FamososSIC

Filipa Torrinha não apoia ‘vitimização’ de Mafalda Matos e descarta responsabilidade social ‘exigida’ a humorista

A psicóloga aborda menções de Mafalda Matos a atos extremos no «Passadeira Vermelha»

Em debate no canal da SIC, a comentadora e psicóloga, defendeu que a fragilidade individual não pode ser usada para silenciar o humor.

A polémica instalada entre Mafalda Matos e Joana Marques, que explodiu após a atriz ter desabafado sobre o diagnóstico de autismo e ter criticado a abordagem da rubrica «Extremamente Desagradável», assumiu o papel principal na emissão desta terça-feira, 28 de julho, do «Passadeira Vermelha».

GoogleTornar o Dioguinho a tua fonte preferida no Google

No painel da SIC Caras, a comentadora e psicóloga Filipa Torrinha apresentou uma perspetiva vincada sobre a suposta missão ética atribuída aos criadores de conteúdo e comediantes.

Filipa Torrinha começou por desmistificar o papel exercido por quem faz sátira no panorama mediático. “A Joana Marques ou qualquer humorista (…) não tem responsabilidade social. O humorista não é responsável por rigorosamente nada, ou seja, não cabe a ele esclarecer ou não esclarecer, desinformar ou informar. Não há responsabilidade social a um humorista, isto não existe“, afirmou na conversa com a apresentadora Liliana Campos, acrescentando que “acharmos que alguém como a Joana Marques ou outros fazem piadas e que caia sobre ela responsabilidade social não faz qualquer tipo de sentido. Isto é dar à Joana um poder que ela não tem (…) É dar uma seriedade a este trabalho que não tem“.

Leia também: David Motta coloca em causa o sofrimento exposto por Mafalda Matos após polémica com Joana Marques

Embora compreenda a situação delicada atravessada pela atriz, a comentadora lamentou a onda de apoio que se gerou em torno da tese de que a comédia deve ser condicionada pelas fragilidades individuais. “Uma coisa é apoiarmos a Mafalda, outra coisa é apoiarmos o raciocínio. E aqui é que entra o raciocínio de que a Joana tem responsabilidade social (…) A Joana deve contribuir, não deve contribuir para a desinformação”, explicou, alertando para os riscos dessa visão: “Esta ideia de que nós, que o mundo tem que funcionar de acordo com a nossa dor, é infantil e é do mais desempoderador que eu posso imaginar. O mundo não se dobra de acordo com a nossa dor. Os humoristas não fazem, deixam de fazer de acordo com a nossa dor e nós não podemos viver a nossa vida a achar que isso pode acontecer“.

Para a comentadora do programa da SIC Caras, a tentativa de travar o trabalho dos comediantes constitui um postura perigosa e prejudicial para a própria evolução pessoal das vítimas das piadas. “Se uma piada me magoa, eu tenho, se assim entender, uma possibilidade de olhar para mim e perceber para que é que isto me está a magoar e trabalhar isto em mim. A ideia de que eu vou calar o outro é muito infantil e é perigosa. E é uma ideia, e a questão é que desempodera-nos, ou seja, tira-nos a nós a possibilidade de termos uma ação sobre nós próprios, um poder sobre nós“, advertiu.

Leia também: Sic manipula entrevista? Rute é alertada para não da entrevista e garante: “não me calam!”

A especialista defendeu ainda que os apoiantes da causa dos neurodivergentes devem refletir sobre a postura que adotam publicamente. “Convido-os mesmo a pensar porque é que nós achamos que é legítimo calarmos um humorista ou que ele deve calar-se e não fazer piadas porque nos magoa“, rematou Filipa Torrinha.

Publicidade

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo