No “Passadeira Vermelha”, a comentadora reagiu com estupefação ao discurso do influenciador digital, que defendeu que as mulheres independentes acabam sozinhas “como mães de gatos”.
As recentes declarações do influenciador Numeiro, num debate sobre independência feminina e relacionamentos, incendiaram o painel do “Passadeira Vermelha” e geraram uma onda de indignação.
O youtuber defendeu que o foco excessivo na carreira prejudica as mulheres, alegando que estas chegam aos trinta anos sozinhas e viram “mães de gatos”, uma vez que os homens bem-sucedidos preferem parceiras mais novas e sem “bagagem emocional”.
A resposta na SIC não se fez esperar e Joana Latino foi implacável na sua análise, classificando Numeiro como um homem preso a um passado sombrio. “Portanto, o Numeiro é aquele tipo de homem do tempo do outro senhor, que acha que uma mulher é apenas parideira, só serve para ter filhos e também empregada doméstica dele“, atirou a comentadora.
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Para a jornalista, o influenciador não procura uma relação de igualdade, mas sim submissão total. “Se é isso que ele deseja numa companheira, ele não deseja uma companheira, deseja uma escrava, alguém servil, alguém que esteja lá para satisfazer as suas vontades e necessidades“, continuou, visivelmente indignada. Joana Latino acusou Numeiro de desconsiderar a mulher como pessoa, reduzindo-a a alguém sem direito a ter sonhos, ambições, independência ou liberdade.
Elevando o tom das críticas, a comentadora confessou estar assustada com a mensagem que chega às camadas mais jovens, recordando que estas visões vão “contra o espírito da legislação na maior parte dos países ocidentais“.
Sem poupar nos adjetivos, traçou um duro perfil psicológico do discurso do youtuber: “Isto é claramente um ser humano que está a medir o tamanho do seu órgão sexual com os outros machos. Isto é uma coisa animalesca, isto é uma coisa despida de humanidade. Este é um ser que, para mim, nos valores, é rastejante.”
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Desconstruindo a exigência de parceiras sem passado ou experiência profissional, Joana Latino recorreu à ironia e à evolução humana. “É de um basismo, é quase Neandertal. Portanto, só lhe falta a moca para dar na cabeça da menina e para a arrastar para a gruta, para com ela praticar sexo independentemente dela querer ou não“, criticou duramente.
A comentadora repudiou ainda a ideia de que este movimento procure “uma mulher virgem em quase todos os sentidos“, lamentando que a companheira ideal, na ótica do influenciador, “tem que ser burra, pobre, mulher para parir e que já agora, virgem“.
Para concluir a sua intervenção, Joana Latino desfez a premissa de que as mulheres com carreiras de sucesso não precisam de companheiros por se acharem autossuficientes.
Dirigindo-se metaforicamente ao youtuber, rematou de forma fulminante: “Não, não precisa de ti, com essa cabeça quadrada. Precisa de um companheiro, de alguém que se sinta feliz com as conquistas dela“. Afinal, lembrou a comentadora, ver a pessoa que amamos a florescer e a conquistar os seus objetivos deveria ser “maravilhoso de ver e deve ser feito de braço dado, de mãos dadas, em equipa“.
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