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Joana Amaral Dias vê “redenção do trauma Maddie” no salvamento de crianças francesas

"Foi um plano sádico": Joana Amaral Dias analisa perfil de casal detido em Fátima

Numa reflexão dura sobre a infância, a comentadora aproveitou o espaço no canal Now e nas redes sociais para expor dados alarmantes sobre a pobreza e abusos contra menores em Portugal.

O caso das duas crianças francesas, de três e cinco anos, abandonadas pela mãe e pelo padrasto numa zona de mato em Alcácer do Sal, continua a gerar intensos debates na opinião pública. Em análise no canal “Now” e através das suas plataformas digitais, Joana Amaral Dias recorreu aos seus conhecimentos na área da psicologia e da criminologia para traçar um diagnóstico severo sobre o perfil dos suspeitos, Marine Rousseau e Marc Ballabriga, convertendo ainda o caso numa reflexão sobre a memória coletiva do país.

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A comentadora começou por recusar os laços de parentesco e afetividade dos detidos perante a gravidade das suas ações. “Ela não é uma mãe, é uma maléfica. E ele não é um padrasto, é um carrasco”, sentenciou de forma assertiva, avançando de seguida com uma leitura sociológica sobre o impacto que o salvamento dos dois irmãos gerou na comunidade portuguesa. “Parece que Portugal se está assim um bocadinho a redimir da Maddie. Tivemos uma menina estrangeira que desapareceu em Portugal. Acho que foi um trauma nacional que nunca foi totalmente superado. E finalmente agora podemos salvar duas crianças estrangeiras. Acho que foi uma espécie de uma redenção“, equacionou, reforçando nas redes sociais que o episódio de há quase vinte anos acabou por “manchar a reputação nacional” e que este desfecho positivo funciona como uma “redenção simbólica do país“.

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No entanto, a psicóloga fez questão de alertar para o facto de a comoção com este caso internacional não poder camuflar as carências graves que afetam os menores em território nacional. “Vale alertar que só os números que saíram esta semana sobre as situações das crianças portuguesas são alarmantes. Temos uma em cada 20 crianças teve fome e não comeu. Temos 54 casamentos forçados infantis, o que é terrível. 300 mil crianças em situações de pobreza, um aumento de 21% dos casos da CPCJ, sendo que as CPCJs, só um quarto delas estão em condições de funcionar na plenitude“, denunciou, lamentando que o país conviva diariamente com o “sofrimento silencioso das suas próprias crianças“.

Do ponto de vista puramente criminal, Joana Amaral Dias destacou o nível de premeditação e a ausência de remorso demonstrados pelo casal de cidadãos franceses durante toda a execução do percurso. “Como criminóloga, devo dizer que é preciso de facto um sangue-frio tremendo, uma crueldade intolerável e um planeamento realmente quase sádico para pegarem duas crianças tão pequeninas, a mais pequena, do ponto de vista pediátrico, é um bebé, não é? Pegar nelas e colocá-las na floresta nessas condições, sem saber o que poderia acontecer, vencer uma eventual resistência das crianças enganando-as“, dissecou, apontando o logro da caça ao tesouro como um requinte de malvadez. “Vejam lá, vão à procura de um brinquedo, tipo caça ao tesouro, portanto vencendo uma resistência que pudesse aparecer, tendo já deixado um adolescente na fronteira“, relembrou.

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O comportamento pós-crime adotado pelos suspeitos, que foram localizados pelas autoridades numa esplanada, mereceu também o repúdio da comentadora. “Umas horas depois, são encontrados em Fátima, certamente não foram confessar-se ao santuário, em Fátima a beber calmamente uma água e um café. Isto, portanto, mostra uma personalidade de ambos, mas da parte da mãe, pelo menos, e desde logo, muito complexa, numa relação de facto perversa com os filhos e agindo (…) em conluio numa rede também ela maligna com o seu companheiro“, analisou, destacando a necessidade de uma “cumplicidade ativa” entre o casal.

A fechar a sua intervenção, a profissional focou-se nas sequelas psicológicas imediatas que o abandono em condições extremas provocou na estrutura emocional dos dois menores. “Nestas crianças, obviamente, a sensação que elas têm, uma vez que se encontram abandonadas na floresta, é de homicídio, é de perigo de vida. Claro, juridicamente sabemos que será enquadrado de outra maneira, mas a sensação de risco iminente de vida é o que elas sofreram. Sente-se que não podem confiar na mãe“, explicou, deixando um voto de esperança para que o progenitor das vítimas, que reside em França, consiga reverter o trauma.

Esperemos que a justiça tenha mão pesada. E que o pai, em França, consiga ajudá-las a reaprender a coisa mais difícil de todas: confiar novamente em adultos“, concluiu, Joana Amaral Dias.

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