e trazer das galas. Catarina, dentro da casa, avisou Diogo Marcelino para não falar da avó. Kina e Ana Sousa levaram luvas de boxe por terem ajudado Miguel Vicente na cozinha, numa semana em que a ajuda fora das regras começou a ser tratada como infracção.

Quinta-feira, 1 de outubro, o eixo mudou de Luís para Daniela Santos. Francisco Monteiro, em directo, chamou-lhe asquerosa e foi descrito por ela como tendo o «modo pavão» ligado. Catarina recusou o rótulo de La Família, chamou-a intragável e, mais tarde, insinuou que Daniela já teria querido ser cunhada. Sónia Jesus foi mais longe no dia seguinte: falsa, manipuladora, hipócrita e mentirosa, acusando-a de usar as dinâmicas para colar um rótulo em vez de falar cara a cara. Daniela revelou os nomes que associava ao grupo e lembrou ter contado a Sónia, contra as regras de informação exterior, que vira a festa do filho e que as crianças estavam bem. Cristina Ferreira saiu em defesa da bailarina e censurou os comentários do cunhado. Cláudio Ramos defendeu que Francisco também devia ter sido nomeado, que não era inocente, e chamou-lhe mimado, birrento e arrogante. Francisco devolveu: birrento, mimado e arrogante era o apresentador.

Nesse mesmo dia o programa mostrou o ranking de popularidade da semana. Sónia Jesus liderou pela primeira vez, Francisco caiu para segundo, Helena Isabel fechou o pódio e Kina, recém-chegada com Noélia Pereira, ficou no fundo, junto de Daniela Santos e David Diamond. No especial, Maria Botelho Moniz revelou ainda uma votação do público sobre quem «está só a assistir»: Ana Sousa com 36 por cento, Jéssica Gomes com 22, Daniela Santos com 20. As consequências ficaram prometidas para a gala de domingo. Helena Isabel, entretanto, esfregou alho em pó na almofada de Miguel Vicente. A higiene de Luís voltou a ser arma, com Carolina Braga a dizer que desodorizante não substitui banho. Luís, na manhã de sábado, devolveu a acusação à casa inteira: milho debaixo das camas, pelos no ralo, «higiene zero».

Sexta-feira, 2, o concílio dos nomeados partiu Catarina Miranda. Luís Gonçalves e Miguel Vicente recuperaram uma frase antiga, dita a propósito de um menino que teria apertado uma sobrinha na escola, e transformaram-na na acusação de que «bate em crianças». Catarina saiu em lágrimas, recusou continuar e disse que estavam a mudar o que ela tinha contado.

No sábado a equipa pôs por escrito a distinção que ela não conseguiu fazer valer lá dentro: passou-lhe pela cabeça, num momento de revolta, bater no menino; nunca disse que o fez, nunca relatou ter maltratado uma criança. Há, escreveu a equipa, uma diferença entre pensamento e acto, e essa diferença não pode ser apagada. Os comentadores do extra deram-lhe o contexto e apontaram a falta de coerência de Miguel, que semanas antes tinha dito, em brincadeira, que Francisco talvez precisasse de ter levado «duas voltadas» em pequeno. Na tarde do mesmo dia, Catarina já estava outra vez a picar Luís, e a leitura lá fora foi a de uma concorrente capaz de sair de um choro e voltar ao jogo. À noite, com Helena e Noélia, admitiu o que ainda não tinha dito em público: tem a certeza de que não ganha.

O sábado trouxe o outro escândalo de imagens. Kina emprestou lingerie a Sónia e a casa virou passerelle. Miguel Vicente alinhou num fato reduzido ao estilo Borat, tapando-se com a mão, e correu ao quarto do líder. Catarina perguntou-lhe como é que ela era a galdéria se ele andava nu pela casa. David Diamond, que no momento sorriu, confrontou-o depois: classificou a cena como atentado ao pudor, pediu que não voltasse a tocar-lhe nem a exibir-se depois do toque e, na provocação que se seguiu, lembrou que já não era novidade ser filmado assim. Miguel travou-o. O assunto é o vídeo íntimo divulgado em 2024 sem consentimento, caso que correu na Polícia Judiciária e que Helena Isabel já tinha roçado nas primeiras semanas.

Pedro Fonseca, no extra, defendeu a coragem da brincadeira e achou que David aproveitou. Érica Silva disse que Miguel estava a provar do próprio veneno.

Ao lado disto, a casa continuou a desfiar a vida pequena que faz o programa. Francisco desconfiou de umas cuecas deixadas na cama do líder e apontou Helena Isabel ou Sónia Jesus, descartando uma invasão de Miguel. Com Sónia, a passar camisas a ferro, disse que só saía se os portugueses o tirassem ou se Andrea Pestana quisesse um bebé; horas depois, com uma música romântica de fundo, admitiu começar a achar que tinha ficado sem namorada. Helena e Diogo Cunha falaram de «sexofone» na mesma cama, ela a garantir que prefere carne e osso. Kina contou que, no Big Brother Verão, o filho fez campanha para ninguém votar nela, porque a via no limite, a chorar, alvo do que descreveu como bullying. No jardim, quando David lhe pediu os metros quadrados da pastelaria de Badajoz, respondeu que tinha menos do que a boca dele.

Domingo, 4 de outubro, a gala ainda não fechou a semana, mas a semana já tem epílogo anunciado. A sondagem que acompanhou a votação para salvar dá a Catarina Miranda 49,91 por cento e o primeiro lugar a salvo, a Luís 18,15, a Miguel Vicente 17,85 e a Diogo Marcelino 14,09, o nome mais fragilizado, precisamente aquele para quem Francisco pediu votos. Marta Cardoso adiantou que a noite abre com um concorrente nomeado. A produção prometeu um baú com privilégios capazes de mudar destinos. Há novas entradas, e Márcia Soares, um dos nomes mais pedidos lá fora, limitou-se a devolver a quem teme cancelá-la mal entre: se eles não aguentam. Noélia, dentro da casa, já tinha sido acusada por Luís de vir «encomendada» por alguém de fora; Bruno Savate respondeu que ninguém manda recados por ninguém.

O que a semana deixa, antes do resultado, é um jogo em que a regra se tornou personagem. Um poder usado fora de tempo obrigou o Big a desdizer-se. Uma sanção por desobediência não calou Luís nem convenceu quem o acha o único a pagar a conta. Uma expulsão por violência sobre objectos e pessoas mostrou que o limite existe, e logo se discutiu se é igual para todos.

Catarina, a mais votada nas sondagens e a que diz já não acreditar na vitória, chegou ao domingo com a frase da sobrinha transformada em arma e com a avó a caminho da gala num carro que ela própria tratou de garantir. Francisco continua líder da narrativa, não do ranking. A casa, essa, espera o baú, o nome que abre a noite e o concorrente que os portugueses decidirem não salvar.

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