Curva da Vida – Sara do ‘Big Brother’ aos 21 anos: De vítima de bullying a gerente do ‘Café Alos’
Na escola, Sara era alvo de insultos como 'vaca, porca, gorda', e mais tarde, aos 14 anos, sofreu um trauma sexual que escondeu por quatro anos.
Sara, concorrente do ‘Big Brother Verão 2026’, abriu o coração na ‘Curva da Vida’ apresentada neste domingo, 23 de agosto de 2026.
A gerente de um café familiar em Guimarães partilhou um percurso de vida marcado por traumas, revelando como as adversidades a moldaram, tornando-a a mulher de 21 anos que é hoje.
Tornar o Dioguinho a tua fonte preferida no Google
Nascida a 21 de setembro de 2004, a caçula de três filhos, Sara descreveu-se como uma criança “muito feliz, muito extrovertida”, mas a escola transformou essa alegria em solidão. “Eu era uma criança mais gordinha e todos os dias eu ficava sozinha, eu não tinha ninguém para brincar ou para falar”, contou.
Leia também: “Alô Portugal” da SIC vence as manhãs de sábado e bate o “Em Família” da TVI
A mãe tentou ajudar Sara a gostar mais de si, fazendo-lhe uma marrafa no cabelo, mas o entusiasmo inicial desfez-se no dia seguinte, quando chegou à escola. “Fui gozada de belo máximo mesmo”, lembrou, explicando que, a meio de uma aula, foi à casa de banho e “cortei rente a garrafa para ela desaparecer”.
Esse episódio foi a “gota d’água” para a mãe, que a transferiu para outra escola. Sara esperava uma mudança, “pensei que uma vez na vida ia ter amigos”, mas a realidade foi “mil vezes pior”. Recordou-se de ser uma das três meninas mais excluídas, alvo de insultos constantes: “chamavam-me muito vaca, porca, gorda. Na verdade, nojenta, caixa de óculos”.
Leia também: ‘Big Brother Verão’ – Tudo o que se vai passar na gala de hoje!
Tentou esconder a situação da família, mas a dor tornou-se insuportável. “Chegou um ponto que eu contei que estava a ser a mesma coisa ou pior”, admitiu. Questionava os pais: “porque é que eles me fizeram assim e porque é que eu sou diferente e porque é que eu não posso ser bonita como elas”. Aos oito anos, após a mãe procurar ajuda médica, Sara já tomava antidepressivos. “Senti que aquilo estava-me a matar”, revelou.
Um novo médico retirou-lhe a medicação, e foi aí que “senti-me mais eu, quando eu consegui rir e rir-me sem precisar daquela medicação”. Repetiu o 4º ano, mas com uma turma diferente, que a aceitou. “Foi aqui que eu renasci”, atirou. “Foi aqui que eu comecei a ser a Sara, Sara brincalhona, Sara extrovertida”.
A estabilidade foi abalada quando a mãe descobriu um tumor cerebral, exigindo uma operação urgente. Sara, então com 12 anos, viveu com o medo constante de perdê-la. “Estávamos com medo que corresse mal a operação e que pudéssemos não voltar a vê-la”.
A operação correu bem. “No fim da operação fui ao quarto vê-la e ela estava com os seus furinhos na cabeça e com um sorriso na cara. A minha mãe é mesmo isto”, contou, comovida. Foi nesse período que Sara sentiu a necessidade de amadurecer. “A vida me obrigou a crescer”, reforçou, explicando que a família se uniu para apoiar o pai.
Aos 14 anos, enfrentou o que descreveu como “a pior coisa de sempre”: a perda da virgindade “da pior maneira possível” numa festa de anos. “Não correu como eu esperava. Muitos homens deviam aprender a ouvir a palavra não”, alertou. Sentiu “vergonha por uma coisa que não fui eu que fiz”, e guardou o segredo, sofrendo sozinha durante quatro anos. Só aos 18 anos “fui capaz de contar” aos pais.
Aos 17, um novo relacionamento ajudou-a a “curar estes traumas”. “Ele reergueu-me”, garantiu. Após o 12º ano, o pai propôs-lhe assumir um café, o ‘Café Alos’, em Guimarães. Sara aceitou o risco, e a experiência “fez-me crescer”.
O primeiro relacionamento terminou, em parte, por interferência externa. Seguiu-se um “pior erro”: um segundo namorado. “Ele era muito agressivo e ele quando consumia, ou quando falava para mim, ou quando bebia, quando estava fora dele, ele tornava-se uma pessoa que eu não conhecia”, descreveu. Sara sentiu-se presa, criando uma dependência. “Mesmo que eu quisesse sair, eu já não conseguia”, admitiu.
Após seis meses, a relação chegou ao fim. As dificuldades não pararam. O ex-namorado perseguiu-a, ameaçando-a e agredindo-a num local que Sara frequentava com amigos. “Ele agarrou-me, ele empurrou-me, ele partiu o meu telefone. Fiquei com o negro assim nos braços”, detalhou.
Foi nesse momento que Sara decidiu agir. “Jurei que não ia deixar que mais nenhum homem me fizesse isto e ficasse impune”, atirou. Apresentou queixa.
Depois de um ano e meio sozinha, a concorrente de Guimarães entrou no ‘Big Brother’. “Vim viver o sonho da minha vida”, disse, descrevendo a experiência como “incrível” e “desafiante”. Aos 21 anos, no programa, percebeu a sua própria capacidade. “Aqui eu consegui perceber que eu consigo. E com 21 anos, com tudo o que eu passei, acho que estou exatamente onde eu queria estar”, finalizou.