“Enganou tudo e todos”: V+ Fama disseca escândalo da herança milionária e das dívidas de Joe Berardo
Adriano Silva Martins lançou o debate sobre a herança do empresário que está envolta em polémica. Pimpinha Jardim compreende a posição da família, mas questiona as garantias dadas às instituições bancárias.
O caso da herança antecipada de Joe Berardo foi o tema quente da mais recente emissão do V+ Fama.
O empresário, uma das figuras mais controversas do país, acumula dívidas bancárias à Caixa Geral de Depósitos, BCP e Novo Banco que superam a impressionante marca de mil milhões de euros. No entanto, segundo as últimas informações, a sua família estará a tentar encontrar uma forma de assumir os ativos da sua herança, que incluem a vasta coleção de arte e diversas empresas, sem ter de pagar este passivo colossal.
Adriano Silva Martins introduziu o tema assumindo a confusão em torno de um homem que ainda está vivo e de uma herança avultada. Pedro Capitão não perdeu a oportunidade de fazer ironia com a situação. “Ficamos só com os ativos e deixamos cair os passivos? Não, ficamos com os versáteis”, atirou o comentador, lembrando depois que os herdeiros, que se alega que estarão a gerir a vida do empresário devido a um alegado estado de demência, têm sempre a hipótese de renunciar à herança.
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António Leal e Silva foi quem apresentou a análise mais profunda (e irónica) sobre a estratégia do comendador ao longo dos anos. O comentador recordou a famosa e mediática ida de Berardo à comissão de inquérito na Assembleia da República, onde o empresário afirmou não ter praticamente nada no seu nome pessoal.
“Eu acho piada que costuma dizer há um ditado popular que diz: ‘Quem tem terra é cego, quem tem olho é rei’. E eu acho que ele teve olho e foi rei, e foi um grande rei, porque ele no fundo, enganou tudo e todos”, atirou António Leal e Silva, explicando a arquitetura financeira de Berardo: “Está tudo colocado mais ou menos em fundações e associações e mais fundações (…). Ele diz que a única coisa que ele tem em nome pessoal é uma garagem em Setúbal”. O comentador concluiu ainda que a manobra de colocar o património fora do seu nome pessoal o blindou: “Isso legalmente só vale se tu me tiveres a devolver dinheiro. (…) Se tu não tiveres nada no teu nome, o banco vai para cima de ti, mas não te apanha nada porque não tem o teu nome”.
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Pimpinha Jardim não escondeu o choque com os contornos do caso e, embora considere legítima a tentativa da família de proteger o património através dos tribunais, direcionou as suas críticas para as instituições bancárias. “Aquilo que eu não consigo perceber, isso acho legítimo e estão no direito deles. Eu não consigo perceber como é que três bancos portugueses emprestaram cerca de 1000 milhões de euros ao Joe Berardo ou outra pessoa qualquer”, questionou a comentadora. “Qualquer pessoa quer comprar uma casa hoje em dia, e é um desafio conseguir um empréstimo. Como é que se empresta mil milhões de euros a alguém?”.
A discussão encerrou com o painel a concordar que, mais do que as artimanhas do empresário, que “fez sempre tudo feito dentro da época, da legalidade” e foi “atrás do comboio do erro”, os grandes responsáveis foram aqueles que assinaram os contratos de crédito e autorizaram estes empréstimos milionários com garantias de fraca solidez.