
Durante a sua participação no The Leite Show, conduzido por Flávio Furtado, Leonor Seixas analisou o estado atual da ficção e da cultura em Portugal.
Habituada a dividir a vida entre Lisboa e os Estados Unidos há duas décadas, a atriz mostrou-se agradecida por nunca lhe ter faltado trabalho no seu país de origem, mas deixou reparos à escassez de investimento no setor: “Sou muito grata a Portugal e muito grata por poder ser atriz, porque eu podia estar a tentar ser atriz nos Estados Unidos e ter que fazer outra coisa aqui, como muita gente. Mas também tenho que dizer que acho que é um país que não apoia a cultura, que não valoriza muito a cultura. Portanto, temos cada vez menos dinheiro, cada vez menos apoio, vai-se fazendo cada vez menos coisas, o que é estranhíssimo.”
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A intérprete confessou que continua a lutar por uma oportunidade sólida no mercado norte-americano, onde sente que o mérito depende muitas vezes de um fator imponderável: “Continuo a batalhar pela minha carreira nos Estados Unidos, que eu queria muito, porque acho que lá se faz muito, faz-se bem, faz-se diferente. Além de que, por acaso, também sou americana e sinto mesmo que é casa.” Questionada sobre os entraves para singrar lá fora, apontou o fator sorte: “Há quem diga que a sorte é estar no sítio certo, à hora certa. Não! Eu já estive muitas vezes no sítio certo, à hora certa, com pessoas importantíssimas, e não aconteceu.”
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Confrontada por Flávio Furtado sobre a tendência atual de escolher elencos com base nas métricas digitais, Leonor Seixas confirmou que essa prática existe e não escondeu o seu desagrado. Embora aceite que modelos, influenciadores ou fotógrafos queiram experimentar a área, exigiu respeito pela preparação técnica: “Acho que é muito importante estudar, que é uma coisa que se está a desvalorizar. Acho que é importante cultivarmo-nos sobre o trabalho que nós queremos fazer. E acho que é uma maneira horrível de se banalizar a minha profissão deixar tanta gente entrar que não tem cursos, nem movimento cultural. Acho que é triste, a mim entristece-me imenso.”
Para a atriz, o alcance nas redes sociais não pode substituir o talento na hora de definir um elenco: “Claro que às vezes também são importantes os seguidores no Instagram, porque é uma realidade que nós temos hoje em dia. Ajuda nas produções, porque é uma promoção grátis. Agora, se isso for uma condicionante em maioria, acho uma tristeza, porque acho que não é assim que se contratam atores.”
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Apaixonada por cinema, teatro e televisão, Leonor Seixas revelou ainda a sua filosofia otimista para lidar com as rejeições nos testes de seleção: “Quando vou fazer os castings é uma oportunidade que eu tenho de estar a representar, nem que sejam dois minutos. Se querem, ótimo. Se não querem, ótimo também para outra pessoa, porque o papel não era meu. Para mim um não, não é um não. Nunca pensei assim, o papel é de outra pessoa.”
Na mesma conversa, a convidada desmistificou a ideia de que os beijos nas gravações possam despertar interesse amoroso, garantindo que o ambiente de estúdio retira qualquer romantismo ao momento: “Não há beijos técnicos, tu beijas. A técnica é mais mental, porque tem imensa gente, tem imensas câmaras, é tudo coreografado. É zero excitante.”
A atriz explicou que tudo é combinado previamente com o par romântico com total naturalidade: “Normalmente eu falo com os meus colegas. Pergunto ou eles perguntam. Os beijos sem língua são sempre os mais bonitos. Tenho que fazer o que é melhor para a personagem, para a cena. Estar a dizer ‘queres beber café?’ ou ‘vamos beijar com língua ou sem língua?’ para mim é completamente normal.”