André Ventura esteve presente no programa matutino da CMTV para uma entrevista focada na sua vida privada e na espiritualidade, deixando a vertente estritamente política para segundo plano.
O líder partidário abriu o livro sobre o seu passado, a relação íntima com a religião e revelou episódios insólitos que marcaram o seu percurso.
Questionado sobre a banalização da religião nos dias de hoje, começou por sublinhar a importância da crença na sociedade e nos líderes: “Eu acho que a fé faz muita falta e acho que o mundo tem, não sei se falta de fé é uma boa expressão, mas acho que muito do que tem acontecido é porque, inclusive dos líderes políticos e dos políticos, onde eu me incluo também, acho que se houvesse mais fé o mundo era um bocadinho melhor”.
Leia também: De quase entrar num ringue com Diogo Maia a ser corrido de Uber: Zé Andrade não acerta uma
Apesar de vir de uma família que optou por não o batizar em criança, a descoberta espiritual aconteceu na adolescência. Aos 17 anos, chegou a entrar no seminário de Penafirme com o sonho de ser padre, mas o destino ditou outro rumo. Sobre o motivo da desistência, confessou: “Percebi que não ia conseguir ser um padre sério e não estabelecer relações com o sexo feminino. Senti-me atraído e senti que queria desenvolver esta vertente. Olhei para mim próprio, percebi que não ia conseguir ser um padre sério. Estava apaixonado”. A justificação foi reforçada com uma frase perentória: “Foi, foi, saí por paixão”.
A gestão entre os valores católicos do acolhimento e a sua visão restrita sobre a imigração também foi tema de debate. O convidado defendeu a necessidade de regras, utilizando uma metáfora clara: “Uma casa que não tenha nem portas, nem janelas não é uma casa. É um terreno abandonado, a céu aberto. Quer dizer, um país que não tem portas e janelas de onde se têm que cumprir regras para entrar deixa de ser um país e passa a ser outra coisa qualquer”. Contudo, garantiu ter sensibilidade para casos de sobrevivência: “Acho que se temos alguém perseguido politicamente, religiosamente noutro país devemos recebê-lo e protegê-lo”.
O lado mais místico da sua vida foi exposto ao recordar um episódio marcante vivido nos Açores, durante as eleições regionais de 2020. Uma senhora, descrita como vidente, viajou de propósito para lhe transmitir uma mensagem arrepiante: “Disse-me que eu ia alcançar os meus objetivos. Mas a minha vida vai ser curta e não vou ter uma vida longa”. O impacto da revelação foi imediato: “O avião aterrou em Lisboa. Passei a viagem a rezar. Fiquei a pensar nisso e pensei no que a senhora me disse que a minha vida não ia ser assim muito longa. Porque sou uma pessoa de fé, não devia acontecer, mas também sou algo supersticioso”.
Essa mesma superstição reflete-se nos objetos que carrega diariamente e na sua ligação a Fátima. O político não sai de casa sem um terço e uma cruz rudimentar, oferecida em 2019 na sua primeira eleição: “Se eu saio de casa sem ela, eu tenho que voltar atrás para a ir buscar. Se eu vou no carro sem ela, eu começo a ficar nervoso”.
A conversa terminou com um tom de forte emoção ao recordar o peso da vida pública na esfera familiar. Visivelmente tocado, partilhou o momento mais doloroso dos últimos anos: “Por ser uma pessoa de fé, o momento que mais me custou na minha vida nos últimos anos, o momento que mais me custou, mistura fé e política. Foi quando, devido à política e devido à vida que estava a ter e ao compromisso que estava a ter, faleceram os meus outros avós da parte da mãe e eu não consegui estar no funeral deles por causa da política”.