O humorista esteve presente no formato da SIC Caras esta quinta-feira, 28 de maio, onde debateu as fronteiras da comédia com Liliana Campos e o painel de comentadores.
O programa «Passadeira Vermelha», da SIC Caras, conduzido por Liliana Campos, recebeu esta quinta-feira, 28 de maio, o humorista Diogo Faro. O painel aproveitou a presença do convidado para debater um dos temas mais fraturantes da atualidade: os limites do humor, um assunto trazido à baila a propósito do mais recente espetáculo de Joana Marques, «Em Sede Própria».
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Inquirido por Liliana Campos sobre o facto de já ter sido um dos “lesados” da rubrica «Extremamente Desagradável», Diogo Faro assumiu a situação com total desportivismo. “Já fui várias vezes. Faz parte, pronto“, admitiu o humorista, garantindo que Joana Marques “não fez absolutamente nada de mal“.
Diogo Faro reconheceu ainda que a culpa foi, muitas vezes, sua: “Fui eu que disse disparates, porque até em fases menos fixas da minha vida, da minha carreira, disse coisas mais disparatadas ou fiz coisas mais disparatadas e ela agarra naquilo e faz a magia dela“. Ainda assim, não escondeu que o impacto inicial custa a digerir: “No dia em que aquilo sai, eu não vou dizer: ‘Ah, que bom, estou super feliz’. Não. Sentes: ‘Ah, estou no ‘Extremamente Desagradável’. É mesmo desagradável“.
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O debate acabou por subir de tom quando a conversa recaiu sobre a existência de limites na comédia e, Diogo Faro foi perentório ao afirmar que não impõe regras aos outros, mas tem barreiras muito bem definidas para a sua própria escrita. “Eu não acho graça a piadas racistas, homofóbicas, machistas, transfóbicas, não me rio disso e não quero fazer ninguém rir-se de humilhar uma mulher ou fazer piadas com a cor da pele das pessoas“, defendeu.
Foi neste momento que a comentadora Carolina Ortigão confrontou diretamente o convidado sobre uma aparente contradição: “Mas fazes piada aos ricos?!“.
Sem hesitar, Diogo Faro justificou-se com o facto de essa classe não ser “uma minoria oprimida”, considerando que o alvo da piada não pode ser comparado com o de grupos marginalizados. A comentadora insistiu, questionando se o humorista não gostava de pessoas ricos, ao que Faro respondeu em tom de brincadeira: “Não, não tenho nada contra ricos, até tenho amigos que são (…) E dá-me jeito“.
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Consciente do seu próprio lugar de fala, Diogo Faro concluiu a sua intervenção assumindo pertencer a um grupo privilegiado. “Até na condição de ser um homem branco, não sofro de discriminação pelo meu género, nem pela minha cor de pele, nem até por ser de classe média, não me falta nada“, reconheceu.
Para o humorista, é precisamente esse privilégio e a visibilidade que tem nas redes sociais que lhe trazem uma responsabilidade acrescida. “Eu não quero veicular mensagens mascaradas de humor que sejam racistas ou contra pessoas indianas ou brasileiras (…) As mulheres [são] constantemente alvo de piadas machistas num país onde se mata tanta mulher, onde se trata de violência doméstica. Não tenho interesse nenhum em fazer humor sobre isso“, rematou de forma implacável.
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