A infância de privações e fome que marcou o percurso de vida de Cristiano Ronaldo
Cristiano Ronaldo recorda os tempos em que dependia de sobras para comer: "Vivi a minha infância sem dinheiro"
O craque recordou como a generosidade de funcionárias de uma cadeia de comida rápida foi determinante numa das fases mais duras da sua vida.
O legado de Cristiano Ronaldo no futebol mundial dispensa apresentações. Detentor de cinco Bolas de Ouro e de recordes impressionantes nas principais ligas europeias, o capitão da seleção nacional construiu uma carreira que o coloca no topo do desporto de elite.
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Contudo, por trás da imagem de triunfo e disciplina, esconde-se uma história marcada por exigências e privações. Muito antes de encher estádios, o avançado viveu uma infância moldada por limitações financeiras, pela distância da família e pela urgência em vencer e, com apenas 11 anos, deixou a ilha da Madeira para perseguir o sonho do futebol profissional, enfrentando a precariedade ao ponto de passar fome e depender da solidariedade alheia.
O episódio veio a público durante uma conversa com o jornalista britânico Piers Morgan, na qual o jogador recordou a fase em que se mudou para a academia do Sporting Clube de Portugal. “Vivíamos no mesmo lugar que os outros rapazes da formação. Ver a minha família era muito difícil, só podia viajar de três em três meses. Foi um período muito duro sem eles“, confessou o atleta.
À distância familiar somavam-se as dificuldades económicas. Com recursos escassos, as noites eram frequentemente marcadas pela fome, o que levou o jovem futebolista e os companheiros a criar uma rotina diária no final dos treinos: dirigiam-se à porta traseira de um estabelecimento de comida rápida próximo do estádio, na esperança de obter os produtos que não tinham sido vendidos.
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As funcionárias do espaço acabavam por entregar o excedente do dia que, de outra forma, seria descartado. “Quero encontrar estas mulheres para as convidar a jantar comigo em Turim ou Lisboa e devolver-lhes tudo o que fizeram por mim. Nunca me esqueci desse momento, significou muitíssimo“, afirmou o futebolista.
O testemunho foi corroborado por Fábio Paim, que partilhou balneário com o craque nas camadas jovens dos leões. “Íamos recolher os hambúrgueres que já ninguém queria. Estávamos lá todas as noites“, explicou o antigo jogador numa entrevista ao jornal The Sun.
Nascido num lar humilde no Funchal, onde a mãe, Maria Dolores dos Santos Aveiro, trabalhava como cozinheira e limpadora, e o pai, José Dinis Aveiro, era jardineiro municipal e contínuo num clube local, Cristiano Ronaldo cresceu a partilhar quarto com os irmãos. As origens modestas e as adversidades vividas em Lisboa – onde chegou a enfrentar episódios de troça devido ao sotaque madeirense e a superar um problema cardíaco aos 15 anos – acabaram por consolidar a resiliência que hoje o carateriza.
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