
Os abusos sexuais nos bastidores da televisão e da comunicação social continuam bem presentes no dia a dia.
O alerta partiu este domingo, 8 de novembro, de Lisa Nandy, na sequência da decisão judicial que declarou Russell Brand culpado de violação e agressão sexual. A ministra da Cultura britânica defende uma intervenção firme das empresas para proteger as profissionais do setor.
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“Em consciência, não posso garantir que isto não esteja a acontecer [atualmente]”, declarou Nandy aos microfones da BBC. Para a governante, as estruturas do meio audiovisual não aprenderam a lição com casos semelhantes ao do antigo apresentador.
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Desde que chegou ao cargo executivo, Nandy garante ter recebido relatos diretos de profissionais que quiseram partilhar queixas de abusos sofridos no meio. A governante apontou o dedo aos desequilíbrios hierárquicos, vincando que a proliferação de vínculos precários e o trabalho temporário deixam o público feminino particularmente desprotegido.
“Não vejo grandes mudanças na forma como as instituições dos meios de comunicação social e da vida pública, incluindo a política, tratam as mulheres que se atrevem a denunciar”, rematou a responsável pela tutela cultural.
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Face a este cenário, a governante pediu a todas as companhias de entretenimento e comunicação social que formalizem a adesão à Autoridade Independente de Normas das Indústrias Criativas (CIISA). Trata-se de uma entidade criada especificamente para acompanhar e salvaguardar quem dá o passo em frente para expor condutas abusivas no trabalho, organismo ao qual a própria BBC já se associou formalmente.
Brand, que alcançou enorme notoriedade mediática nos anos 2000, acabou considerado culpado de violar uma fã e de agredir sexualmente três mulheres que trabalhavam nos media. Os factos remontam ao intervalo temporal entre 2004 e 2009.
O ator e comediante, de 51 anos, foi condenado na quinta-feira, 5 de novembro, e vai ouvir a leitura da sentença esta segunda-feira, 9 de novembro. O magistrado responsável pelo processo já adiantou que o britânico arrisca uma “pena de prisão significativa”.
Perante o desfecho judicial, a BBC, estação onde o humorista conduziu emissões de rádio entre 2006 e 2008, veio sublinhar publicamente que “não pode haver lugar para o abuso de poder”, apelando ao esforço conjunto de toda a indústria para apoiar potenciais vítimas. Já o Channel 4, onde Brand igualmente deu a cara por vários projetos, lamentou o “profundo impacto destes crimes” e lembrou o endurecimento dos procedimentos internos de denúncia implementados na sua estrutura.