12 gramas de cocaína e falência renal: O cenário de terror de Tiago Grila antes da reanimação
"Os meus gritos não me saem da cabeça": O resgate dramático de Tiago Grila num quarto de hotel destruído
As funcionárias de limpeza depararam-se com um cenário de sangue e vidros partidos, o que motivou o transporte urgente para os cuidados intensivos com falência de órgãos.
Oito dias depois de ter sido encontrado inconsciente e ensanguentado num quarto do Hotel Amazónia, em Queijas, no concelho de Oeiras, Tiago Grila relatou a sua versão dos acontecimentos no podcast «Desvaneios», conduzido por Tiago Paiva.
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Com 35 anos, o criador de conteúdos do TikTok descreveu a ingestão maciça de estupefacientes que culminou numa emergência médica extrema, afastando, contudo, qualquer intenção deliberada de colocar termo à vida.
O influenciador detalhou os instantes que antecederam o desmaio, marcados por desorientação e gritos descontrolados: “Não me passou pela cabeça que isto podia dar md* porque não foi um capricho. Quando perdes o medo perdes tudo. E comecei, pumba, pumba e cheirei e cheirei. A última recordação, a última memória é eu assim a cambalear, a olhar e a ver um pozinho, com os olhos esbugalhados, e comecei a gritar. Estes gritos não me saem da cabeça“.
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Ao contextualizar a crise pessoal que atravessa, Tiago Grila atribuiu grande parte do descontrolo ao impacto emocional do término da relação com Adriana Bidarra.
O influenciador explicou que a rotina quotidiana no mês anterior já estava dominada pela dependência, intercalando transmissões em direto com a compra imediata de substâncias ilícitas, o que provocou um rombo orçamental de milhares de euros e o afastamento da própria equipa de trabalho: “Em setembro deito tudo a perder. Fazia uma live, ia buscar cocaína, fazia outra live, ia buscar. Folgava, não aparecia. Gastei 3 mil euros no último mês em branca. A minha equipa já sem mão em mim. Andavam a tapar buracos“.
A espiral autodestrutiva teve o seu ponto alto no início de outubro, quando decidiu deslocar-se propositadamente da Amareleja, no Alentejo, até à Área Metropolitana de Lisboa: “Até que tive a infeliz ideia… Estou farto disto, estou farto disto. Não pensei no suicídio. Não pensei em nada disso, mas poderia ter acontecido. Entro no hotel às 18h00“.
A deslocação até à capital teve como objetivo consumir sem que os familiares próximos se apercebessem da gravidade do estado em que se encontrava, tendo recorrido ao auxílio de um intermediário para assegurar a reserva do quarto por falta de fundos imediatos na sua conta bancária: “Tinha vindo da minha terra para Lisboa para me f***r todo. Não queria dar esse sofrimento à minha avó. Fiz uma viagem para me f***r todo. Um dos meus manager dos hotéis reservou o quarto. Eu já não tinha dinheiro para pagar o hotel. Ele adiantou do bolso dele 130 euros. Eu disse-lhe que lhe dava à meia noite porque já dava para levantar. Apanhei uma promoção 10 gramas de cocaína, deram-me mais duas, paguei 400 euros, não interessa. E foi consumir até perder os sentidos“.
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Instado por Tiago Paiva a especificar o que ocorreu no interior das quatro paredes em Queijas, Grila explicou que começou de imediato a alinhar doses sem qualquer moderação, consumindo sucessivamente e sem interrupções: “A primeira coisa que fiz assim que cheguei ao quarto foi começar a abrir sacos lá para cima. Abria um saco, fazia duas a três linhas por saco, fumava um cigarro e bora, bora. Perdi o medo, perdi o respeito. Abria os sacos com medo que alguém entrasse e já nem partia bem. Depois comecei a ter visões. Não foi uma trip“.
O consumo desenfreado de 12 gramas levou-o a um estado agudo de alucinações sensoriais, durante o qual tentava fazer contactos telefónicos aleatórios enquanto o quarto se transformava num cenário caótico de destruição física, até ao apagão total: “Estou a despejar os sacos, a falar com gajas aleatórias ao telemóvel. Comecei a ter alucinações. Olhei para a última grama e comecei a enxertar em tudo o que via. E era só a parede que estava quieta. Podia ter corrido mal. Eu podia ter-me atirado da janela. Não sou um fraquinho qualquer, embora esteja mais magro, perdi peso derivado aos consumos. Deixei aquilo num alvoroço e só me lembro de acordar na sala de reanimação“.
