Ao longo de mais de meio século de carreira, o executivo moldou a cultura pop e orientou os percursos de Aretha Franklin, Janis Joplin e Alicia Keys.
A indústria fonográfica mundial perdeu uma das suas figuras mais influentes e duradouras pois, o produtor musical norte-americano Clive Davis, responsável por impulsionar e moldar as carreiras de lendas como Whitney Houston, Aretha Franklin, Bruce Springsteen e Santana, faleceu aos 94 anos. O anúncio foi feito pela família através das redes sociais esta segunda-feira, 22 de junho de 2026, e a notícia do seu falecimento, após uma recente hospitalização devido a problemas respiratórios em Nova Iorque, repercutiu-se de imediato entre os maiores nomes do espetáculo.
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Nascido em Brooklyn a 4 de abril de 1932, Davis licenciou-se na Harvard Law School e iniciou o seu percurso na Columbia Records como consultor jurídico, numa altura em que o seu objetivo de vida passava apenas pelos tribunais e não pela direção de estúdios. “Nas famílias judaicas sem dinheiro, a ideia era que tinhas de ser advogado ou médico. Eu ia ser advogado, sem fazer ideia do que isso realmente significava“, recordou o executivo no documentário Clive Davis: The Soundtrack of Our Lives. A transição para cargos de gestão na editora acabou por revelar o seu instinto invulgar para detetar êxitos em géneros que oscilavam entre o rock, o jazz, a pop e o hip-hop. “Não sabia nada sobre música. Não sabia nada sobre o que me esperava. Mas agarrei aquela oportunidade“, confessou sobre a viragem profissional.
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O seu impacto na cultura popular consolidou-se a partir da sua presença no histórico Monterey Pop Festival, onde contratou Janis Joplin na mesma noite em que a viu atuar e, a partir desse momento, o gestor acumulou sucessos marcantes: convenceu a dupla Simon & Garfunkel a lançar a icónica “Bridge Over Troubled Water” como single e desafiou o trompetista Miles Davis a fundir o jazz com o rock, resultando no aclamado álbum “Bitches Brew”. Até o próprio Bruce Springsteen aceitou os reparos do produtor no início da sua caminhada. Ao receber uma maqueta de volta com a indicação de que faltava um tema forte para as rádios, o músico escreveu “Blinded by the Light” e “Spirit in the Night” numa única noite. “Foi uma boa sugestão”, brincou o artista anos mais tarde.
Em 1974, Davis fundou a Arista Records, expandindo o seu raio de ação ao reunir no mesmo catálogo nomes como The Kinks, Lou Reed, Patti Smith e Dionne Warwick, além de ter lançado a Bad Boy Records em parceria com Sean Combs para impulsionar o hip-hop. Contudo, nenhuma ligação foi tão profunda ou bem-sucedida como a que manteve com Whitney Houston. Sob a sua asa, a cantora transformou-se numa das artistas com mais discos vendidos na história e, a morte repentina da intérprete, em 2012, precisamente no dia de uma das famosas festas pré-Grammy que o produtor organizava anualmente, foi descrita por ele como o momento mais duro do seu percurso pessoal. “A perda de Whitney aconteceu tão subitamente como a dos meus pais. E lembrou-me profundamente como as pessoas mais importantes da nossa vida podem desaparecer de forma repentina“, comparou o empresário, que na juventude tinha perdido a mãe e o pai num curto espaço de meses.
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Vencedor de vários prémios Grammy e integrante do Rock and Roll Hall of Fame, o antigo diretor criativo da Sony Music Entertainment manteve-se no ativo até aos seus últimos anos de vida, recusando de forma limpa qualquer perspetiva de reforma do meio artístico.
“Não continuo a fazer estas coisas para provar algo. Faço apenas aquilo que sempre fiz“, rematou numa das suas últimas entrevistas à revista Rolling Stone, legitimando os elogios de companheiros de longa data como Barry Manilow, que sintetizou a sua longevidade com uma definição célebre: “Clive tem a mente de um executivo bancário e os ouvidos de um adolescente“.