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Filipa Torrinha e David Motta criticam ‘carimbo da droga’: “O álcool é socialmente aceite”

Caso «Uber da Droga» esbarra no preconceito: Comentadores defendem que consumo não define caráter

Filipa Torrinha lembrou que o universo das substâncias ilícitas não é um submundo e atravessa todas as classes e profissões.

O recente desmantelamento da rede de tráfico de estupefacientes conhecida como «Uber da Droga» continua a dar que falar, especialmente devido à exposição de nomes mediáticos nas escutas da PSP. No programa «Passadeira Vermelha», transmitido na SIC Caras, as opiniões dos comentadores convergiram na crítica ao julgamento moral e ao preconceito que recai sobre os alegados consumidores de substâncias ilícitas.

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Filipa Torrinha contestou a forma como a sociedade avalia quem consome, sublinhando a ausência de ilegalidade penal no consumo próprio e rejeitando leituras moralistas. “Não me parece que seja falha de caráter alguém consumir droga“, afirmou de forma inequívoca, acrescentando que apontar o dedo aos envolvidos “assenta num profundo desconhecimento até do que é o universo da droga“.

A comentadora fez questão de desmistificar o fenómeno, alertando que este não se restringe a realidades marginais: “Não é um submundo, que não acontece em caves escondidas ali ao burjo. Acontece em vários sítios, acontece em várias profissões, à luz do dia, com várias pessoas de várias idades“.

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A ideia de que o consumo atravessa todos os estratos sociais foi partilhada pela apresentadora Liliana Campos, que recordou a presença de “engenheiros, magistrados, funcionários da TAP” entre os clientes intercetados nas investigações. Contudo, o debate evidenciou que o escrutínio público acaba por ser implacável apenas com as caras conhecidas da televisão ou do desporto.

David Motta trouxe para a discussão o contraste entre o consumo de substâncias proibidas e de substâncias legais, apontando uma dualidade de critérios na opinião pública. “Um consumidor recreativo não é um traficante de droga“, defendeu, argumentando que o impacto social de certas notícias é desproporcional.

Liliana Campos respondeu lembrando que “este carimbo de droga é mais forte” e que “o álcool é socialmente aceite“, uma visão corroborada pelo painel, que lamentou a facilidade com que se misturam os papéis de quem vende e de quem apenas consome de forma recreativa.

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