John Travolta chora em Cannes ao receber ‘Palma de Ouro’
Ator e realizador foi homenageado antes da estreia da sua "curta" mais pessoal, considerando o prémio "além do Óscar".
John Travolta foi apanhado de surpresa no Festival de Cannes, mesmo antes da aguardada estreia mundial da sua curta-metragem de animação, “Propeller One-Way Night Coach”.
O festival decidiu presentear o icónico ator com uma Palma de Ouro honorária, o mais alto reconhecimento pela carreira de um artista, e a emoção foi incontrolável. Visivelmente abalado e com os olhos marejados, Travolta confessou que a distinção “vai para lá de um Óscar”.
A reação do ator foi imediata e visceral. “Surprise complétement!”, exclamou Travolta em francês, com a voz embargada, enquanto a plateia irrompia em aplausos efusivos. “Não consigo acreditar nisto. Era a última coisa que esperava”. Dirigindo-se a Thierry Fremaux, o diretor do festival, o ator partilhou um momento mais íntimo: “Disse-me que seria uma noite especial, mas não sabia que significaria isto”. A resposta de Fremaux foi curta e certeira, com um sorriso: “Nós sabíamos!”.
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Com a emoção à flor da pele, Travolta continuou: “É um momento de grande humildade, Thierry, obrigado do fundo do coração”. O ator recordou o encontro em novembro, onde não esperava sequer que o seu filme fosse aceite. “Quando o Thierry disse que não só foi aceite, mas que estava a fazer história por ser o primeiro filme a ser aprovado tão cedo, chorei como um bebé porque simplesmente não conseguia acreditar. Na minha opinião, é a pessoa mais exigente na indústria cinematográfica. Estava apenas feliz por estar aqui! Nunca esperei isto. Muito obrigado”.
Travolta, que já foi nomeado duas vezes para o Óscar de Melhor Ator, estava em Cannes para apresentar “Propeller One-Way Night Coach”, a sua estreia na realização de uma curta-metragem. Este filme, apoiado pela Apple, é baseado no seu livro infantil de 1997 e o próprio Travolta descreveu-o como “o mais pessoal que alguma vez fez”. A história autobiográfica e familiar transporta-nos para a idade de ouro da aviação, acompanhando Jeff (Clark Shotwell), um jovem entusiasta de aviões, e a sua mãe (Kelly Eviston-Quinnett) numa odisseia de costa a costa rumo a Hollywood. No elenco, destaca-se ainda a presença da filha de Travolta, Ella Bleu Travolta.
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Após a exibição da curta-metragem de uma hora, Travolta regressou ao palco para uma conversa com Fremaux, onde aprofundou as raízes da sua paixão pela aviação, que remonta à infância.
Relembrou que chorou quando Fremaux lhe comunicou a seleção do filme para Cannes, cinco meses antes do festival, mesmo já tendo sido adquirido pela Apple. Apontando para a sua família na plateia, Travolta sublinhou: “A razão pela qual este filme existe e, na verdade, a razão pela qual eu existo como artista, é por causa daquele grupo de pessoas ali”. Revelou que a sua irmã mais velha, Ellen, foi a inspiração para a personagem principal, sendo a história uma mistura da influência profunda da irmã e da mãe. “Elas foram responsáveis por todas as minhas esperanças e sonhos, e viram-me realizá-los. Por isso, isto é apenas um pequeno vislumbre das minhas origens e de como era ser eu quando era pequeno. Espero que tenham gostado. Significa o mundo para mim que estejam aqui”.
Embora Cannes já tivesse anunciado os homenageados com a Palma de Ouro honorária para este ano – Meryl Streep na noite de abertura e George Lucas na de encerramento –, o festival tem o hábito de reservar pelo menos uma destas distinções para uma surpresa. No ano passado, por exemplo, Harrison Ford foi o surpreendido antes da estreia do seu filme. A ligação de Travolta ao Festival de Cannes não é de agora. O ator marcou presença com filmes icónicos como “Pulp Fiction” (1994), de Quentin Tarantino, que levou para casa a Palma de Ouro, “She’s So Lovely” (1997), que valeu a Sean Penn o prémio de Melhor Ator, e “Primary Colors” (1998).
Para quem quiser mergulhar nesta história pessoal, “Propeller One-Way Night Coach” estará disponível para streaming na Apple TV a partir de 29 de maio.
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