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Para lá da Eurovisão: MIMICAT revela o poder da arte contra o bullying em conversa com Júlio Magalhães

Em entrevista a Júlio Magalhães, MIMICAT apelou à denúncia do bullying nas escolas, recordou a participação na Eurovisão e revelou os seus novos objetivos de vida.

MIMICAT esteve à conversa com Júlio Magalhães numa entrevista inspiradora, onde abordou o seu percurso na música e o forte envolvimento em causas sociais.

A cantora é embaixadora do projeto “Todos Pintamos Contra o Bullying”, uma campanha de sensibilização criada pela Giotto em parceria com o Instituto de Apoio à Criança (IAC), e emprestou a voz à canção oficial, “Aqui Pintamos Todos”.

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A artista destacou a urgência de abordar o tema do bullying nas escolas, apoiando-se em dados alarmantes. “Os dados dizem que uma em cada quatro crianças já sofreu bullying de alguma forma na escola”, alertou, sublinhando a gravidade do facto de 90% dos casos não serem denunciados. “Os miúdos sentem que ainda não conseguem denunciar quando veem. Ou por medo ou por alguma indiferença”, explicou.

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Para combater este silêncio, a campanha tem promovido diversas ações, tanto online como presencialmente em instituições de ensino. “Nós tentamos, através da arte, no fundo, motivar as crianças a participarem e a receberem a mensagem”, revelou a cantora. A iniciativa, que também se estende a Espanha, já chegou a cerca de 800 escolas em Portugal, abrangendo aproximadamente 35 mil alunos. Contudo, MIMICAT frisou que “ainda é pouco” e que a linha de apoio do IAC continua a receber muitos pedidos de ajuda, não só relacionados com bullying, mas também com problemas psicológicos e depressão.

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A entrevista viajou também pela história de vida da cantora, nascida em Coimbra, cujo talento para a música se manifestou ainda em criança. Recordando os seus primeiros passos, mencionou o ponto de viragem que ocorreu numa festa escolar onde interpretou “Chamar a Música”, tema popularizado por Sara Tavares. “A minha mãe é uma espécie de fadista frustrada, porque cantava fado no rancho quando era pequenina”, confidenciou a cantora, explicando a influência materna no seu trajeto, que começou a ser desenhado logo aos nove anos de idade.

Um dos momentos mais marcantes da sua carreira recente foi a participação na Eurovisão em 2023 com a canção “Ai Coração”, que surgiu após anos de persistência. “Eu já queria há muitos anos participar no Festival, mas ainda não tinha conseguido que me convidassem, portanto tive de submeter a minha canção“, confessou. O sucesso do tema, que já se tornou incontornável nos seus espetáculos, traz-lhe um sentimento de dever cumprido: “Para mim, a melhor recompensa que qualquer artista pode ter é que as pessoas façam da sua música parte da vida delas”.

Com o lançamento de um novo EP planeado para outubro ou novembro, a artista partilhou que está a reavaliar as suas prioridades, admitindo a sua faceta “workaholic“. “Tenho ambições em viver mais do que trabalhar”, desabafou perante Júlio Magalhães.

A cantora revelou ainda que tem procurado gerir melhor o tempo dedicado à carreira para não descurar a presença junto dos seus dois filhos, que, curiosamente, lidam com alguma vergonha com a fama da mãe. “Acho que tenho perdido bastante tempo com os meus filhos, principalmente porque o tempo passa muito depressa”, concluiu MIMICAT, demonstrando uma nova consciência sobre o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

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