Geral

Esta noite acaba a era de uma lenda: Cristiano Ronaldo ou Modric diz adeus ao Mundial

No primeiro aniversário da morte de Diogo Jota, a Seleção Nacional joga com emoção redobrada contra a Croácia

A madrugada de quinta para sexta-feira marca o adeus mundialista de Cristiano Ronaldo ou Luka Modric.

Portugal e Croácia enfrentam-se em Toronto, num embate dos oitavos de final que dita o fim da era de uma das maiores figuras do futebol nas últimas duas décadas, seja a lenda lusa, de 41 anos e seis mundiais, seja o emblema balcânico, de 40 e cinco campeonatos. Nenhum anunciou ainda a retirada da seleção, mas a idade e as declarações não deixam margem para dúvidas: o jogo desta noite, entre a equipa de Roberto Martínez e a de Zlatko Dalic, será a última dança de um dos dois num torneio que ambos ambicionam, mas nunca conquistaram.

GoogleTornar o Dioguinho a tua fonte preferida no Google

Sente-se o fim de uma era nesta cidade multicultural, onde a comunidade portuguesa na área metropolitana ronda as 140 mil pessoas. Os adeptos croatas já se fizeram notar no triunfo por 0-1 contra o Panamá, a 24 de junho. Tudo isto empurrou os preços dos bilhetes para níveis proibitivos.

Leia também: Catarina Miranda estreia-se a “arrasar” comentadores do Big Brother

Nos últimos dias, plataformas como a SeatGeek e a StubHub anunciavam entradas por valores que ascendiam aos 30 mil dólares canadianos, cerca de 18.500 euros, muito acima dos 335 a 875 dólares que a FIFA pedia na venda inicial. O facto de este adeus de mundiais de um dos futebolistas mais relevantes de Portugal ou Croácia acontecer no estádio mais pequeno das 16 sedes do campeonato, o Toronto Stadium (com capacidade para 43.036 espetadores), também pressionou os custos. Recorde-se que o Azteca e o MetLife, onde se joga a final a 19 de julho, acolhem mais de 80 mil pessoas.

O confronto entre Portugal e Croácia, cujo vencedor segue para Dallas a 6 de julho para defrontar Espanha ou Áustria, está envolto numa forte carga sentimental. Assinala-se o primeiro aniversário da morte de Diogo Jota, o avançado português que faleceu aos 28 anos, a 3 de julho de 2025, num acidente de viação em Zamora, juntamente com o irmão André. A sua perda abalou um balneário que tinha acabado de erguer a Liga das Nações, batendo a Espanha nas grandes penalidades. Roberto Martínez não escondeu a emoção na madrugada de domingo, na sala de imprensa do Hard Rock Stadium, em Miami, depois de resistir ao assédio da Colômbia (0-0), quando questionado sobre a efeméride. Martínez garantiu: “Obviamente, cada dia é difícil. Quando estás a treinar, há sempre momentos em que o Diogo Jota volta à nossa memória, por isso não diria que o aniversário deva ser especialmente difícil. Diria que é uma pequena celebração. Precisamos de honrar o Diogo Jota. É um momento para guardar, porque tudo o que fazemos nesta equipa começou com ele. Ganhámos a Liga das Nações com ele. Provavelmente é a maior estimulação que temos, queremos ganhar a Taça do Mundo por ele.”

Leia também: Inês Morais critica Mariana Salgueiro e confessa sentir desconforto com as suas atitudes

O técnico catalão faz sempre questão de sublinhar a importância da fé, da atitude e do desejo de vencer e treinar diariamente que o ex-jogador do Liverpool trazia para o plantel. Desde a sua morte, Roberto Martínez anuncia o número de convocados com um “+1” em memória de Jota, que considerava uma parte essencial do seu projeto. “Temos todas as motivações do mundo para ganhar amanhã: por nós, por nossas famílias, por Diego Jota, por o país todo”, atirou Vitinha em Toronto, na quarta-feira.

A emotividade da noite em Toronto será ainda maior com a recordação do trágico acidente que privou Portugal de um avançado tão querido no balneário Digo Jota.. Contudo, a carga sentimental pela efeméride e os hinos dará lugar a um embate que coloca frente a frente duas seleções capitaneadas por Ronaldo e Modric, que partilharam seis temporadas no Real Madrid, e que deixaram um rasto de dúvidas na sua caminhada até aos oitavos.

Tanto Portugal como a Croácia qualificaram-se como segundos classificados dos seus grupos, superados respetivamente pela Colômbia e Inglaterra. O seu futebol e o papel das suas duas principais figuras foram alvo de muitos questionamentos, alternando exibições precárias, sobretudo no caso de Cristiano, com outras mais determinantes.

A posição de Ronaldo como ponta de lança de referência condiciona todo o esquema defensivo da Seleção, incapaz de exercer uma pressão agressiva e adiantada devido à sua escassa implicação na recuperação da bola.

O ex-avançado uruguaio Diego Forlán analisou os seus movimentos no canal ESPN: “O Cristiano está no centro, de nove, e fica ali para aproveitar o golo, porque ele já não sai para a procurar, mas acaba por condicionar Portugal porque os dois centrais ficam ali, um toma a sua referência e o outro sobra, e não há ninguém que possa chegar porque assim se fecha esse lugar. Está muito estático.”

A contribuição do futebolista madeirense tem sido bastante discreta até agora. Marcou dois golos na goleada por 5-0 contra o Uzbequistão, mas o seu peso foi insignificante nos empates frente à República Democrática do Congo (1-1) e à Colômbia. Seja como for, Roberto Martínez já deixou claro que jogará o seu lugar, o contrato termina no final do Mundial, com Ronaldo como ponta de lança da geração mais talentosa que Portugal já teve.

A influência de Modric na sala de máquinas da Croácia também registou altos e baixos. O médio cometeu um penálti claro sobre Madueke que resultou no 1-0 na derrota por 4-2 contra a Inglaterra e cometeu erros de distribuição que não lhe são habituais. Contra os Three Lions e frente ao Panamá (1-0), foi substituído, mas jogou os 90 minutos na vitória por 2-1 sobre o Gana, onde assistiu Vlasic para o golo decisivo num canto idêntico ao que ofereceu a Sergio Ramos em 2014 para forçar o prolongamento da final da Liga dos Campeões contra o Atlético, aos 93 minutos.

Por mais apetecível que possa parecer a Cristiano disputar um último Mundial em 2030, quando o torneio se realizará em Espanha, Marrocos e Portugal, o avançado esclareceu há meses, numa entrevista a Piers Morgan, que a retirada seria “em breve”: “Estarei preparado, será duro, será difícil, sim, provavelmente chorarei.” Antes de defrontar a Inglaterra, Modric refletiu em conferência de imprensa sobre “o trabalho, a dedicação, o amor e a paixão pelo futebol” que, juntamente com a ciência, levaram jogadores como ele ou Ronaldo a continuar na casa dos quarenta a chutar a bola. Hoje, porém, a fabulosa dança mundialista de um dos dois chega ao fim.

Publicidade

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo