Rating e share: saiba o que medem e como funcionam as audiências televisivas em Portugal
Saiba a diferença entre rating e share e perceba como são medidas as audiências de televisão em Portugal através do sistema de audimetria da GfK.

Sempre que se fala da “guerra das audiências” entre a SIC, a TVI e a RTP, dois termos dominam a conversa: o rating e o share.
Apesar de serem frequentemente confundidos, medem realidades distintas e a diferença entre eles é essencial para perceber o que os números realmente dizem sobre o consumo televisivo em Portugal.
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O rating mede a verdadeira dimensão da audiência de uma estação ou de um programa televisivo, ou seja, quantas pessoas o viram, correspondendo ao número médio de indivíduos que assistiram a determinada emissão.
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Num universo total que em Portugal ronda os 10 milhões de espectadores, composto pelas pessoas com 4 ou mais anos residentes em território continental, cada ponto percentual (1%) de rating equivale, com reduzida margem de erro, a cerca de 100 mil pessoas. Assim, quando se diz que um programa teve 20% de rating, isso significa que foi acompanhado por cerca de um quinto do universo total, o que representa quase 2 milhões de telespectadores.
Por sua vez, o share (ou quota de mercado) funciona como um valor relativo e comparativo, expresso em percentagem, que tem sempre por referência apenas o total de pessoas que estavam com a televisão ligada num preciso momento ou dia. É através deste número que se percebe quais foram os programas e os canais preferidos pelos espectadores face às propostas concorrentes emitidas à mesma hora ou na mesma data. Por outras palavras, se uma emissão registou 20% de share, significa que, de todas as pessoas que estavam a ver televisão naquele período, uma em cada cinco escolheu esse canal.
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Para distinguir os dois conceitos de forma prática, basta imaginar um universo fictício de 10 milhões de espectadores em que, numa determinada noite, apenas 2 milhões estão a ver televisão. Se um programa for visto por 500 mil pessoas, o seu rating é de 5% (500 mil em 10 milhões do universo total), mas o seu share sobe para 25% (500 mil num total de 2 milhões de televisões ligadas).
Como é calculado sobre um denominador mais pequeno, o share é sempre igual ou superior ao rating. É também por esse motivo que apenas o rating revela quantas pessoas viram de facto uma emissão, uma vez que um share muito elevado num horário de baixo consumo (como a madrugada) pode traduzir-se num número absoluto modesto de espectadores. Ainda assim, por permitir conclusões diretas sobre a quota de mercado e a competitividade de cada aposta frente à concorrência, o share assume particular relevância para anunciantes, agências de meios e direções de programas.
Em Portugal, a medição oficial destes indicadores é realizada pela empresa GfK, mediante contrato com a Comissão de Análise de Estudos de Meios (CAEM), entidade que viu a sua concessão renovada até março de 2028. O sistema assenta na audimetria: um painel de famílias representativas da demografia nacional tem instalado em casa um aparelho chamado audímetro, que regista, minuto a minuto, o canal que está a ser sintonizado e que elementos do agregado familiar estão em frente ao ecrã, permitindo extrapolar os resultados para o universo nacional.
Na prática, o rating (focado na dimensão absoluta da audiência face aos cerca de 10 milhões de portugueses) e o share (focado na quota face à concorrência entre as televisões ligadas no momento) funcionam como a verdadeira moeda da indústria televisiva. São estes dois dados que orientam diariamente as grelhas de programação das estações e determinam o valor comercial dos espaços publicitários.