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Miguel Sousa Tavares e a vitória de Seguro: “Derrotaram a política feita com o aproveitamento de catástrofes”

Numa noite marcada pela chuva e pela tempestade, o escritor elogiou a mobilização dos portugueses que contrariaram a tese de que "nem no terceiro mundo se vota assim". Sousa Tavares defende que o país derrotou a demagogia e as "golpadas".

Miguel Sousa Tavares não escondeu a sua satisfação pessoal ao comentar, na CNN Portugal, a projeção que dava a vitória a António José Seguro na segunda volta das Eleições Presidenciais deste domingo.

O comentador colocou momentaneamente de parte a análise política fria para assumir um desabafo emocional, confessando que os resultados lhe trouxeram um sentimento de tranquilidade democrática: “Essa análise eu faço para quando houver mais dados. Agora, enquanto cidadão, deixa-me dizer que eu vivo um momento de grande alívio e grande alegria”.

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Para o escritor, a vitória de Seguro ganha uma dimensão maior devido ao contexto adverso em que ocorreu, marcado pelo mau tempo e pelas críticas ferozes da oposição sobre as condições do ato eleitoral.

Sousa Tavares elogiou a coragem dos eleitores que, ignorando as palavras do líder parlamentar do Chega, que afirmou que “nem no terceiro mundo se vota assim”, foram às urnas debaixo de chuva intensa: “Os portugueses votaram, e de um dia cinzento fizeram um dia claro”.

A análise de Miguel Sousa Tavares foi particularmente dura para com a estratégia do Chega e de André Ventura, considerando que o voto popular foi um castigo direto ao tipo de campanha realizada.

Sem retirar mérito ao novo Presidente eleito, o comentador sublinhou que o país se uniu para travar uma forma de estar na política que considera perigosa: “Não há dúvida que muitos se mobilizaram (…) e derrotaram o populismo, a demagogia, a política feita com mentiras, a política feita com golpadas, o aproveitamento de catástrofes (…) e, acima de tudo, a tentativa de adiar as eleições”.

O remate final foi um aviso direto à liderança da direita radical: “Isso falhou. Eu espero que o André Ventura tenha aprendido a lição”.

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