Carlos Costa abordou os danos irreparáveis causados pelos rumores que enfrentou aos 21 anos e explicou como os amigos o salvaram do fundo do poço.
Depois de abordar o seu processo de transição de género, Carlos Costa viajou até ao passado na emotiva entrevista concedida a Júlia Pinheiro e, o artista recordou o deslumbramento que se seguiu à sua participação no programa “Ídolos”, um período dourado que lhe trouxe concertos, digressões, a gravação de álbuns com grandes nomes da música portuguesa e até um brilhante segundo lugar no televoto do Festival da Canção da RTP, em 2012. Contudo, essa ascensão meteórica acabou por dar lugar a um mediatismo descontrolado e a polémicas que lhe deixaram cicatrizes profundas.
O ponto de viragem, recordado por Júlia Pinheiro, remonta à fase em que o artista ingressou no mundo dos reality shows e se viu envolvido num terrível boato que o acusava de se prostituir para manter o seu estilo de vida.
A apresentadora sugeriu que a exposição foi, de certa forma, potenciada pela própria Carlos ao aceitar ir a outro programa de televisão (numa clara alusão à “Máquina da Verdade”) para provar a sua inocência onde, a convidada fez questão de a corrigir de imediato: “É grave estar a dizer que isso foi potenciado por mim (…) Eu tinha 21 anos na altura. Não tinha a capacidade de responder que tenho hoje“, defendeu, explicando a pressão da indústria na altura. “Ao sermos convidados para estarmos aqui é preciso ser muito bem medido. Porquê? Porque se dissermos que não, não voltamos a ser convidados“, justificou a artista.
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O impacto deste escândalo na vida da então jovem de 21 anos foi devastador, atirando-a para uma depressão profunda. “Foram duas semanas a tomar comprimidos, sem comer, sem dormir, portanto sem ingerir qualquer tipo de líquido“, revelou Carlos Costa. O sofrimento estendeu-se ao seu núcleo familiar, culminando num doloroso telefonema com a progenitora, que lhe ligou em pânico para perceber o que se estava a passar.
A resposta de Carlos foi perentória: “Se tu não acreditas na pessoa que educaste e que formaste, nós não temos nada para dizer“. A artista desligou o telefone e confessou a Júlia Pinheiro a dura consequência desse momento: “Tive três anos quase sem falar com a minha mãe depois deste dia (…) Destruíram literalmente a vida de um jovem“.
Foi no fundo do poço que a salvação surgiu, de forma inusitada, pelas mãos dos amigos mais próximos, a sua “segunda família” pois, preocupados com o seu estado de apatia total, os amigos tomaram as rédeas da situação. “Eles decidiram por mim, enquanto eu dormia, que eu iria fazer outro reality show (…) tiraram-me da cama, obrigaram-me a tomar banho e comer“, recordou a artista sobre a sua entrada de urgência no formato “A Quinta: Desafio Final“.
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O objetivo dos amigos era claro: a única forma de limpar a sua imagem seria voltar à televisão para mostrar o seu verdadeiro caráter.
A estratégia acabou por surtir efeito, permitindo a Carlos Costa revelar o seu lado mais real, trabalhador e apaixonada pela natureza e pelos animais, equilibrando o peso das polémicas, ainda que, até aos dias de hoje, continue a deparar-se com comentários maldosos sobre esse triste episódio.