«Curva da Vida»: Ana Luisa do ‘Big Brother Verão’ revela trauma familiar e 40 títulos nacionais no atletismo
A concorrente do 'Big Brother Verão' partilhou uma vida de superação, marcada por sacrifícios e conquistas no desporto e na maternidade.
Ana Luisa, concorrente do ‘Big Brother Verão’, abriu o coração na ‘Curva da Vida’ deste domingo, 26 de julho de 2026, partilhando uma história de superação.
Nascida a 11 de novembro de 1972, a sua infância, feliz até aos 12 anos, deu uma volta de 180 graus.
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Foi nessa idade que a vida mudou por completo, quando o pai sofreu um acidente vascular cerebral. Perdeu a fala e a visão, e era o único sustento da família.
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Com o pai incapacitado, a casa dependia apenas do dinheiro da reforma. Ana Luisa lembra-se de ter de contar tostões ou de a mãe a enviar à loja para comprar bens essenciais e “assentar no livro” as dívidas. “Eu sabia que até era hábito fazerem aquilo, mas eu não gostava. Eu tinha muita vergonha”, confessou.
A família tinha a responsabilidade de cuidar do pai que, apesar das sequelas, mantinha a consciência. O receio de que ele atentasse contra a própria vida, por não os conseguir criar, era constante. A falta de saneamento em casa obrigava-a a procurar alternativas para a higiene: ia tomar banho à escola ou à casa do povo.
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Aos 14 anos, Ana Luisa começou a trabalhar o verão inteiro. “Eu tinha que ir às 6 da manhã e ia trabalhar para o Carregado, a carregar fruta”, contou. O calor era extenuante, e apesar de se sentir mal, não podia “dar o braço a torcer”.
O medo de ser dispensada pelo patrão era real, pois precisava daquele dinheiro. Foi aí que começou a ganhar força.
Já com os seus próprios rendimentos, conseguia ir para a escola e comprar “os ténis que eu achava bonitos para mim”, sentindo-se, finalmente, “igual” aos colegas. Foi como “sair da linha debaixo de água” e começar a “aparecer”.
Um dia, enquanto via ‘Desporto’, puseram-lhe um disco na mão. Explicaram-lhe como se fazia o lançamento, e de imediato conseguiu mínimos para os campeonatos nacionais do Inatel.
Sem dinheiro para comprar o equipamento, treinava num campo perto de casa, usando uma malha de chinquilho. Com apenas 16 anos, e sem saber sequer rodar, lançava “parada” e conseguiu ser campeã nacional. “Senti orgulho em mim própria”, recordou.
Aos 18 anos, terminou a escola, pois a mãe já lhe tinha avisado que não haveria dinheiro para a universidade.
Começou a trabalhar numa fábrica de máquinas de café e torradeiras, onde conheceu o seu namorado, que é seu companheiro de vida até hoje. “Há alguém, um dia na fábrica, me diz que achava que ele gostava de mim”, partilhou.
Ele foi o seu primeiro namorado, aquele que apresentou aos pais e levou a casa, “mesmo com a casa que eu tinha”. “E ele aceitou-me como eu era”, frisou.
Sentia-se feliz e apoiada por ele e pela sua família. Casou-se em 1999, um ano que também lhe trouxe “muitos sustos”. Ana Luisa descobriu que estava grávida a 1 de abril, mas a meio da gestação, numa ecografia, soube que o filho, João, tinha pé boto bilateral. “Foi difícil. Nunca quis tirar o menino. Estava fora de questão”, garantiu.
João nasceu a 4 de dezembro. O bebé teve muitas dores, usando gessos durante um ano. Em 2000, foi operado, mas uma agulha ficou presa no pé, o que exigiu nova intervenção. “Eu já estava tão cansada de o ver sofrer, que já não podia mais”, desabafou.
Via-se “no final da linha”, mas a esperança de ver os pezinhos do filho “direitos” deu-lhe mais força. “Eu estava a ver que o sofrimento dele estava a acabar”, explicou.
Em 2001, Ana Luisa embarcou numa nova aventura, que descreveu como “uma maloqueira”: uma experiência no ‘Caminho do Panamá’, com outros 15 concorrentes. Foi “brutal”, e chegou à final.
“Ainda hoje me dói ter ficado em segundo. Nunca passei tanta fome”, atirou. Contou que, após essa experiência, percebeu: “Vim [de lá] impelida, mas depois passei a ver que nós somos felizes com tão pouco. Mas, acima de tudo, aquilo que fica é um sentimento de realização.”
Como se não bastasse, quando estava prestes a embarcar para Portugal, deu-se o ataque às Torres Gémeas. “Eu vejo corpos a cair. Eu vi tanta confusão e pensei: como é que eu chego a casa?”, recordou. Dias depois, viajou para Santiago do Chile e só então conseguiu regressar a Portugal, onde a família a esperava.
Pensava que João “já não se lembrava” dela ou que “não a ia conhecer a cara”, mas ele reconheceu-a. Nunca quis ter apenas um filho. Em 2005, nasceu Martim, “mais um ser maravilhoso” que a espera em casa.
Martim é, atualmente, campeão nacional de Muay Thai. Com ele, Ana Luisa encontrou o “sossego” e pôde “saborear a maternidade”, contrastando com a experiência de João, em que tinha de “ir a correr para o hospital”. Martim estava bem.
Aos 39 anos, nasceu Petra. A gravidez foi inesperada, e Ana Luisa já tinha a sua loja. A grande questão era como conseguiria criar a menina.
“Eu não sabia como é que eu havia de fazer”, admitiu. Houve momentos em que se viu a tirar leite com uma bomba, “atrás da porta” da casa de banho da praça, para que as pessoas pudessem passar. Lembra-se de ouvirem: “Ana, tu tens pessoas para atender”, mas, como diz, “quem está à espera não quer saber”. “Isso custou-me”, confessou.
Entre os 40 e os 53 anos, dedicou-se ao ginásio. Quando Petra cresceu, regressou ao atletismo e tornou-se campeã nacional “perto de 40 vezes”. A concorrente revelou que já pensava no ‘Big Brother’ (“bebê”) há muito tempo. Antes, esteve no ‘Survivor’, uma experiência que “queria conhecer, que queria viver”.
Hoje, no ‘Big Brother Verão’, Ana Luisa concluiu a sua ‘Curva da Vida’ com um desabafo: “Esta experiência é um borbulhão de emoções. Vocês mexem com a gente. Vamos lá ver onde é que isto vai dar.”