Joana Latino e David Motta arrasam irmã de Georgina Rodríguez após ataque a Salvador Sobral
A reação de Ivana Rodríguez às palavras de Salvador Sobral na televisão espanhola gerou fortes críticas no programa da SIC Caras.
A recente presença de Salvador Sobral num programa da televisão espanhola, onde criticou a postura de Cristiano Ronaldo após o desentendimento com o selecionador Jorge Jesus, motivou uma resposta acesa por parte de Ivana Rodríguez, irmã de Georgina Rodríguez.
O diferendo foi analisado hoje no programa Passadeira Vermelha, da SIC Caras, com a apresentadora Liliana Campos a recordar o contexto da polémica em torno da entrevista ao La Revuelta e a sublinhar que a cunhada do futebolista “não gostou daquilo que ouviu e não poupou as críticas ao artista”.
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Na mensagem partilhada nas redes sociais, a espanhola acusou o músico português de falar com desdém sobre o capitalismo e o jato privado do jogador apenas para conseguir notoriedade rápida. Ivana Rodríguez questionou a necessidade do ataque e atirou: “Não duvido que sejas um cantor maravilhoso, mas é a primeira vez na minha vida que te vejo e é graças a estares a falar de um momento doloroso para o Cristiano, para os portugueses e para o mundo.” Na mesma publicação, sugeriu ainda que o vencedor da Eurovisão procurava apenas protagonismo fácil: “Os teus 5 minutos, o teu momento mais viral. Se falasses bem e com respeito, talvez não te tornasses tão viral.”
Chamado a comentar o assunto, David Motta começou por traçar uma diferença de mentalidades e de educação relativamente à valorização do luxo. O comentador explicou que, para certas pessoas oriundas de meios mais humildes, a conquista de bens materiais inalcançáveis, “como um jato privado, é o expoente máximo de uma pessoa ser bem-sucedida na vida”. Contudo, ressalvou que a irmã de Georgina Rodríguez desconhece a realidade em que Salvador Sobral cresceu, onde o dinheiro tem pouca relevância e “não é isso que nos move”.
Para o comentador, Ivana Rodríguez tentou passar a ideia de que o cantor sentia inveja do cunhado por acreditar que este seria o único momento mediático da sua carreira. Recorrendo a uma frase que ouviu no passado de um psiquiatra, segundo a qual “os ignorantes não podem reconhecer a inteligência”, David Motta esclareceu que não pretendia insultar a jovem, mas sim destacar que o músico é muito inteligente e que ela “não consegue entender de onde é que o Salvador está a vir“. O painelista defendeu ainda que a observação feita pelo intérprete na televisão espanhola foi de puro senso comum: “Ele disse o que foi: eu chamaria um Uber. O Cristiano chamou o jato.” David Motta acrescentou que, no lugar do atleta, teria permanecido no banco à espera da decisão do treinador, mas reiterou a factualidade do comentário de Salvador Sobral: “Mas ele chamou o jato e foi embora, foi à vida dele.”
Depois de a convidada Eva admitir que acompanha pouco as novidades televisivas sobre o abandono do capitão da Seleção Nacional, Joana Latino tomou a palavra para desmontar o argumento da cunhada do jogador. A jornalista começou por observar que, por norma, “quem atira uma determinada acusação é o praticante dessa mesma ilicitude moral”, confirmando de imediato o ditado popular lembrado por Liliana Campos: “Quem diz é quem é.”
Na leitura de Joana Latino, a reação intempestiva da irmã de Georgina Rodríguez esconde uma frustração pessoal face ao estilo de vida da própria família: “Quando ela se insurge e acusa de inveja alguém que critica o seu cunhado, evidentemente quem está carregada de inveja da irmã, da vida que ela tem, é a própria Ivana.” A comentadora justificou a sua tese afirmando que, caso contrário, a jovem nem sequer se lembraria de invocar esse sentimento para atacar o cantor.
Alargando a análise ao comportamento dos fãs nas plataformas digitais, a jornalista lamentou que qualquer voz discordante perante personalidades com milhões de seguidores seja automaticamente rotulada de invejosa. Joana Latino apontou o dedo aos grupos de admiradores mais radicais, referindo que “as ronaldetes, as cristinetes e por aí fora, que acusam quem questiona o que os Ronaldos e as Cristinas fazem de inveja, são pessoas que seguem e andam atrás e passam a vida a comentar e a fazer gostos porque efetivamente invejam”. Para a comentadora, o conceito aspiracional associado a estes ídolos resume-se a uma ordem implícita de “tenham inveja de mim, sigam-me”, o que leva os seguidores a projetarem nos críticos o sentimento que os próprios alimentam.
Joana Latino fez questão de distinguir o ataque gratuito da análise construtiva sobre um episódio desportivo específico. A comentadora esclareceu que questionar a atitude do avançado não apaga o seu historial: “E quando nós aqui questionamos porque é que o Ronaldo saiu desta forma, não estamos a dizer que ele é um péssimo jogador e que nunca mais devia voltar a Portugal, e que a seleção devia esquecer que ele existiu, e a número sete devia ser queimada no Rossio, nada disso.” O foco das críticas, sublinhou, prende-se apenas com o facto de “esta saída abrupta da seleção” não ser digna do estatuto do atleta, concluindo que a acusação lançada por Ivana Rodríguez revela apenas “uma fraca capacidade de análise da situação”.
Por sua vez, Sofia Jardim concordou com a visão geral da colega de painel, defendendo que se deve separar o mérito inquestionável do jogador da análise a um comportamento pontual menos feliz. Ainda assim, a comentadora considerou que Salvador Sobral se excedeu na escolha das palavras durante a entrevista em Espanha: “Mas aquela atitude que ele teve e estar a criticá-lo de forma logo comportamental, que se acham semideuses, acho que isto também é um bocadinho violento demais e um bocado exagerado.” Assumindo-se como fã de Cristiano Ronaldo, Sofia Jardim admitiu que tanto o atleta como a estrutura da equipa das quinas deveriam ter gerido o conflito de outra maneira, mas insistiu que o músico exagerou ao diagnosticar “um síndrome de semideus”.
Quanto à intervenção de Ivana Rodríguez, Sofia Jardim achou compreensível o instinto de proteção familiar, embora tenha garantido que o futebolista não necessita desse tipo de auxílio público. Além disso, notou a ironia de a espanhola criticar a procura de protagonismo alheio quando acaba por beneficiar do mesmo efeito mediático: “Acho que só está a alimentar esta, está a acusar os 5 minutos de fama, mas ela também os está a ter, porque estamos aqui a falar dela, que por sua vez mudou a sua cara, está muito bonita.”
A ideia de que a cunhada do craque português também tirou partido da polémica foi prontamente validada por Joana Latino, que atirou: “Também está a aproveitar, está a aproveitar, mas está tudo certo.” Para encerrar o debate, e após Sofia Jardim confessar que nem sequer conhecia a irmã de Georgina Rodríguez até este episódio, Joana Latino voltou a visar a cultura geral da jovem por esta ter afirmado que nunca tinha visto o cantor português: “Agora, só relembrar aqui a Ivana, que parece que a memória dela é correspondente à inteligência: Salvador Sobral é conhecido no mundo inteiro por causa da vitória na Eurovisão, no Festival da Canção.” David Motta rematou a conversa enaltecendo a superioridade artística do músico face à crítica espanhola: “Em qualquer parte do mundo abre a boca e tem um talento divino. A Ivana, não sei qual é o talento dela.”
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