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Príncipe Harry abre o jogo sobre Diana: “Sou um príncipe, mas não tinha onde pôr a dor”

O duque de Sussex admite que passou quase duas décadas sem conseguir chorar a trágica morte da mãe.

Príncipe Harry passou quase duas décadas sem deitar uma lágrima após o desastre de viação que vitimou a princesa Diana, em Paris, no ano de 1997. Tinha apenas 12 anos.

O duque de Sussex, agora com 42 anos, decidiu quebrar o silêncio sobre esse bloqueio prolongado numa conversa com a neurocientista Mary-Frances O’Connor, professora de psicologia clínica e psiquiatria na Universidade do Arizona, lançada na quinta-feira, 8 de outubro, na plataforma MasterClass.

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Gravado na Califórnia, o episódio ‘Redefining Grief: Building Resilience Through Loss’ mostra o filho de Carlos III a recordar o longo período em que se manteve entorpecido. O príncipe admitiu: “Estava convencido de que aquilo era força, mas não era. Era um rapaz de 12 anos sem autorização para se desmoronar e sem um mapa sobre como sarar.”

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O peso do estatuto público acabou por intensificar o isolamento da criança. Harry lembrou: “Pensar-se-ia que eu tinha a melhor ajuda do mundo. Sou um príncipe, caramba, mas ainda estava em luto e não tinha onde colocar esses sentimentos.”

Foram as consultas de apoio psicológico que lhe deram finalmente margem para encarar a realidade. Até esse passo, a resposta automática servia de refúgio protetor: “Durante 15, 20 anos, quando me perguntavam: ‘Estás bem?’, a minha resposta era: ‘Estou bem.’ Era dormência, bloqueio emocional. E, sem eu saber, a adrenalina estava a empurrar-me, a guiar-me.”

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Essa inquietação impeliu-o para a vida militar aos 20 anos, acreditando que a farda o ajudaria a fugir às emoções. Chegou ao posto de capitão e esteve em cenário de guerra, mas o regresso do Afeganistão, em 2013, serviu de rastilho para outros traumas. Sobre a fuga para as Forças Armadas, contou: “Foi essa a força motriz que me levou a entrar para o exército aos 20 anos. Era a distração perfeita. Não conseguia pensar em muito mais para além da tarefa imediata. Não me conseguia lembrar do riso da minha mãe. Não me conseguia lembrar da cara dela. Sentia que tinha de estar triste para lhe provar que tinha saudades dela.”

O duque precisou de anos até compreender que honrar a memória da mãe não implicava uma tristeza perpétua: “Passei tanto tempo emocionalmente entorpecido, em grande parte, porque ninguém me disse que a alegria ainda era permitida. Que não era uma traição.”

Hoje, mantém esse propósito bem vincado: “Tudo o que faço, tudo aquilo em que invisto a minha energia, espero que a minha mãe se sinta orgulhosa.”

A sessão trouxe ainda à tona outros episódios da vida na realeza antes de ter renunciado às funções oficiais em 2020. O marido de Meghan Markle confessou ter sentido pânico absoluto antes de compromissos públicos e revelou que enfrentou duas semanas de depressão quando se mudou para o Canadá com a mulher e o filho Archie, em 2019.

Na rotina atual, cumpre à risca uma diretriz pessoal: nunca passa mais de dez dias afastado da família e dos dois filhos, o príncipe Archie e a princesa Lilibet.

O testemunho surge duas semanas depois de o tio de Harry, o conde Spencer, ter abordado a morte da irmã no livro ‘Swan Song: Diana, My Sister’. No próximo ano assinalam-se três décadas sobre a perda de Diana e circulam informações de que Harry poderá estar a preparar um documentário em sua memória. Enquanto isso, Meghan Markle foi vista esta semana em Londres a tomar chá com a ativista Malala Yousafzai no hotel Claridge’s.

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