“Vai ser um drama quando Cristiano Ronaldo sair”
Especialista avisa que a federação deve preparar desde já a era pós-Ronaldo, fabricando novos ídolos
Cristiano Ronaldo encerrou o seu percurso (em mundiais) Seleção Nacional no Mundial de 2026, deixando uma questão premente: como será a imagem de Portugal sem a sua maior figura global?
O avançado, que completou 41 anos, disputou o seu último Campeonato do Mundo, tornando-se o primeiro futebolista a marcar em seis edições diferentes da competição. Portugal despediu-se do torneio nos oitavos de final, após uma derrota por 1-0 frente à Espanha, a 6 de julho de 2026, que viria a sagrar-se campeã mundial, vencendo a Argentina na final por 1-0 no prolongamento, a 19 de julho de 2026.
Tornar o Dioguinho a tua fonte preferida no Google
Para Daniel Sá, diretor-executivo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), a saída de Ronaldo terá um impacto profundo na projeção externa do país. “Pode ser um bocadinho duro de dizer, mas do ponto de vista de marca, Ronaldo é incomparavelmente maior do que toda a seleção portuguesa e mais não sei quantas juntas”, contou Daniel Sá à Lusa. Ele atirou que a retirada do capitão da equipa nacional obrigará a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) a repensar a sua estratégia de comunicação e posicionamento. “Vai ser um drama quando ele sair, porque as pessoas ainda não têm a noção da atenção mediática que se perderá. Vamos cair numa escada rolante a grande velocidade”, alertou.
Leia também: Cândido Pereira aconselha Raquel a proteger-se após revelações no Big Brother Verão
Daniel Sá lembrou que Cristiano Ronaldo tem sido, ao longo de mais de vinte anos, um dos principais catalisadores da valorização comercial da FPF. “É ele quem lhes faz rubricar vários contratos e ganhar muito dinheiro há mais de 20 anos”, sublinhou. O especialista do IPAM defende que a FPF deve começar desde já a preparar a era pós-Ronaldo, apostando na criação de novas referências. “Fabricar ídolos é uma ferramenta poderosíssima na geração de atenção mediática”, garantiu.
A federação não pode continuar refém de uma única figura, segundo Daniel Sá. “Acredito que a FPF estará a preparar uma narrativa diferente, porque não pode estar dependente de uma pessoa só e tem de exibir outro tipo de argumentos. Obviamente, há mais do que Ronaldo no futebol português, mas devem explorar bem essa nova estratégia”, apelou. Um estudo do IPAM antes do Mundial de 2026 estimou um impacto económico de 561 milhões de euros para Portugal se a seleção chegasse aos oitavos de final. Desse valor, 23% dependerá das plataformas digitais, onde o consumo de futebol acontece cada vez mais fora dos 90 minutos de jogo.
Leia também: Raquel “confusa” ou estratégica? A grande análise de Inês Simões
A marca Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, ultrapassa os limites do campo. Apesar da despedida dos Mundiais, Daniel Sá acredita que a sua influência global continuará a crescer, mesmo depois de pendurar as chuteiras. A força da sua imagem assenta em quatro pilares: o futebolista, o influenciador digital, o embaixador de marcas e o investidor. “Ao lado do jogador, há o Ronaldo influenciador, que é o maior do mundo e a pessoa mais seguida nas redes sociais, o Ronaldo patrocinado por várias marcas nacionais e internacionais e o Ronaldo investidor em múltiplas indústrias. Após deixar de jogar, essa marca continuará a crescer”, concluiu.
Recentemente, a 20 de julho de 2026, Jorge Jesus foi anunciado como o novo selecionador nacional, sucedendo a Roberto Martínez. No mesmo dia, a FIFA atualizou o seu ranking, colocando Portugal no sétimo lugar, uma descida de duas posições após a eliminação nos oitavos de final, enquanto a campeã Espanha ascendeu à liderança. Ronaldo, no seu último Mundial, também registou um recorde indesejado, igualando o maior número de derrotas em fases finais, com oito desaires em 27 jogos.