
Janis Winehouse não tem dúvidas: a filha, Amy Winehouse, sucumbiu à pressão da fama, tornando-se “vítima do próprio sucesso” antes da morte trágica, aos 27 anos, por intoxicação alcoólica.
Quinze anos depois da partida da cantora, a 23 de julho de 2026, a mãe recordou a sua vida sob os holofotes e nos palcos mundiais, partilhando confissões dolorosas sobre a luta da filha contra a vida pública. A morte de Amy, aos 27 anos, foi atribuída a intoxicação alcoólica, depois de um combate público e prolongado contra o abuso de substâncias.
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Janis Winehouse contou que o enorme talento da filha e a carreira estrondosa acabaram por a tornar refém de uma vida que muitos sonhavam, mas que Amy não desejava. “Ela foi uma vítima do próprio sucesso. Não o queria, mas ele perseguiu-a. E ela diria, ‘Quem, eu?'”, declarou a mãe da artista.
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A cantora nunca se sentiu à vontade com a dimensão da fama que alcançou em todo o mundo, um sucesso que teve um preço esmagador. A luta de Amy contra a falta de autoconfiança contribuiu para a espiral descendente, e o álcool surgiu como um refúgio.
Para Janis, a adição é complexa e difícil de compreender para quem não a enfrenta. Explicou ao iNews que, uma vez “agarrado”, a dependência tóxica de substâncias nocivas assume o controlo, tornando quase impossível abandonar esse caminho.
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A perda de uma filha é um golpe que muda tudo para uma mãe, e Janis nunca ultrapassou a dor de luto por Amy. Contudo, encontrar propósito e transformar a sua tristeza em algo que a filha aprovaria, deu sentido à sua resiliência. Janis vê a sua força como uma homenagem à forma como Amy encarava a vida e à sua determinação em seguir em frente, apesar das dificuldades. Nos anos que se seguiram à morte da artista, Janis e a restante família transformaram a dor na criação da Amy Winehouse Foundation.
A instituição de caridade apoia crianças e jovens, promovendo a autoconfiança. A fundação gere também a ‘Amy’s Place’, uma casa de recuperação em Londres para mulheres que superam a adição.
Jane Winehouse, madrasta de Amy, contou que a família fundou a instituição para transformar uma “situação angustiante” em algo vital. Acredita que a cantora estaria a “sorrir do céu” ao ver o impacto da fundação, que reflete a natureza empática de Amy e ajuda pessoas com problemas de adição a encontrar recuperação.
Em 2015, quatro anos após a sua morte, o trailer do documentário ‘AMY’, do realizador Asif Kapadia (vencedor de um BAFTA), voltou a dar que falar. O filme revelou vídeos caseiros inéditos, gravações nunca antes ouvidas e momentos íntimos da ascensão de Winehouse ao estrelato.
A VOA News divulgou que, no documentário, a cantora expressou medos que se revelariam proféticos e dolorosos. A artista, seis vezes vencedora de Grammys, confessou que nunca acreditou ser capaz de gerir as exigências da vida de celebridade: “Não acho que vá ser famosa; não acho que conseguiria lidar com isso. Provavelmente ficaria louca”, atirou Amy. No ecrã, uma versão mais jovem da cantora surgia a cantar, a rir e a refletir sobre os seus sonhos, enquanto ‘Back to Black’ tocava.
Amy admitiu que nunca esperou que a música se tornasse a sua profissão, encarando o canto como um plano B, caso precisasse. Numa entrevista de 2004, no festival MTV Summercamp, Amy dizia, com confiança, que não era uma estrela nem famosa em lado nenhum, o que lhe permitia andar na rua tranquilamente.
A preferência de Amy por uma vida longe dos holofotes talvez se explicasse pela origem humilde dos pais: Mitch, taxista e cantor, e Janis, farmacêutica. Em 2023, numa entrevista à PEOPLE, os pais confessaram ter sido os primeiros a testemunhar o talento de Amy, que se manifestou desde cedo.
Mitch e Janis casaram-se em 1976, tiveram o primeiro filho, Alex, em 1980, e Amy, em 1983. Mitch contou na mesma entrevista que, após a sua morte, o que mais lhes importa é mostrar ao mundo a verdadeira Amy: a personalidade generosa e leal escondida por trás de uma imagem pública tão complexa.
Nos piores momentos, enquanto Amy lutava publicamente contra a adição ao álcool e drogas, e distúrbios alimentares, os pais foram o seu apoio incondicional. Após a morte da cantora, Mitch revelou que Amy tinha superado a adição a drogas e estava há várias semanas sem beber. Lembrou-se de que ela estava mais feliz do que nos últimos anos, o que tornou a sua morte súbita ainda mais desoladora.
Em abril de 2026, Mitch Winehouse perdeu uma batalha legal importante, como noticiou o The Blast. O pai de Amy acusou Naomi Parry e Catriona Gourlay, amigas próximas da cantora, de má gestão de mais de um milhão de dólares em vestuário da artista.
O pai da cantora, que também geria o seu espólio, alegou em tribunal que processou Naomi Parry e Catriona Gourlay por leilões de vestuário realizados em 2021 e 2023, os quais teriam acontecido sem a sua aprovação. As duas mulheres defenderam que as peças lhes pertenciam ou tinham sido um presente de Amy antes da sua morte, em 2011, incluindo o vestido que usou no seu último concerto na Sérvia.
A juíza Sarah Clarke rejeitou o processo, sublinhando que Mitch tinha conhecimento do leilão de 2021 e até procurou desviar 70% das receitas para o espólio de Amy, em vez de as destinar à Amy Winehouse Foundation. A juíza observou ainda que Mitch parecia querer que outros fizessem o seu trabalho. Documentos judiciais alegaram que Mitch ofereceu a Parry 250 mil dólares em troca das receitas do leilão, dizendo-lhe que isso “ajudaria a esconder os rastos”.
Parry, segundo relatos, recusou a proposta, afirmando que “preferia queimar o dinheiro a entregá-lo”. Após a decisão de Clarke, Parry manifestou o seu alívio por ver o seu nome ilibado, depois de anos de alegações falsas e prejudiciais sobre a sua amizade com Amy.