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Caso Matthew Perry encerrado com condenação do assistente pessoal

Kenneth Iwamasa, o assistente pessoal de Matthew Perry, foi condenado a mais de três anos de prisão após admitir ter injetado a cetamina que matou o ator.

O assistente pessoal do ator Matthew Perry, que lhe injetou a cetamina que o matou, foi condenado na quarta-feira a mais de três anos de prisão.

O assistente, Kenneth Iwamasa, declarou-se culpado em 2024 de uma acusação de conspiração para distribuir cetamina causando a morte. Para além de 41 meses de prisão, a sua sentença inclui dois anos de liberdade condicional, uma multa de 10.000 dólares e uma taxa especial obrigatória de 100 dólares. Kenneth Iwamasa é a última das cinco pessoas acusadas no âmbito da morte do ator a ser sentenciada, encerrando o que parece ser uma saga judicial de vários anos.

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Matthew Perry, estrela da série “Friends” na década de 1990, tornou-se cada vez mais dependente de cetamina antes da sua morte, a 28 de outubro de 2023. O assistente admitiu que, nos dias anteriores, injetou o ator com pelo menos 27 doses da substância, incluindo pelo menos três no dia em que faleceu. Os procuradores afirmam que o antigo funcionário gastou dezenas de milhares de dólares em dezenas de frascos de cetamina num espaço de poucas semanas.

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Segundo o gabinete do médico legista do Condado de Los Angeles, a morte foi causada pelos “efeitos agudos” da cetamina. A mesma entidade acrescentou que o afogamento, a doença arterial coronária e os efeitos de um opioide, a buprenorfina, contribuíram para o desfecho. O ator foi encontrado a flutuar de bruços num jacuzzi na sua casa em Los Angeles.

Kenneth Iwamasa conhecia Matthew Perry há décadas e tornou-se o seu assistente interno em 2022. A acusação garantiu que ele estava bem ciente da luta de anos do seu patrão contra a toxicodependência, tendo até sido alertado por um médico sobre as preocupações com o consumo. Os procuradores também indicam que o assistente ignorou os sinais de alerta, notando que encontrou o patrão inconsciente por duas vezes dentro de casa e testemunhou-o “congelar” após uma grande injeção de cetamina, perdendo a capacidade de falar.

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Num memorando de sentença, os procuradores argumentaram que o assistente tinha “violado a sua posição de confiança”. No entanto, como cooperou com as autoridades, o governo pediu uma pena de 41 meses de prisão, reduzindo o tempo previsto para quase metade.

“Matthew confiava no Kenny. Nós confiávamos no Kenny”, escreveu a mãe do ator, Suzanne Morrison, numa carta dirigida ao tribunal. “O trabalho mais importante do Kenny [de longe] era ser o companheiro e guardião do meu filho na sua luta contra o vício.” Na mesma nota, acrescentou que em vez de proteger o filho, o assistente cedeu e “ajudou e encorajou o consumo ilegal de drogas, providenciou uma fonte de abastecimento e depois outra.”

Os advogados de defesa tinham pedido uma pena de seis meses de prisão e seis meses de prisão domiciliária, argumentando que, como assistente pessoal, o seu cliente não estava numa posição de poder recusar as exigências. O funcionário “não era alguém que forçava drogas a uma vítima involuntária”, disse Alan Eisner, o advogado, comparando o seu cliente a Alfred Pennyworth, o mordomo do Batman, e garantindo que este “idolatrava o Matthew Perry”.

A dada altura, a juíza Sherilyn Peace Garnett interveio, discordando que faltasse vontade própria ao ex-funcionário. Segundo a juíza, ele estava “pouco disposto”, e não “incapaz“, de dizer não. O advogado foi insistente, declarando que o ator o instruiu a quebrar a lei e atirando que “O Matthew Perry não estava isento de culpa.”

O padrasto de Matthew Perry, Keith Morrison, dirigiu-se ao tribunal, assim como Lisa Ferguson, a executora do espólio do ator. Ambos disseram acreditar que Kenneth Iwamasa foi motivado pelo desejo de manter um estilo de vida luxuoso financiado pelo patrão.

Afirmaram ainda que, a qualquer momento, o assistente poderia ter ligado a um membro da família para os avisar sobre a gravidade do vício. Lisa Ferguson passou vários minutos a repreender o arguido em tribunal, chamando-o de “o monstro que matou” Matthew Perry e acrescentando de forma dura: “O Matthew merecia viver. Você não.”

Tendo a oportunidade de falar perante os presentes, o ex-assistente virou-se para os membros da família sentados na primeira fila. “Sinto muito por todos vocês”, disse, completando: “Vou levar isso para a minha cova.”

Kenneth Iwamasa ganhava 150 mil dólares por ano como assistente. As suas responsabilidades variavam, mas incluíam “aquelas relacionadas com os cuidados médicos do Matthew Perry”, segundo os documentos judiciais, que referem ainda que o assistente “escondeu” as injeções de cetamina nos primeiros interrogatórios da polícia. Quando as autoridades executaram mandados de busca na sua casa, o antigo funcionário “mudou a sua história e revelou a verdade parcial”, acabando por confessar o seu papel nos acontecimentos e prestando informações úteis para condenar outras pessoas.

Os procuradores explicaram que o assistente recorreu a dois canais para obter as drogas. No primeiro, uma traficante chamada Jasveen Sangha vendeu cetamina a um conhecido do ator, Erik Fleming, que depois a revendeu a Iwamasa. No segundo caso, os médicos Mark Chavez e Salvador Plasencia trabalharam em conjunto para obter a droga e vendê-la ao ator.

A acusação formal revelou que foi usada linguagem codificada para discutir negócios de droga, com os frascos de cetamina a serem chamados de “Dr Pepper“, “latas” e “bots“. O assistente comprou alguns dos frascos depois da meia-noite no pontão de Santa Mónica e chegou a conduzir o ator até a um parque de estacionamento em Long Beach para que o médico Salvador Plasencia o injetasse no banco de trás do veículo. No tribunal, o advogado de defesa alegou que o ator costumava afirmar: “Ninguém morreu alguma vez de uma overdose de cetamina.”

Os médicos Mark Chavez e Salvador Plasencia entregaram as suas licenças e foram condenados em dezembro. Plasencia recebeu 30 meses de prisão e Chavez recebeu três anos de liberdade condicional. A traficante Jasveen Sangha foi condenada em abril a 15 anos de cadeia, enquanto Erik Fleming foi sentenciado a dois anos.

Na carta enviada ao juiz, a mãe do ator deixou claro que não existe um encerramento para a sua dor. “Perguntem a qualquer mãe cujo filho lhe tenha sido arrancado de forma tão impiedosa”, escreveu Suzanne Morrison. “Nada tira esta dor, nem tirará, tenho a certeza, enquanto eu viver.”

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