A descoberta do corpo ocorreu por volta das 11h20 do dia 2 de outubro pelas funcionárias da limpeza da unidade hoteleira, que se depararam com o espaço vandalizado, espelhos partidos e marcas de sangue por todo o lado. Levado de urgência para o Hospital São Francisco Xavier, o influenciador enfrentou um quadro clínico dramático, com falência orgânica e lesões corporais graves: “Um dos meus rins entrou em falência de filtração. Levei 12 ou 13 pacotes de soro. Estava completamente desnutrido. Fui encontrado porque o meu manager só pagou uma noite e às 11h20 vieram as mulheres da limpeza e encontram-me inanimado. Se tivesse pago duas ou três noites podia estar morto“.
Grila esclareceu que a gravidade das lesões o manteve preso às máquinas hospitalares durante quase uma semana: “Eu estava desmaiado, cheio de sangue. Parti o espelho, a parede toda marcada e os meus gritos não me saem da cabeça. Eu estive cinco dias numa sala de reanimação ligado por tubos. Tenho os dedos partidos“.
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Assim que recuperou a consciência na unidade de saúde, a sua prioridade imediata foi recorrer às redes para justificar a ausência perante os seguidores e pedir desculpa pelo alarme gerado, admitindo que o público começava a notar a degradação física nas transmissões: “Foi fazer logo uma live. Fiz um vídeo para avisar as minhas pessoas e pedir perdão, para me perdoarem. (…) Tirando o sofrimento que causei aos meus, estou grato por isto me ter acontecido. Eu não dormia, chegava à live a cair. A malta reparava e era um decréscimo financeiro. As pessoas perceberam que me andavam a pagar a droga, ‘então monta-te neste’“.
Apesar do susto e do risco iminente de morte, o criador de conteúdos revelou resistência em procurar acompanhamento médico e psicológico convencional para lidar com a adicção: “Eu não consigo neste momento estar num psicólogo. Neste momento o apoio dele são reels de motivação“.
Tiago Paiva questionou a viabilidade desta postura, perante o historial de consumo diário que antecedeu a paragem em Queijas, no qual Grila adquiria doses maciças a cada 48 horas: “No último mês consumi dia sim dia não. Fazia uma live, e só aparecia no dia seguinte. Eram médias de cinco gramas de dois em dois dias. Ia buscar por volta das seis da tarde e durava-me seis horas. Começava logo a cheirar no caminho. Só a seco, sem álcool. Não aconselho a ninguém. Não é uma coisa gira. Tu não sabes o que é estar numa sala de reanimação. As cinco gramas duravam-me seis horas. Fazia riscos grossos e depois um cigarrinho de coca a borbulhar“.
As consequências da dependência manifestavam-se no cansaço extremo, na perda de peso e na falta de paciência para criar publicações na internet: “A ressaca era o meu mau aspeto, olheiras. No dia seguinte sentia-me cansado, sem vontade de falar com pessoas, sem paciência, as graças a sair sem graça. Saltava vídeos, não fazia vídeos. Estive 64 dias limpo com a minha namorada mas era uma felicidade falsa. Ela não era especial, eu é que a fazia especial“.
A instabilidade emocional decorrente da rutura amorosa voltou a ser apontada como o principal gatilho para os comportamentos de risco e para o descontrolo financeiro, num quotidiano onde garantia obter receitas elevadas através das plataformas digitais: “Eu tiro em média 500 euros por dia, é a média. Eu sou um entertainer. Há muita camuflagem, ninguém diz que eu sou inseguro. Se eu fosse tão seguro não tinha recaídas atrás de recaídas. Eu não tinha que tapar vazios porque uma rapariga me fez sofrer. Porque me apaixonei loucamente, como nunca, pela última pessoa com quem estive oito meses“.
O choque de ter descoberto que a antiga companheira ocultava publicações no telemóvel abalou a sua estabilidade: “Levei-a ao México, lá está, a adição estava para o lado bom, porque o meu nível de vida também requer gastos. Cada grama de coca para mim é 40 euros. E estou com ela e vejo no telemóvel dela que tem 420 ocultos. Ela metia as histórias mas estavam 420 pessoas ocultas. Percebes a gravidade da situação que eu passei? Agora estou mais tranquilo porque não posso destruir a minha vida por causa de um amor“.