
Exigências orçamentais e o desejo de exercer um controlo absoluto sobre a narrativa estiveram na origem do impasse com os produtores.
Apesar do sucesso comercial que várias obras biográficas sobre músicos têm alcançado no cinema, como o recente percurso de “Michael”, que retrata a vida de Michael Jackson, Madonna abdicou dos planos para transpor a sua trajetória para o grande ecrã e para o streaming. A artista dedicou vários anos ao desenvolvimento de um filme e de uma série documental, mas os desentendimentos com os grandes estúdios de Hollywood ditaram o cancelamento dos projetos.
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O primeiro plano passava por uma longa-metragem para a Universal Studios, anunciada em setembro de 2020 e formalmente cancelada em janeiro de 2023, sob o título provisório “Who’s That Girl” e, a produção chegou a ter Julia Garner selecionada para o papel principal, após um processo de audições exaustivo que envolveu mais de uma dúzia de candidatas testadas ao limite nas vertentes do canto e da dança. Contudo, os requisitos orçamentais e a exigência da cantora em assumir a realização e o argumento de forma isolada travaram o avanço dos trabalhos.
“Era suposto fazer um filme sobre a minha vida. Trabalhei no argumento durante dois anos e estive dois anos na Universal Studios com os produtores executivos a tratar do orçamento e do ‘casting’. Eu e a Universal tivemos um desentendimento em relação ao orçamento, porque precisava… tive uma vida extraordinária. Tive uma vida grandiosa, por isso precisava de um orçamento grande. Percebem o que quero dizer?“, esclareceu Madonna numa entrevista concedida à revista Interview.
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Segundo a perspetiva da intérprete, os executivos mostraram-se reticentes em avançar com o montante solicitado, o que a levou a sugerir alternativas de produção de baixo custo na Europa de Leste, que também foram rejeitadas devido à falta de confiança na sua permanência no terreno. “Uma das primeiras reações deles foi: ‘Não acreditamos que ficasses na Sérvia mais do que quatro dias’. E eu disse: ‘Vocês leram o argumento?’ Toda a minha vida foi uma luta pela sobrevivência“, recordou.
Em maio de 2025, abriu-se uma nova via através de uma parceria com a Netflix para a criação de uma minissérie, que contou com o envolvimento do produtor Shawn Levy, mas a transição esbarrou em entraves legais relacionados com a propriedade intelectual do texto original, impedindo a reutilização do material já escrito.
“Fiquei num limbo quando tudo se desmoronou e depois a Netflix entrou em contacto para fazer uma série. Foi um processo longo e completamente diferente, porque não podia usar o argumento que tinha com a Universal a não ser que o comprasse por um preço exorbitante, mesmo tendo sido eu a escrevê-lo. Nem queiram saber. É um processo muito, muito diferente. Temos de nos reunir com muitos argumentistas e encontrar o ‘showrunner’ certo e não consegui encontrar um. Isso arrastou-se por mais oito ou nove meses“, relatou à Interview.
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Após mais de meia década de esforços infrutíferos, a compositora optou por focar a sua atenção na atividade musical, salvaguardando a intenção de não permitir que terceiros se apropriem do seu legado sem a sua devida supervisão. “Fiquei a pensar: ‘Ainda bem que tenho outro emprego, porque preciso de trabalhar, preciso de criar. Preciso de fazer aquilo para que nasci‘”, referiu, evocando os princípios que estipulou na fase inicial do projeto.
“Tive uma vida extraordinária, devo fazer um filme extraordinário. Também foi um ataque preventivo porque muitas pessoas estavam a tentar fazer filmes sobre mim. Principalmente homens misóginos. Portanto, coloquei o meu pé na porta e disse ‘Ninguém vai contar a minha história, só eu’. Quero transmitir a incrível jornada em que a vida me levou como artista, como cantora, como dançarina, como um ser humano a tentar encontrar o seu lugar neste mundo. O foco deste filme será sempre a música. A música faz-me continuar e a arte mantém-me viva. Existem tantas histórias inspiradoras por contar e quem melhor para contá-las do que eu mesma. É fundamental partilhar a montanha-russa da minha vida com a minha visão e a minha voz“, concluiu.
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