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Boris, o “grande amor” da mãe e a paixão pelos filhos. Conheça a ‘Curva da Vida’

Nascido em Madrid, o concorrente recordou a infância em Leiria, as dificuldades e a mulher que o salvou, Sara, conhecida em 2006.

Boris abriu o livro da sua vida na Gala do ‘Big Brother Verão’ de 2 de agosto de 2026, com a já habitual ‘Curva da Vida’.

O concorrente não escondeu a revolta que o acompanhou desde cedo: “Cresci um bocadinho revoltado por ver a nossa vida daquela maneira.”

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Nascido em Madrid, em 1988, Boris é filho de uma mulher angolana que procurou refúgio em Espanha durante a guerra no seu país. Foi ali que conheceu o pai do concorrente, mas a união durou pouco. Em 1989, o pai abandonou-os. Mãe e filho, sozinhos, viram-se obrigados a mudar-se para Leiria, onde a família materna os acolheu.

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A mãe de Boris não se adaptou a Leiria e, juntos, rumaram a Lisboa, onde abriu uma loja chamada Body Sport. Contudo, a sorte não lhes sorriu por muito tempo. Uma doença grave levou o médico a alertar para o pior cenário. A mãe, então, regressou a Leiria e entregou o filho à sua família, num bairro social construído para os retornados. Felizmente, a recuperação foi total e a mãe pôde, mais tarde, ir buscar Boris para viverem novamente juntos em Leiria.

O futebol entrou na sua vida aos sete anos, tornando-se uma paixão que o levou a jogar nos Marraços até aos 20. A adolescência, contudo, trouxe desafios. Com a mãe a trabalhar no hospital e a cumprir turnos noturnos, Boris viu-se com uma liberdade sem controlo. “Aos meus 14 anos comecei a ter muitos problemas com polícias, tribunais. Nem sei como é que nem fui preso”, confessou, lembrando que na altura se sentia “completamente à deriva”, sem planos ou projetos.

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“Hoje olho e vejo como sou pai, percebo a falta que sempre me fez ter tido um pai e que nunca tive”, admitiu. A revolta da infância, por ver a vida de forma tão dura, era palpável. Enquanto os amigos iam para a praia ou para o Algarve nas férias, ele e a mãe passavam tardes inteiras a ver televisão. “E era feliz com ela porque ela sempre deu muito amor”, garantiu, acrescentando: “Eu nunca me posso queixar porque a minha mãe sempre deu muito amor, sempre tentou fazer de mãe e pai.” Ainda assim, Boris está certo de que, sem o abandono do pai, a mãe não teria passado “nem metade do que ela passou”. Agora, o seu grande sonho é que ela “não precise de trabalhar mais”.

A sua vida mudou em 2006, quando conheceu Sara, a quem chama “a mulher da minha vida”. A mãe, ao conhecê-la, não teve dúvidas: “esta foi a mulher que Deus enviou para ti, filho”, contou Boris. Ele próprio achava que ela era “muita aranha para o meu caminhão”, mas pressentia que seria a sua “salvação”. Apesar da oposição da família de Sara, ela “sempre acreditou em mim até ao fim”, o que o motivou a mudar de comportamento. “Queria ser um homem diferente, queria largar a má vida, queria constituir uma família com ela”, explicou, revelando que, aos poucos, foi conquistando a confiança de todos.

Casaram-se e foram viver para um “apartamentozinho muito humilde” nos Marrazes. Em 2009, nasceu Gabriel, um filho “muito, muito, muito, muito desejado”. Um ano depois, em 2010, surgiu a oportunidade de jogar futebol em Angola, no Benfica do Luanda, na primeira divisão. Embora com o coração “meio que dividido”, o sonho de ser jogador profissional falou mais alto. A experiência, contudo, não correu como esperado, e Boris regressou a Portugal, continuando a jogar, mas numa vertente amadora. Em 2014, chegou Letícia, a “menina dos meus olhos”. “Sou completamente apaixonado, perdido pelos meus filhos, dou a vida por eles, eles são tudo aquilo que eu tenho”, afirmou. Foi, de resto, a paternidade que o fez compreender a dimensão do abandono do seu pai.

Perto de celebrar dez anos de casamento, Boris e Sara comemoraram a data com uma experiência de mergulho nas Berlengas, Peniche. No fundo do mar, surgiu uma epifania: “epá, isto é mesmo fixe, por que não isto ser a minha profissão?”. Em 2019, decidiu arriscar e entrou no mundo do mergulho, procurando uma viragem financeira. Tirar o curso revelou-lhe a seriedade da profissão: “comecei a perceber a dimensão da responsabilidade que era ser mergulhador, os perigos que nós corríamos, estas compressões, rios cheios de correntes. É coisa séria, é homens de barba rija”, lembrou. Mesmo assim, arregaçou as mangas, determinado: “já estou aqui metido, agora vou até ao fim”.

A decisão de se tornar mergulhador assustou Sara, pois significava um regresso à casa dos pais. Os sogros, que Boris descreve como “como pais”, abriram-lhes as portas, acolhendo a família com os filhos, apesar das dúvidas iniciais. “Muitas pessoas duvidaram”, contou, “a única pessoa que não me largou da mão e que acreditou no meu sonho foi a Sara”. Determinado a não a desiludir, Boris prometeu-lhe: “Sara, vou trabalhar e nós vamos sair daqui do bairro e nós ainda vamos construir a nossa casinha.”

O maior desafio surgiu em 2020, em plena pandemia de COVID-19, com uma oportunidade de trabalho no Togo. “Não é qualquer pessoa que cai assim em África numa obra com uma responsabilidade daquela dimensão”, frisou. Boris atribui o privilégio a um trabalho anterior em Portugal, onde, apesar de não ter experiência na tarefa específica, a sua garra e espírito batalhador foram notados. A viagem para África foi feita em jato privado, ao lado de “6 ou 7 mergulhadores bem mais velhos do que eu, malta com traquejo, farto de estar lá fora a ganhar dinheiro com força”. Sentiu-se humilde no meio deles, mas uma certeza invadiu-o: “nem acredito que eu estou aqui. Foi aí que eu caí uma ficha e percebi realmente que tinha chegado aonde eu sempre desejei e sempre sonhei.”

Os meses no Togo trouxeram estabilidade financeira. Boris recorda a videochamada para Sara: “prepara-te, nós vamos construir a nossa casinha”. Em 2021, regressou de África. Foi um período exigente, mas a sua determinação era inabalável. A “fome de dar a volta à minha vida”, de “tirar os meus filhos outra vez do bairro e dar-lhes um futuro muito melhor” era tão forte que, como admitiu, “ficava lá mais um tempinho e tudo para pôr mais dinheiro no saco”.

A vida de mergulhador, muitas vezes longe de casa, mudou em 2023. Pela primeira vez, conseguiu um emprego que lhe permitia regressar ao fim de semana. “Domingo à noite, despeço-me da minha família, arranco para o Porto de Leixões e depois sábado à tarde chego a casa”, descreveu a sua rotina. Em 2025, deu um novo salto, tornando-se empresário ao abrir as suas clínicas de estética.

A participação no ‘Big Brother’ representa o “auge” da sua vida. “Nunca pensei que aos meus 37 anos, com uma família, com uma vida estável, eu tivesse a oportunidade de entrar no maior programa do mundo”, confessou, visivelmente grato e orgulhoso. “Incrível, sem dúvida, incrível”, rematou.

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