
A atriz subscreveu as críticas de Maria Rueff sobre a ausência de reconhecimento histórico às pioneiras da comédia na estação de Paço de Arcos.
A celebração dos 30 anos dos Globos de Ouro, emitidos pela SIC a partir do Coliseu dos Recreios, continua a desencadear forte contestação no meio artístico. Depois de Maria Rueff ter manifestado publicamente a sua revolta contra o esquecimento das atrizes que construíram a história do humor na estação, Ana Bola veio a público subscrever integralmente as críticas e denunciar os critérios que norteiam a entrega dos troféus em Portugal.
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A controvérsia nasceu no próprio palco da cerimónia, no momento em que Ricardo Araújo Pereira subiu para receber o galardão comemorativo das três décadas na categoria Humor.
Visivelmente desconfortável com a homenagem, o comediante questionou a coerência da distinção em direto. “Entretanto distraí-me… isto é o quê? Obrigado [… ] que idade é que vocês acham que eu tenho!? Tenho 52 só, estou careca e tal mas há 30 anos eu tinha 22, não estava a fazer nada. Está aí a Maria Rueff e a Rita Blanco que têm uma carreira longa. […] Obrigado, não sei a quem é que hei de agradecer“, atirou o apresentador perante a plateia.
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A intervenção espontânea do humorista levou Maria Rueff a reagir nas plataformas digitais, recordando a autoria e o protagonismo nos primeiros sucessos da estação de Paço de Arcos ao lado de colegas de renome. “Há trinta anos quem fazia humor na SIC eram, para além do Herman e de alguns pares já desaparecidos, eu, a Ana Bola e a Marina Mota“, apontou a artista, classificando a decisão como “sinal de uma aviltante falta de memória” e lamentando a persistência de “um infelizmente nunca extinto machismo” no setor cultural.
Perante o testemunho da colega de profissão, Ana Bola recorreu às suas redes sociais para manifestar a sua desilusão com o rumo das distinções da estação privada. “Quem não se sente não é filho de boa gente. Não soubéssemos nós o «critério» com que são atribuídos este tipo de prémios (não é só em Portugal) e ficaria muito desiludida por nunca na minha vida ter recebido um Globo. Estive nomeada uma vez na vida com «A Mulher do Senhor Ministro», mas não ganhei. O programa era da RTP e ganhou alguém da SIC, curiosamente…“, observou a comediante.
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A atriz apontou a barreira que afasta as profissionais femininas do devido reconhecimento institucional na televisão portuguesa. “O «matriarcado» continua num patamar onde com raríssimas excepções o Globo não chega. É uma prateleira tão alta, mas tão alta que nem os olhos alcançam. Enfim, aos 74 anos tenho ainda a esperança que um ano destes me possa ser atribuído o Globo Revelação. A mim e a mais umas quantas. E como a Maria disse e eu reitero, não há aqui nenhum ressabiamento, é tão somente uma triste constatação“, desabafou, acrescentando com sarcasmo: “Marina Mota, Maria Rueff, não fiquem tristes porque ainda havemos de ir as três nas nossas belíssimas cadeirinhas de rodas receber o «prémio V. Excelência», isto se não morrermos de calor no Coliseu. Naquela parte em que metade dos espectadores já saíram“.
Para dissipar quaisquer dúvidas sobre a admiração mútua entre profissionais e afastar leituras erradas sobre a revolta manifestada, a artista publicou uma nota complementar a reiterar o seu respeito pessoal pelo vencedor da estatueta: “E não digo mais nada. O RAP merece todos os prémios. O RAP merece todos os prémios. Só não escrevo 100 vezes porque tenho uma consulta de psiquiatria“.