No programa Dois às 10 desta manhã, João Mota esteve à conversa com Cláudio Ramos para recordar a sua trajetória televisiva e profissional, 14 anos após ter entrado na Casa dos Segredos.
O ator fez um balanço da sua carreira, apresentou o seu novo projeto literário e partilhou novidades marcantes sobre a sua vida íntima.
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A entrevista começou com uma reflexão sobre o percurso na representação, com o convidado a destacar as experiências enriquecedoras que a profissão lhe proporcionou. “Enquanto ator, eu vivi coisas maravilhosas. Há momentos que eu vivi que na altura eu pensei: ‘Ai, se calhar nunca mais vou voltar a viver isto, porque isto é tão bom’. Do ponto de vista humano, aquilo que eu pude viver em alguns projetos foi maravilhoso. Poder contactar com pessoas que algumas já não estão entre nós, mas que de uma humanidade indescritível”, partilhou.
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Perante este balanço, o apresentador questionou o impacto do reality show na vida de um estudante universitário. “Mas uma pessoa que estudou Psicologia, passar por um reality, agora a esta distância, serviu-te para quê? A esta distância?”, indagou Cláudio Ramos. João Mota não hesitou na resposta: “Com o que tu sabes? Excelente pergunta, sim. Eu olho para essa experiência com muito carinho, sabes? Porque eu acho que hoje em dia eu sou muito melhor pessoa por ter passado por essa experiência. Foi uma experiência que me trouxe muitos desafios. Que eu não sei se outro caminho na minha vida me teria colocado nesses territórios. E, portanto, trouxe-me, acho que me trouxe crescimento, trouxe-me pessoas, e a vida é sobre isso, não é? E, portanto, passaram 14 anos”.
O comunicador da TVI reforçou a passagem do tempo, atirando “14 anos“, ecoado de seguida pelo ator com a mesma expressão: “14 anos”.
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O anfitrião prosseguiu a entrevista abordando o reconhecimento público e uma pequena gafe com o nome do programa. “E eu chateia de que as pessoas de vez em quando digam: ‘Olha, o João, Ganhou a Casa dos Grandes?'”, perguntou. O convidado garantiu lidar bem com as abordagens na rua, mas deixou um alerta para o preconceito subjacente. “Não, eu não me chateio, sabes porquê? Porque isso me aproxima das pessoas. Muitas delas dizem: ‘Ah, eu lembro-me de ti, daquela fase, e depois fazias-me companhia’. Verdade. E isso é uma coisa que, eu vou dizer o que é que me chateia. Eu chateio que me desqualifiquem as pessoas. Porque as pessoas não são mais nem menos por terem tido uma experiência”, explicou.
Cláudio Ramos insistiu no tema: “E sentes isso? Há um preconceito ainda e sentes isso?“. O ator clarificou a sua perspetiva, referindo que a discriminação é sentida de forma mais indireta. “Eu explicitamente nunca senti, sou honesto. Mas não tem a ver só comigo diretamente, tem a ver com tudo. Eu explicitamente, naquilo que foi o meu percurso, principalmente como ator, eu sempre senti um carinho gigante, mas implicitamente há um estigma associado, não é?”, questionou. O apresentador partilhou da mesma visão e acrescentou a sua própria experiência: “Também não é com o que nós fazemos, porque eu também passei por lá, não é muito com o que nós fazemos depois de lá sairmos?”.
O convidado concordou com a premissa, mas lamentou a carga negativa que o programa acarreta durante anos. “Sim, claramente, mas eu acho que há uma mochila sempre pesada, não é? Parece que as pessoas têm menos direito de ser isto ou aquilo. Percebes? E tu tens o direito de ser apresentador e de ser brilhante no que fazes e de cresceres, porque repara, a forma como te colocas por ter participado num reality show não é que tu tens o direito de ser mais que os outros, mas também não te tira a oportunidade de fazeres o que quiseres da tua vida. Essa liberdade para existir e para poderes desempenhar, crescer e ganhar competência numa determinada área. E eu, essa desqualificação é que eu não gosto”, rematou. Cláudio Ramos anuiu ao desabafo: “Irrita sempre um bocadinho. Eu tento fingir que ela não acontece. Onde é que tu vais estar com o teu livro? Ele cai à venda em todos os lugares, claro”.
O autor explicou a essência da nova obra literária: “Sim, sim. Este livro é um bocadinho sobre isto tudo. Não é um romance, mas as pessoas podem efetivamente ler como se fosse. Esta questão das histórias naturalmente vai surgir, porque as pessoas que me conhecem, que me acompanham há algum tempo, vão reconhecer algumas das histórias”. “Porque é muito biográfico”, notou o apresentador.
João Mota confirmou a natureza do livro e deixou um convite. “É biográfico. É muito íntimo, apesar de levar, ter aí uma narrativa, não é? As pessoas podem ler, não tem um fio condutor, tem vários. E, portanto é com muito carinho que vou estar na Feira do Livro, no dia 10 de junho, às 6:30, para o lançamento. E, portanto, acima de tudo gostava que quem tivesse interesse que lá estivesse para podermos conversar um pouco”, convidou. Cláudio Ramos reforçou tratar-se de “um bocadinho sobre isto”, ideia validada de imediato. “Um bocadinho sobre isto e sobre o que quiserem, que é uma coisa que eu gosto imenso. Eu quero que as pessoas leiam este livro como se estivéssemos a beber um café num bairro qualquer e a falar sobre as relações e sobre o amor”, descreveu. “O que tu gostas de fazer é conversar”, resumiu o apresentador, ao que o ator respondeu prontamente: “O que eu gosto de fazer é conversar”.
O momento final da entrevista trouxe novidades felizes sobre a vida pessoal do ator. “Olha, eu não sei se te espera um filho ou uma filha, não sei se tu queres dizer”, abordou Cláudio Ramos. “É um menino”, revelou o futuro pai. Perante a boa nova, o apresentador anunciou uma surpresa. “É um menino? Olha, tenho um presente, temos um presente para ti”, disse, entregando uma lembrança ao convidado. “Oh, muito obrigado!”, agradeceu João Mota. “Muito obrigado! Para tu levares para a tua casa”, continuou Cláudio Ramos. “Muito obrigado! Queres que abra já?”, perguntou o ator com entusiasmo.
A entrega do presente gerou um momento de enorme cumplicidade em estúdio. “Podes abrir, podes abrir. É uma pequena lembrança. Para te lembrares quando olhares que passaste por aqui. Aqui a casa te agradece muito por tudo. Esta casa sempre parece-me um ponto assento. Recebo um beijo da Cristina que está hoje…”, explicou o comunicador, sendo interrompido pela nota do convidado: “Sim, com muita pena que não está cá hoje”. O apresentador justificou a ausência da colega de ecrã: “Exatamente, que está a trabalhar por causa da gala do domingo. E tem administração”. O ator voltou a demonstrar a sua gratidão: “Oh, muito obrigado”.
A fechar a conversa, Cláudio Ramos deixou rasgados elogios ao percurso e ao crescimento de João Mota na indústria do entretenimento. “Obrigado, filho. Olha, eu gosto muito de ti, já tinha dito várias vezes. Acho que o teu caminho foi notável, irrepreensível desde o momento que saíste. Acho que tiveste tu particularmente de dar uma volta gigante para que as pessoas olhassem para ti como um profissional e parece-me evidente que conseguiste. Obrigado, João. Obrigado, Cláudio. Boa sorte com o livro. E na Feira do Livro, no próximo dia 10, a feira já sabe, acontece no Parque Eduardo VII. Que horas?”, questionou de forma afetuosa. “6:30″, indicou o ator.