No programa da SIC Caras, os comentadores lamentaram a exposição de cidadãos que nem sequer foram arrolados como testemunhas no processo.
A rede de tráfico de estupefacientes desmantelada pela PSP, apelidada de «Uber da Droga», esteve em análise no programa «Passadeira Vermelha», da SIC Caras onde, sob a condução de Liliana Campos, a emissão abordou o forte impacto da fuga de informação que acabou por expor na praça pública nomes bem conhecidos dos portugueses, como a atriz Marta Gil, o ator e médico José Carlos Pereira e o judoca Jorge Fonseca, intercetados em escutas telefónicas como alegados compradores.
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David Motta manifestou-se profundamente chocado com a exposição mediática destas personalidades, classificando a divulgação dos seus nomes como uma atitude injusta e desproporcional. “Custa-me imenso que figuras públicas que nem sequer são arroladas como testemunhas, como o Zé Carlos Pereira por exemplo, penso que é o caso, veja os seus nomes“, criticou o comentador, e ainda argumentou que o interesse jornalístico em torno da detenção do líder da rede, Nuno Santos, foi empolado de forma artificial à custa da notoriedade dos visados. “O mediatismo desta apreensão deve-se ao encosto a estes três nomes“, frisou, deixando um apelo à lucidez do público: “As pessoas põem tudo no mesmo saco. Um consumidor recreativo não é um traficante de droga“.
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Filipa Torrinha subscreveu inteiramente a posição do colega de painel, lamentando o julgamento moral e a ridicularização de que os alegados consumidores estão a ser alvo nas redes sociais. “Acho muito triste que se julguem estas pessoas, portanto os supostos alegados consumidores, da forma como estão a fazer“, afirmou, recordando que a legislação portuguesa não prevê moldura penal para o consumo próprio. A comentadora recusou associar o consumo recreativo a uma falha de caráter, classificando as críticas como hipócritas e desinformadas. “Apontarmos o dedo a Marta Gil ou quem quer que seja como se fossem pessoas menores, gozarem com elas, acho hipócrita e acho que (…) assenta num profundo desconhecimento até do que é o universo da droga“, atirou, desmistificando a ideia de que este problema social pertença a um submundo marginal. “Acontece em vários sítios, acontece em várias profissões, à luz do dia, com várias pessoas de várias idades“, sustentou.
A abrangência do fenómeno foi igualmente corroborada por Liliana Campos, que recordou que as escutas telefónicas da polícia intercetaram compradores de diversos quadrantes, incluindo “engenheiros, magistrados, funcionários da TAP” e profissionais de saúde. Ainda assim, o facto de apenas as caras do meio artístico e desportivo terem sido expostas levou Filipa Torrinha a classificar este linchamento público seletivo como algo “pouco chique”.
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