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“Políticos não dão ponto sem nó”: Luís Montenegro de usar Fátima para ganhar votos?

A presença de Luís Montenegro na procissão das velas em Fátima gerou debate no V+ Fama. Os comentadores defenderam a fé do primeiro-ministro perante as críticas.

Hoje, no programa V+ Fama, a presença de Luís Montenegro e da sua mulher, Carla, na procissão das velas em Fátima, no passado dia 12 de maio, esteve em destaque.

O debate surgiu após várias críticas na internet que acusavam o atual líder do Governo de usar um local sagrado para fazer política e influenciar o eleitorado.

Adriano Silva Martins introduziu o tema, sublinhando que o primeiro-ministro esteve no santuário como um cidadão comum e não de forma oficial. Marta Aragão Pinto concordou com esta visão e defendeu o direito à privacidade e à fé individual: “Eu acho que aqui é caso para dizer que a política e a religião (…) se juntaram e trouxeram, na minha opinião, o pior das pessoas”. A comentadora reforçou que a presença no evento não afeta o desempenho do cargo: “Ele é primeiro-ministro, é de um partido, tem a sua convicção política, mas qual é o problema de também ser católico (…) e estar no seu momento?”.

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Isabel Figueira juntou-se à defesa de Luís Montenegro, lamentando a constante vigilância da sociedade atual: “Hoje vivemos limitados a uma série de coisas e acho que não podemos simplesmente ser pessoas normais”. Assumindo-se como uma mulher de fé, a comentadora apontou o dedo a uma alegada perseguição ao chefe do Governo: “Eu acho que qualquer coisa que ele tem feito nos últimos tempos também tem sido alvo de críticas (…). Portanto, esta é só mais uma, e é descabida e não faz absolutamente sentido nenhum”.

O debate aqueceu com a intervenção de António Leal e Silva, que criticou duramente os autores dos ataques, apelidando-os de falsos moralistas: “Essas pessoas (…) que se consideram os paladinos da moral, são pessoas que vivem em bolhas”. O comentador apelou ao respeito pelas liberdades individuais, lembrando que a separação entre a Igreja e o Estado não anula a crença pessoal de quem governa: “O primeiro-ministro tem todo o direito, enquanto cidadão, de ir com a mulher aonde muito bem entender e quiser”.

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Apesar da concordância geral na defesa da liberdade religiosa, Adriano Silva Martins lançou um olhar mais calculista sobre a situação, sugerindo que um representante máximo do país nunca desliga totalmente da sua função: “Os políticos não dão ponto sem nó. Atenção, não estou a dizer que ele tenha ido com outras intenções além de expressar a sua fé, mas tenho a certeza (…) que o Luís Montenegro não deixa de pensar como um primeiro-ministro”.

Para o jornalista, a ida a Fátima acaba por ter um peso estratégico: “Eu sei que isto me vai aproximar do meu eleitorado, de um eleitorado também que está mais encostado à direita, que o Chega, por exemplo (…) tem ido roubar”.

António Leal e Silva rejeitou frontalmente esta visão tática, recordando a antiga primeira-ministra Maria de Lourdes Pintasilgo para provar que a fé não tem cor partidária: “Acho que a esquerda e direita, isso é um erro (…) há pessoas com fé no Partido Comunista e há pessoas sem fé no Chega”. O painel terminou a debater a laicidade do Estado, com Adriano a frisar que a Igreja não deve ter lugar de destaque em atos oficiais, enquanto António relativizou a presença histórica de figuras religiosas em cerimónias públicas.

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