
A polémica entre Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo dominou a emissão de 1 de outubro de 2026 do ‘V+ Fama’, no V+ TVI.
A saída de Ronaldo da concentração da Seleção Nacional, a 30 de setembro, após uma conferência de imprensa do selecionador, incendiou o debate, que dividiu os comentadores do programa.
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Adriano Silva Martins, apresentador, abriu o programa a sublinhar a gravidade da situação. “Temos guerra entre Cristiano Ronaldo e Jorge Jesus”, atirou, lembrando que, apesar de algumas risadas iniciais sobre um alegado sensacionalismo, “a guerra existe”. O apresentador confirmou que Cristiano Ronaldo “já não se encontra concentrado com a Seleção Nacional”, tendo abandonado Copenhaga rumo a Madrid a 30 de setembro. Tudo, segundo Martins, explodiu “depois desta conferência de imprensa de Jorge Jesus que incendiou tudo e todos”.
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O selecionador, Jorge Jesus, não deixou margem para dúvidas sobre a sua autoridade. “Eu posso prometer o que eu quiser, eu sou treinador”, começou por dizer. “Disse ao jogador: ‘Não eras para jogar, vou-te levar para o banco. Se precisar de ti 30 minutos, vais jogar. Se não precisar, não vais jogar.’ Eu conduzi o jogo à minha maneira, ele não entrou. Porque não é o Cristiano, nem nunca vai haver nenhum jogador que vai mudar as minhas ideias como treinador. Nunca. Nem ele, nem ninguém no futebol. Nem ele, nem ninguém, nenhum presidente. Nunca. Zero.”
Adriano Silva Martins lançou a questão a Isabel Figueira, notando que “Portugal está dividido em dois” entre os que apoiam Jorge Jesus e os que defendem Cristiano Ronaldo.
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Isabel Figueira não hesitou em tomar partido. “Aquilo que eu acho, e que é a minha opinião, é que o Cristiano Ronaldo não é um jogador qualquer”, frisou. Com 236 internacionalizações pela seleção e 136 golos, além de ser “uma figura notável a nível mundial” e ter sido convidado para a Liga das Nações, o tratamento dado por Jorge Jesus foi questionado. “Este discurso, que compreendo que ele possa fazer, mas tratar desta maneira alguém com a carreira que tem, eu não considero – e que ele não me leve a mal – o Cristiano Ronaldo igual aos outros jogadores da seleção”, explicou. Figueira defendeu que, embora não deva ser tratado de forma diferente, “tem que haver aqui um bocadinho, uma palavra que eu sei que não aprecias muito, mas empatia”.
Adriano Silva Martins interveio, admitindo que gosta de empatia “quando é bem usada”.
A comentadora insistiu na necessidade de “algum respeito pelo caminho e pelo percurso profissional de Cristiano Ronaldo”. Apesar de Jorge Jesus já ter habituado o público à sua “linguagem peculiar e termos característicos”, Isabel Figueira não achou a abordagem “nomeadamente apropriada”.
O apresentador confrontou-a: “Mas não achas que quem manda numa seleção é o treinador?”.
“Quem manda é o treinador, é verdade”, concedeu Isabel Figueira, “mas nós não estamos a falar de um jogador qualquer que ele foi buscar e que pode usar e não usar”. Lembrou que Cristiano Ronaldo “não tem muito mais tempo de carreira” e que este “era, provavelmente, o último evento desportivo em que Cristiano Ronaldo iria participar”. O tratamento de “vais ali para o banco, se me apetecer usar 30 minutos uso, se não me apetecer não uso” não é, para a comentadora, “uma maneira de falar ou de estar com uma figura como Cristiano Ronaldo”.
Adriano Silva Martins reconheceu o desacordo com a forma de expressão de Jorge Jesus, mas questionou se, “tirando o tom de voz ou a forma tão característica do Jorge Jesus de se expressar, porque sempre foi um homem de peito, o que o Jorge Jesus diz, não está errado”.
Isabel Figueira contrapôs que a postura de Jesus foi “muito diferente daquilo que ele falou inicialmente sobre Cristiano Ronaldo”. Recordou as palavras do selecionador: “‘Sim, vamos ter o Cristiano Ronaldo na Liga das Nações porque é o Cristiano Ronaldo, porque é uma figura.’ E depois chega ali e trata-o desta maneira. Mais valia não o ter convidado, mais valia Cristiano Ronaldo não ter sido convocado para a Liga das Nações. Para quê? Para o convocar e fazer isto a uma figura como Cristiano Ronaldo não parece correto”. A comentadora concluiu que “as palavras que Jorge Jesus disse antes de Cristiano Ronaldo ser convocado e a maneira como se dirigiu a ele são completamente diferentes deste discurso que teve, e acho lamentável porque o Cristiano não é um jogador igual aos outros”.
António Leal e Silva abriu a sua intervenção com um “eu concordo discordando”. “Tenho de pedir desculpa ao Jorge Jesus porque eu disse aqui que não acreditava que houvesse alguém com coragem suficiente para tirar o Cristiano Ronaldo. E o Jorge Jesus teve essa coragem, bem ou mal”, assumiu. Esclareceu que “não foi que alguém o ‘tirou’, foi uma decisão”.
Adriano Silva Martins lembrou que “Fernando Santos também foi selecionador, caiu tudo em cima. Temos que ser justos”, uma ideia ecoada por Isabel Figueira.
António Leal e Silva continuou, defendendo que, para além dos aspetos futebolísticos e das questões profissionais, existe “uma parte que é uma discussão de egos, há uma guerra de egos”. Os jogadores, e Cristiano Ronaldo em particular, “têm um ego gigante”. Brincou com a “questão do idioma”, referindo que “os jogadores a falar português pode ser um bocadinho… é uma piada, pode ser um bocadinho complicado”.
O comentador reiterou que “é uma guerra de egos, sem dúvida nenhuma”. “Eu entendo e aceito, e tenho de aceitar, não pode ser de outra forma, a postura de Jorge Jesus. Ele é o selecionador, ele é que sabe o que é que está a passar no campo, ele é que sabe quem é que tem que jogar. E o objetivo máximo do Jorge Jesus é ganhar o jogo”, explicou. “Ele é selecionador, não está ali para paparicar jogadores, mas para ganhar jogos em nome de Portugal.”
António Leal e Silva contrastou os objetivos: “Cristiano foi para lá para jogar em nome de Portugal e também em seu nome, para atingir os seus objetivos pessoais, como os ‘mil golos’, ou outras marcas”. Para ele, “foram dois egos que chocaram, que não se conseguiram entender”.
Acrescentou que Jorge Jesus teria sempre um problema, pois “mesmo que o Jorge Jesus estivesse a fazer um trabalho meritório e a ganhar os jogos todos, o foco, enquanto Cristiano Ronaldo estivesse presente, seria sempre ele”. O comentador salientou que “Cristiano Ronaldo não é de Portugal. Cristiano Ronaldo é do mundo. É o português mais conhecido no mundo inteiro”. “Vamos aos confins da Austrália e, ao dizeres que és português, até o canguru tem uma bandeira com a cara dele, percebes?”, ilustrou, reforçando o impacto global do futebol.