A comentadora da SIC Caras abordou a polémica do contacto com o ex-governante e considerou inaceitável o privilégio concedido em função da notoriedade.
A revelação de que Rita Ferro Rodrigues enviou uma mensagem privada por WhatsApp a António Lacerda Sales, então Secretário de Estado da Saúde, continua a suscitar reações acesas. O caso remonta a julho de 2022, quando a sua amiga Irina Fernandes se encontrava em estado terminal no Hospital de Santa Maria e o marido foi informado, a meio da noite, de que a doente teria de ter alta por falta de camas.
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O contacto com o governante surgiu no âmbito do desespero familiar, culminando na transferência da paciente para o IPO de Lisboa, onde viria a falecer no dia seguinte. Com a recente divulgação das mensagens durante a investigação judicial ao caso das gémeas luso-brasileiras, Joana Latino assumiu uma postura implacável no «Passadeira Vermelha».
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A jornalista recusou qualquer justificação assente em laços afetivos ou apelos humanitários, salientando que as regras dos hospitais do Estado têm de ser iguais para todos os utentes. “O problema aqui não é uma questão moral, é uma questão legal e ética“, defendeu a comentadora, sustentando que “não pode haver dois pesos e duas medidas a tratar doentes do SNS“.
Para fundamentar a sua perspetiva, a comentadora explicou que as vagas hospitalares são limitadas e geridas de forma centralizada. Quando alguém com notoriedade ou influência move contactos nos bastidores para obter um leito, acaba involuntariamente por empurrar outro cidadão anónimo para fora dessa lista. “Ao fazer essa pressão a favor de uma pessoa, há outra necessariamente que fica na mesma situação“, argumentou, vincando que a urgência de uma família não anula os direitos fundamentais de outros doentes igualmente debilitados.
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Joana Latino lembrou ainda o contexto em que as conversas privadas vieram a público, associadas aos inquéritos que visam apurar favores no Ministério da Saúde.
O governante “recebeu sempre uma série de telefonemas em relação aos vários casos para passar pessoas à frente“, apontou Joana Latino, criticando a facilidade com que o estatuto social abre portas na esfera governativa: “Contorna-se a lei, prejudica-se outra pessoa, prejudicam-se outras famílias (…) porque aquele caso vem com a nota celebridade“.
Por último, a jornalista lamentou o posicionamento público assumido nas redes sociais pela antiga apresentadora.
Em vez de transformar a indignação num alerta colectivo sobre as falhas crónicas nos hospitais públicos, a visada optou por justificar a sua conduta individual. “Desaproveitou uma oportunidade“, lamentou Joana Latino, rematando que o debate deveria incidir sobre as razões pelas quais “ainda é preciso meter uma cunha para alguém ter às portas da morte aquilo que o país tem o dever de dar“.