A febre do futebol regressa com o Mundial de 2026, mas acompanhar a seleção nacional ao vivo tornou-se um luxo quase inacessível.
Em Miami, o bilhete mais barato para ver Portugal defrontar a Colômbia custa cerca de 2.500 euros. Se recuarmos a 2022, é ainda mais percetível a inflação praticada. No Qatar, os bilhetes mais acessíveis custavam perto de 10 euros para residentes no país, enquanto os adeptos internacionais pagavam apenas 61 euros.
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A diferença faz com que o valor a pagar agora seja quarenta vezes superior. Através do novo sistema de preços dinâmicos, um lugar para o embate entre Uruguai e Espanha, na fase de grupos, valorizou 126% em apenas seis meses. Nas eliminatórias, o cenário agrava-se de forma drástica. Uma meia-final está a ser comercializada por cerca de 9.500 euros. Na revenda, os bilhetes que custavam originalmente 385 euros estão agora a ser transacionados por 19.000 euros.
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É na reta final da competição, com jogos agendados para Nova Iorque, que a escalada de preços sobe a fasquia.
O bilhete mais barato da primeira fase de vendas equivale a quase metade do salário mínimo português, fixando-se nos 460 euros. Já no site oficial de revenda da FIFA, os valores atingem proporções surreais, com ingressos a rondar os dois milhões de euros cada. Há, inclusivamente, um bilhete a atingir o preço recorde de mais de nove milhões e meio de euros.
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A comparação histórica acentua os elevados custos praticados atualmente. No Mundial de 1994, também nos Estados Unidos, um bilhete de primeira categoria para a final custava cerca de 43 euros, um valor que, ajustado à inflação de hoje, rondaria os 96 euros. Mais longe ainda, em 1982, no campeonato realizado em Espanha, o preço de entrada era de apenas 4,81 euros.
Para a esmagadora maioria que fica em Portugal, a alternativa será acompanhar a seleção nacional através do pequeno ecrã. A equipa das quinas prepara-se para entrar em campo na fase de grupos, com os encontros a serem transmitidos em sinal aberto através da RTP, SIC e TVI, em simultâneo com a cobertura total assegurada pela Sport TV.
Devido ao fuso horário da América do Norte, os adeptos portugueses terão de se preparar para assistir aos jogos ao final da tarde, ao início da noite e, em alguns casos, já de madrugada, exigindo noitadas para apoiar a equipa de todos nós.
Com os transportes para os estádios a encarecer de 11 para 86 euros, e a FIFA a cobrar cerca de 30% de comissão por cada revenda oficial, a organização prevê alcançar um encaixe financeiro recorde, a roçar o dobro da receita do último campeonato do mundo.
Resta agora saber se, com estes preços astronómicos, o espírito de festa das bancadas se mantém vivo ou se assistiremos a uma elitização irreversível de um espetáculo que outrora era para todos.