Homicídio de Maria Custódia Amaral: filha de Delfina Cruz morreu asfixiada com película
O arguido, que manteve uma relação com a vítima, está em prisão preventiva desde 2 de fevereiro, aguardando julgamento pelo brutal assassinato.

Sete meses depois do crime que abalou o País, novos pormenores emergem sobre a morte de Maria Custódia Amaral, de 54 anos.
A filha da atriz Delfina Cruz foi brutalmente assassinada e o processo de acusação agora desvenda os contornos da tragédia.
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Tudo começou a 16 de janeiro de 2026, conforme relata o processo de acusação, citado pela agência Lusa. Três dias antes de o desaparecimento da agente imobiliária ser tornado público, o arguido contactou Maria Custódia Amaral com a desculpa de precisar da sua ajuda na venda de uma casa e para entregar uma cópia da escritura. Ela aceitou o encontro, sem qualquer suspeita do que a esperava.
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Os investigadores da Polícia Judiciária (PJ) veem um plano macabro por trás dos “motivos desconhecidos” que levaram o homicida a atrair Maria Custódia Amaral para uma divisão vazia da casa. Amarrou-lhe os braços, despiu-a “na totalidade” e agrediu-a. A filha de Delfina Cruz morreu asfixiada, depois de o homem — com quem, soube-se na altura, mantinha uma relação amorosa — ter “enrolado película aderente em volta da [sua] cabeça”. O arguido assistiu ao sofrimento da vítima e “deixou-a morrer”, sem qualquer remorso, segundo a acusação.
Com Maria Custódia já sem vida, o homicida enrolou o corpo e as roupas em sacos de plástico, escondendo-os na arrecadação. Apoderou-se do telemóvel e do computador da agente imobiliária, fugindo no carro dela. Desfez-se do telemóvel, atirando-o “para o lago” do Parque D. Carlos I, nas Caldas da Rainha, e deixou o computador “dentro de um caixote do lixo”.
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Depois, seguiu para Peniche, onde abandonou o carro e apanhou um táxi de regresso a casa. Câmaras de videovigilância captaram a sua passagem, o que permitiu às autoridades localizá-lo, mas só vários dias depois de a polícia ter sido alertada para o desaparecimento, em janeiro de 2026.
Durante os três dias seguintes ao assassinato, o arguido manteve o corpo da filha de Delfina Cruz na arrecadação. Tentou apagar os vestígios do crime e, para afastar suspeitas, ainda enviou uma mensagem para o telemóvel da agente imobiliária a perguntar se “estava tudo bem”.
Na noite de 23 de janeiro de 2026, uma semana após o homicídio, o suspeito decidiu desfazer-se do corpo. As autoridades já estavam em cima do caso e, com receio de ser descoberto, enrolou o corpo em cobertores, meteu-o na bagageira do carro e dirigiu-se à Lagoa de Óbidos, onde o enterrou. Acabaria por ser desmascarado pelas buscas da PJ à sua casa, onde encontraram provas irrefutáveis: cartões bancários da vítima, a chave do carro e até a roupa que Maria Custódia Amaral usava antes de desaparecer.
A Polícia Judiciária só encontrou o corpo de Maria Custódia Amaral na tarde de 31 de janeiro de 2026, mais de duas semanas após a sua morte e uma semana depois de ter sido enterrado. O suspeito foi detido nesse mesmo dia e permanece em prisão preventiva desde 2 de fevereiro de 2026, depois de ter sido presente a juiz para primeiro interrogatório judicial.