Morreu o cantor brasileiro Netinho: voz do êxito ‘Milla’ sucumbiu a um linfoma aos 60 anos
O artista estava internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, onde o quadro clínico evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos...
Morreu o cantor Netinho, aos 60 anos, na manhã de terça-feira, 13 de outubro.
O artista brasileiro, que conquistou grande popularidade em Portugal durante a década de 1990 com o tema ‘Milla’, estava internado no Hospital Aliança Star, em Salvador, após o agravamento de um linfoma não Hodgkin do tipo B. O quadro clínico acabou por evoluir para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
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Antes de seguir carreira a solo, o músico baiano ganhou projeção como vocalista da Banda Beijo, consolidando depois um percurso marcado pela energia nos palcos.
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Durante os tratamentos da doença oncológica, diagnosticada em 2025 e que reapareceu em 2026, o cantor chegou a partilhar notas de esperança com os admiradores: “Estou no finalzinho da quarta temporada. Tudo a correr maravilhosamente bem por aqui como Deus quer.”
Mais tarde, perante o avanço da doença, encarou a despedida com serenidade: “Partirei feliz, realizado, pois a vida deu-me muito mais do que sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte.”
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A equipa do músico confirmou a perda em comunicado e fez um apelo público: “Neste momento de profunda dor e despedida, pedimos respeito pela privacidade da família e dos amigos, para que possam viver este momento com a serenidade e o recolhimento necessários. Agradecemos, de coração, todas as manifestações de amor, carinho e solidariedade recebidas.”
Por desejo expresso do cantor, as cerimónias fúnebres de velório e cremação decorrem de forma reservada, restritas apenas a familiares e amigos próximos.
Nasceu em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano. Aos nove anos de idade, sofreu a trágica perda do pai, que faleceu vítima de um acidente de viação. Na sequência da tragédia familiar, mudou-se com a mãe e os irmãos para Salvador. Aos 14 anos, recebeu da mãe a sua primeira viola, instrumento com o qual aprendeu a tocar de forma autodidata.
Concluiu os estudos secundários em Salvador e ingressou mais tarde no curso de Engenharia Civil na Universidade Católica do Salvador (UCSal). No entanto, a vocação musical sobrepôs-se às ciências exatas e abandonou a engenharia para se dedicar exclusivamente à arte.
Foi casado com Mariana Trindade, relação da qual nasceu a sua única filha. Em entrevistas concedidas a partir de 2008 e formalmente em 2010, Netinho declarou publicamente a sua bissexualidade, abordando de forma aberta as suas vivências afetivas no meio artístico. Em 2020, revelou que havia decidido adotar o celibato a partir de 2016.
É pai de Bruna Trindade, fruto do seu casamento com Mariana Trindade. Formada em Medicina, Bruna acompanhou de perto os cuidados clínicos do cantor ao longo dos seus internamentos.
A vida do cantor enfrentou momentos dramáticos de saúde. Em abril de 2013, Netinho foi internado de urgência devido a graves hemorragias hepáticas, complicações renais e três acidentes vasculares cerebrais decorrentes do uso de substâncias anabolizantes e tratamentos antienvelhecimento. Passou meses em unidades de cuidados intensivos e enfrentou um longo processo de reabilitação motora e vocal.
Em fevereiro de 2025, foi diagnosticado com um linfoma não-Hodgkin, que enfrentou com tratamentos contínuos até sofrer uma recidiva agressiva em 2026.
Quanto à sua carreira, temos a destacar que gravou discos de referência da música popular brasileira nos anos 1990, destacando-se os álbuns «Um Beijo Pra Você» (1993), «Nada Vai Nos Separar» (1994), «Netinho Ao Vivo» (1996), «Me Leva» (1997) e «Rádio Brasil» (1998). Entre os seus maiores sucessos figuram clássicos como «Milla», «Preciso de Você», «Menina», «Fim de Semana», «Pra Te Ter Aqui» e «Capricho dos Deuses».
Foi um dos grandes embaixadores da música baiana e da cultura dos trios elétricos fora do Nordeste, chegando a desfilar na Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio de Janeiro, em 1992. Ganhou múltiplos discos de ouro, platina e diamante, consolidando o subgénero do axé romântico nas rádios e na televisão de língua portuguesa.