Geral

Quando Chegaram os Primeiros Humanos às Américas? ADN Coloca Primeiros Humanos no Auge da Era Glacial

América Desabitada: O Debate Histórico e Genético sobre a Primeira Grande Migração

Apesar dos indícios apontarem para uma ocupação durante o Último Máximo Glacial, especialistas alertam para lacunas graves no mapeamento dos dados.

A chegada dos primeiros grupos humanos ao continente americano continua a dividir a comunidade científica, apesar dos avanços tecnológicos na sequenciação genética. Em contraste com outros pontos do globo, a ocupação das Américas deu-se numa fase comparativamente mais tardia.

GoogleTornar o Dioguinho a tua fonte preferida no Google

Embora a maior proximidade temporal com a era contemporânea pudesse sugerir uma investigação mais simples, a realidade tem-se revelado complexa e repleta de divergências interpretativas.

Uma recente revisão de literatura conduzida por investigadores da Universidade do Kansas veio sistematizar o conhecimento acumulado sobre as vagas migratórias. Com base numa vasta compilação de dados, a equipa estruturou três modelos cronológicos para a fixação humana: antes, durante ou depois do designado Último Máximo Glacial, período que os autores balizam entre 25 mil e 14 mil anos atrás, embora grande parte da literatura o situe entre 26 mil e 19 mil anos antes do presente.

Leia também: Ator de ‘Pretty Little Liars’ vive momentos de terror: Keegan Allen assaltado à mão armada (VÍDEO)

Os indícios reunidos apontam para uma entrada inicial fixada, no limite temporal mais recuado, há cerca de 21 mil anos, em pleno auge da última glaciação, que só terminou há sensivelmente 11.700 anos. O registo genético sugere que as populações fixadas na Sibéria ou na Beríngia se fragmentaram em grupos autónomos durante o pico de frio extremo, voltando a subdividir-se por volta de 16 mil anos atrás.

David Kilby, arqueólogo da Universidade Estadual do Texas, salientou ao portal Gizmodo que “os resultados desta síntese genómica estão em estreita consonância com as nossas evidências arqueológicas mais confiáveis“, considerando o trabalho “um excelente exemplo de como essa relação pode funcionar para solucionar uma de nossas questões mais persistentes: como e quando os ancestrais dos nativos americanos contemporâneos vieram ocupar estes últimos continentes desabitados“.

A discussão em torno do povoamento evoluiu substancialmente desde o século XIX, altura em que se debatia se o movimento teria ocorrido durante o Pleistoceno. Embora essa era geológica seja hoje aceite de forma consensual, o intervalo exato permanece sob discussão. Nos últimos 16 anos, a comunidade científica publicou 257 genomas completos de antigos habitantes do continente. Jesse Tune, arqueólogo da Universidade do Mississippi, frisou a importância deste marco: “Isso dá mais de um por mês durante 16 anos. Nesse período, outros 1.204 conjuntos de dados genómicos completos foram publicados. Incrível”.

Leia também: Após Cláudio Ramos ‘atirar-se’ a Nuno Brito, ex-concorrente do «Big Brother», reage!

Contudo, persistem fragilidades metodológicas na amostragem recolhida. As autoras Jennifer Raff, Savannah Hay e Bethany Potter admitiram que amostras de locais muito antigos e já validados, como White Sands, apontam para datas na ordem dos 23 mil anos, mas esses registos revelam que a linhagem em causa pouco contribuiu para as populações indígenas atuais, complicando a interpretação global.

O próprio fóssil da criança de Anzick, datado de 12.800 anos e considerado o genoma mais antigo recuperado nas Américas, não permite confirmar se reflete as correntes migratórias primitivas. Caso a estimativa dos 21 mil anos venha a confirmar-se, as primeiras vagas teriam pertencido a ramos genéticos extintos ou raros. “Este artigo é uma revisão da literatura, portanto, em vez de contribuir com dados inéditos, compilamos artigos recentes e consideramos suas descobertas como um todo“, explicaram os autores.

A leitura dos dados arqueológicos apresentada no estudo motivou também reservas entre outros especialistas. Ben Potter, arqueólogo da Universidade do Alasca Fairbanks, manifestou desconfiança face ao peso atribuído a certas fontes e defendeu que “a maioria dos meus colegas prefere o modelo pós-Último Máximo Glacial, após 16.000 a 14.000 anos atrás, assim como a maioria dos arqueólogos“.

Apesar das perspetivas divergentes, a articulação interdisciplinar continua a ser encarada como o caminho determinante para desvendar este capítulo histórico. Conforme rematou a equipa da Universidade do Kansas, a investigação exigirá novas recolhas no terreno: “Ainda há muito a aprender, e é importante ter a mente aberta. Nossa principal conclusão deste projeto é a necessidade de dados adicionais à medida que continuamos a explorar o povoamento das Américas“.

Publicidade

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo