Catarina Furtado abdica do salário e acolhe migrantes? Notícia envolve apresentadora em crise migratória
"Recuso-me a aceitar que se pise a dignidade": Catarina Furtado reage a migrantes em Ceuta

A apresentadora da RTP tinha partilhado um desabafo sobre a crise humanitária em Ceuta antes de se tornar alvo de desinformação.
Catarina Furtado voltou a ser alvo de uma campanha de desinformação nas redes sociais pois, uma notícia falsa que circula na internet onde alega que a comunicadora teria prescindido do seu salário na RTP para acolher pessoalmente 20 migrantes, após os acontecimentos no enclave de Ceuta.
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A informação partilhada é totalmente falsa. A apresentadora mantém o seu vínculo contratual com a estação pública, recebendo o seu vencimento mensal como profissional de televisão, não existindo qualquer indício ou registo de que acolha cidadãos em situação irregular na sua casa. Trata-se de uma citação inventada e de um conteúdo manipulado para gerar controvérsia em torno do seu nome e dividir pessoas no que toca a ideais politicos.
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Antes de ser alvo desta vaga de ataques e ‘fake news’, Catarina Furtado tinha recorrido às suas plataformas digitais para partilhar uma reflexão sobre a crise humanitária vivida na fronteira espanhola, onde milhares de pessoas tentaram atravessar a nado.
“São mulheres, homens, muitos jovens, crianças e bebés. Gente como nós, filhos como os nossos. Ao contrário do que muitos querem fazer parecer, são seres humanos iguais nos seus direitos, só que a lotaria das suas vidas ditou o lugar onde nasceram e o contexto terrível. Sofrem como nós sofreríamos se estivéssemos na sua situação“, começou por escrever a embaixadora da Boa Vontade da ONU.
Na mesma publicação, a comunicadora apelou à empatia e rejeitou discursos de ódio: “Ao contrário do que muitos querem fazer parecer, são seres humanos iguais nos seus direitos (…) Aqui NÃO aceito ódio! Gostava que fizéssemos um simples exercício de nos colocarmos no seu lugar: fugir de um país onde as oportunidades são muito escassas; cair em conversas manipuladoras, com promessas irreais que parecem um sonho perante as suas realidades“.
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Apesar de defender a dignidade humana, a apresentadora sublinhou que a gestão das fronteiras exige rigor institucional. “Claro que não aplaudo a entrada descontrolada num país (!), mas é nosso dever fazer mais e melhor: é necessária justiça redistributiva para reduzir o fosso gigantesco entre os povos”, ressalvou, abordando a complexidade do cenário em Ceuta e a dor de quem perde a vida na travessia. “Ao longo da minha vida entrevistei dezenas de pessoas refugiadas, sinto uma genuína empatia (…) Sei que é tudo muito mais complexo do que este texto, mas recuso-me a aceitar que se pise a dignidade e se congele os sentimentos“, rematou.